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Uma Carta ao Silêncio...!

Uma Carta ao Silêncio..!


Escrito:
algures no decorrer da eternidade
Destinatário: Tu e o silêncio

Estou aqui... neste fim de dia... a pensar em ti...!
Estou aqui... apenas aqui... a sonhar acordado...! A ser feliz... como sou quase sempre...! Como noutra tarde qualquer...! Estou a escrever para ti... para o silêncio e para o céu... para o mundo...!

Hoje... não vou escrever nada que não tenha já sido ouvido por esse mundo fora, ao longo dos tempos... dos séculos... das décadas... dos minutos... ao longo dos instantes que passam e passam numa sucessão de etapas e cenas e peças e teatros em que nós vamos sendo os actores principais...!

Hoje... não vou escrever nada de novo, não vou inventar teoremas, nem elaborar dissertações técnicas ou moralistas sobre a vida...! Hoje... escrevo sobre a vida... sobre o que sinto... que devo escrever...! Sobre os actores de mais um livro... de mais um romance... de mais um poema... ou de apenas... mais um pensamento..!

Hoje... deixei cair nas minhas mãos frágeis... a saudade de um olhar... a saudade de um perfume... a saudade dos sentidos... despertos à tua volta...!

Hoje... deixei cair... dentro das palavras... o teu olhar e o teu cabelo... o teu sorriso... tudo...

Hoje...

Com a honestidade e o sonho a embalarem-me a alma em alegria... guardo-te dentro de mim... e fora de mim... dada a tua imensidão...! Tu não cabes dentro de ninguém... porque és imensa...! Tu não és de ninguém... és apenas de ti própria... do céu... e da natureza...!

Hoje... confrontei-me comigo mesmo... num dilema do instante...

O que seria de mim... sem ti? – Continuaria a ser o que sou... mas muito mais pobre... muito mais triste... muito mais frágil... muito mais ignorante... muito mais frio... e incoerente...! Sem ti... seria a ausência... o abstracionismo permanente...! Sem ti... seria um poeta... sem inspiração...! Seria... a noite sem estrelas... e o dia sem sol...!

Por isso... guardo-te dentro da alma...

Guardo-te na palma da mão... Guardo o nosso segredo...! Guardo na palma da mão, aquilo que quero e que não se pode dizer... aquilo que desejo e não posso nem devo desejar.... não deveria... não devo! Mas... como o espírito de um poeta é eminentemente sonhador... e as palavras com que brinca são ... na sua maioria teimosas... elas teimam em negar o que vai dentro do artista... ou do poeta... ou do pianista... ou do livre pensador...! Elas... as palavras... teimosas e emancipadas... negam... afirmando... no silêncio... os sentimentos que ardem internamente... fulgurantemente... não como uma paixão efémera... mas como algo mais profundo... mais pleno... duradouro... na sua totalidade... dentro do poeta...! Dentro da pessoa que ama...!

Ambos sabemos que há uma força natural que me impulsiona para lutar pelos sonhos... pelos ideais... pelas convicções e pelo amor... pelo que se sente...!

Afinal a poesia e a vida assemelham-se num grande e essencial ponto, a capacidade de sentir, a sensibilidade e a eloquência da sensação... entre muitas outras coisas. E a vida...

A vida é um caminho de estradas nem sempre bem sinalizadas, com alguns buracos no asfalto, alguns acidentes e por vezes com muito trânsito, muita confusão, e condutores muito perigosos. Mas também tem os seus encantos, a própria condução da vida, a condução de nós mesmos por trilhos secretos e ignotos ou ignorados... desconhecidos... como um veleiro solto no mais alto mar...!

A verdade é que a vida, mesmo quando corre mal, possibilita-nos momentos de contemplação, e são esses mesmos momentos que podem transformar o viver em algo melhor... que podem transmutar a vida diária numa dimensão diferente, numa alquimia da alma e dos elementos, levando-nos para uma dimensão de amizade e reconciliação com a própria vida e com os outros, as outras vidas, os outros sonhos, espaços e tempos.

Há razões que nos fazem estabelecer ilusões, criar expectativas em situações, momentos e pessoas, que nos fazem sonhar, pensar, equacionar, decidir, reformular, enfim, tudo isso é a própria vida, o seu próprio acto e a sua própria função, consequência e ao mesmo tempo motivos para a sua existência, realização e permamente busca de "algo mais" do que o vazio que nos fica aquando de uma concretização, de um momento efémero, de algo que nos deixou frustrados, magoados, tristes, ou a desilusão perante algo que não preencheu as expectativas.

