Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Nos teus olhos

Nos teus olhos

Esta manhã...

Encontrei-me com os teus olhos

Encontrei-me com a tua alma

Encontrei-me com alguma coisa tua...

Alguma coisa simples... algo de singelo e unívoco.

... Não sei se foi realmente um encontro, ou unicamente uma demorada lembrança... olvidada ou imemorada...

... abstracta e longínqua... que me surgiu na mente... numa brevidade de brisa..!

Que me surgiu na mente... assim... na precipitação de uma nuvem do passado...

Num ciclo de dor e alegria...

Onde uma simbiose meticulada e adocicada de framboesa

Se mostrou e bailou voluptuosamente na profundidade da tua vida...

No expoente do teu sentir...

Esta manhã

Reencontrei-me contigo

Num corredor esquecido

Numa montanha eloquente sem mapa para lá chegar

Onde o percurso não é propriamente o caminho, mas antes o motivo que nos leva a procurar chegar!

A chegar onde? - perguntas tu...

Onde poderia eu chegar? - pergunto eu...

Talvez chegar ao paraíso ou ao inferno...

Talvez atingir o limite ignoto do nosso horizonte

Chegar... talvez... apenas à loucura da vida

... Amando assim, com toda a alma...

... Assim... com tudo isto...

... Assim... em contemplação...!

Na verdade...

Já não escrevo poesias dolorosas

Ou pelo menos julgava que as não escrevia

Mas, pelo que a prova de agora me ensina

Escrevo com dor e com alegria

E não deveria sentir contrangimento, pois ambas fazem parte da vida.

Não há caminho eficaz sem algumas arranhadelas,

Nem sorriso contagiante sem algumas coisas sem sentido,

Não existimos nós, sem a loucura de sonhar e sorrir, loucamente, livremente como pássaros no raiar do dia...

Não somos nós, se não pensarmos e reflectirmos sobre tudo e sobre a perspectiva dolorosa de entender ou tentar entender a nadificação do vazio, ou o preenchimento pleno do excesso...!

Sabes...

Já há tempo que não escrevia...

Já há tempo que as palavras saíam ocas, com a técnica e a mestria de muitos anos de poesia, como saem agora mesmo, mas sem a magia, que nós, poetas do sonho, da vida e da alma, entendemos como o nosso milagre de criação...

a magia como monumento, num momento pleno de inspiração...!

Sabes...

Já há tempo... que não compunha...

Já há tempo que quando tocava as telcas do piano...

Não fazia música... apenas sons ao acaso... na esperança de que o vento ou algo mais, fosse capaz de uní-las e torná-las encanto...!

Já há tempo... que a vida... não a do Pedro que conhecemos, mas a do poeta desconhecio, se havia suspendido no silêncio ruidoso do instante mais eterno... mais longo... mais enlouquecido...

Já há tempo... que a alma... dolorosamente maltratada pela morte de uma amigo, se refugiou no seu mais antigo esconderijo... a meditação... a loucura perpétua de se amar tudo e todos... de se Ser, de me Ser, quem sou... e o que não sou...

Já há tempo... que procurava uns olhos... assim como os teus olhos...

Não sei... que tipo de olhos realmente procurava...

Nem sei mesmo se procurava alguns olhos...

Mas, a verdade é que os encontrei... mesmo que por instantes... encontrei-os... eles foram em parte meus... não os possuí... mas foram meus, porque me entreguei a eles... mas apenas aos olhos...

Esses... olhos...

Encontro-os todas as manhãs...

Todos os dias...

A olhar para mim...

Sim...

Nos teus olhos...

Libertei uma ausência funda de mim mesmo

E entendi, muita da verdade da vida e do tempo...

Muita da mística verdade que nos