No entanto, e eu acredito nisso, é importante sermos capazes de ser, como digo às vezes, humildes, sinceros, sonhadores e acima de tudo, simples. Simples nos sonhos, simples no olhar que deitamos sobre o mundo, sobre nós mesmos e sobre os outros. Quando digo simples, quero dizer, amantes! Quero dizer amados! Quero dizer amantes e amados! Apaixonados...! O verdadeiro poeta ou artista ou apenas sonhador é apaixonado, apaixonado pelo cão, pela gaivota, pela criança que brinca às escondidas no jardim, pelo jardineiro que consegue dar vida e alimento, cor e brilho às flores do seu jardim. Apaixonado pela mulher que passa na rua e se olha triste e magoada quando chora junto do espelho, ou apaixonado pelo vento, pela brisa que nos toca o rosto e nos faz sentir algo mais do que havíamos conhecido antes. Um sonhador ou poeta é apaixonado pela poesia, pela música, pelo dia e pela noite, pelo relâmpago, pelo estrondo do trovão, pela chuva, pelo sol, pelo calor, pelo frio, pela alegria, pela vida, enfim, pelo tudo e pelo nada que fazem do que somos, o que somos, que fazem de mim... o que sou.. e quem eu sou...! Que fazem de ti... o que és para mim... maré cheia dos meus ideais... a minha loucura e a minha lucidez... a catedral... da minha imaginação..!

Com tudo isto.... quero dizer que precisamos de ser pessoas... e deixar de evitar apaixonarmo-nos...! Precisamos de ser Humanos e benévolos, crentes, mas não dogmáticos, pois o dogma é o vicío do mundo, e o que aprisiona, não os corpos, mas as mentes, as almas, os espíritos. Apesar disso, existem sempre dogmas, sempre existirão, são próprios ao nosso pensar - propor o não-dogma, é já por si, um dogma que se auto-anula, mas que assume uma outra característica, a de conceito, ou construção preconceituosa da linha de pensamento, evitando a liberdade de poder ser dogmático...!

Digo apenas isto... que vale tanto quanto nada... aliás, hoje estou com dificuldade em transmitir o que me vai na alma e no pensamento... de o transcrever para as palavras, para a poesia ou para qualquer outra coisa... mas o que sinto e penso... continua dentro de mim... talvez esteja hoje assim, pois não chegou ainda o momento de se escrever o que se sente aqui... talvez amanhã... talvez daqui a cem anos...! Talvez nunca... porque não chegou ainda o momento de abrir o código da vida... decifrando-o totalmente...! Cada um de nós... vai decifrando um pouco... de si e do código da vida... e dando-o a conhecer ao outro... paulatinamente.

... Agora ...

... Apenas quero adormecer e despertar... olhar o sol a nascer, as nuvens a passar, os pássaros que cantam e esvoaçam pelo céu e que ao entardecer adormecem nos ninhos no topo das árvores, em paz e em descanso, olhando a lua que vai subindo no céu, agora escurecido pela noite.

... Agora... Apenas quero ler e aprender, ensinar talvez o pouco que sei, falar, viver, sentir, amar...

... amar-te... sim... amar-te eloquentemente... poeticamente... romanticamente... mesmo sem puder... mesmo sem poder pensar na possibilidade de um dia... o impossível ser possível... não quero supor isso... quero apenas aproveitar o que sinto... para viver-te... para sentir-te... e aprender... sobre as pessoas... sobre o mundo... sobre mim... sobre ti.

... Apenas quero viver sem causar problemas ou sofrimento aos outros... apesar de, por vezes... o facto de desistirmos de lutar pela nossa felicidade... por uma felicidade mais intensa... mais concretizada... para não magoarmos ninguém... é complicado entender... e mais complicado colocar em prática, mas é algo que quase sempre faz sentido... apesar... de talvez não fazer...!

Penso que ser feliz é ser feliz connosco e com os outros... é ser bom para os outros e para nós mesmos... é amar e viver... sem o preconceito de que não devemos pensar ou reflectir sobre as coisas...! Pelo contrário... devemos reflectir, aliás... podemos reflectir... devemos ser livres de sermos o que formos, o que somos, claro, dentro dos limites da nossa liberdade aparentemente infinita.... porque mesmo o infinito... mesmo a eternidade... são conceitos imensuráveis...! São algo que não conseguimos suportar... a eternidade... é impensável para a nossa mente em tudo temporizada, habituada aos minutos e aos meses, nunca à eternidade... que seria o não-tempo ou algo mais transcendente ao nosso pensamento...!

Talvez... eu... esteja a caminho da loucura.. talvez... mas mesmo na demência... há quem continue a sonhar... e eu continuo aqui... a sonhar...

A sonhar-me...

A sonhar-te...

E será a vida mais do que um sonho...? Mais do que um sonho com partes boas e partes más...? Com sucessivos despertares e adormeceres...? Será a vida mais do que isto...?

Digo isto... porque... sabes... quase sempre é através da magia dos sonhos que captamos a realidade... apesar de não sabermos que é durante a noite, que o nosso subconsciente efectua um resumo estruturado do dia que passou, elaborando as suas conclusões para daí tirar inferências e lições de vida... é assim... somos algo de profundamente misterioso.... e ao mesmo tempo... profundamente simples... a estranha mistura de simplicidade e complexidade... num único momento.

... Porque... eternamente... continuaremos a ser aprendizes de nós mesmos... no sonho de aprender e sonhar...

... NAS ASAS PLANANTES DE UM VERDADEIRO PENSAR...

Sejamos livres e fiéis aos nossos ideais...

Sejamos livres para tomar decisões e enfrentar as consequências dos nossos actos...

Sejamos livres para lutar por algo em que acreditamos... e tenhamos a coragem para ceder quando chegar a altura para cedermos...!

Sejamos livres e corajosos para tornar a nossa existência em algo de que amanhã nos orgulhamos...! Livres e corajosos para torná-la excepcional, extraordinária... e isso significa ser feliz...! Lutar pela felicidade... e não ter medo... de amar... não ter medo de ser-se feliz... de estender uma mão... de sorrir... de ajudar... de correr para o mistério... e de correr riscos... às vezes é necessário correr riscos...!

Mas tudo isto... sem que nos corrumpamos com a ambição desmedida, o orgulho cego e o ódio destrutivo, ou o egoísmo egocentrico. Isso é um grande problema do mundo - haver pessoas que se acham génios... e que acham que são a sapiência em pessoa... encarnada! É de facto um problema... pois normalmente essas pessoas não entendem, nem tentam entender os outros... passam-lhes por cima... como se se tratasse de uma beata de cigarro acesa, que é preciso apagar...

Já nem sei o que digo...

Já nem sei o que falo...

Somos um... mas somos muitos... muitos mais... em cada um de nós...!

E muito do que existe por aí... é-nos desconhecido... invisível... interdimensional...

Aproveitem a vida ao máximo... vivam cada instante como se fosse o último... ou então com a alegria e doçura de não existir fim....! Mas aproveitem... vivam... amem... sorriam... cometam as loucuras que tiverem que cometer... tenham a coragem de acreditar... e de lutar pelos vossos sonhos... por tudo...!

Nunca deixem de dar valor à natureza e aos animais que habitam o nosso planeta... as plantas.. o ar... o vento... o fogo... a chuva... tudo... o que faz parte da natureza...!

Nunca temam ajudar quem quer que seja.... nunca temam ajudar-se a vocês mesmos...!

Tudo isto porque a vida é preciosa... e o tempo que dispomos para a viver... para mudar... para queres... para tudo... poderá ser sempre insuficiente... porque não sabemos quanto tempo dura o nosso tempo...!

Quando percebermos o quanto deixámos para trás, o que ficou por fazer... e por dizer... e tudo aquilo que nunca poderemos voltar a viver ou viver pela primeira vez... quando... se um dia... descobrirmos que temos a nossa vida encurtada... e que daqui para a frente... o percurso a percorrer não poderá ser muito longo... pois ficaríamos a meio dele... sem nunca o podermos findar...!

Quando entendermos isso quer queiramos... quer não... passaremos a medir o mundo, cada coisa e cada tempo de uma forma muito mais intensa... muito própria... e a própria vida passa a vibrar e a ritmar como um relógio implicante que teima em aproximar os ponteiros do momento de acordar do sonho ou de abandonar o corpo...!

Nunca abandonem um ideal... nunca deixem de ter esperança... se isso acontecer... o mais belo e sincero que existe dentro de nós... acabará por se extinguir como uma chama em que não existe mais oxigénio para queimar...!

Assim é a vida... quando não há força nem garra... nem encantamento... ou contemplação... nem objectivos... nem um rumo a seguir ou uma força que nos guie... então aí estaremos a caminhar para a morte... façamos o que fizermos... não há remédio.. .quando não há alma... quando não há ânimo como diriam os filósofos... não há vida nem morte... apenas um estado de sonambulismo perpétuo... à espera do fim...!

Até sempre

A vida pode ser perfeita... independentemente de todos os obstáculos... a prova... está em ti...!

Pedro Campos - é bom escrever... sem reflectir muito .. penso que se chama catárse... já não me recordo bem... – mas acabei de escrever uma carta ao silêncio...!


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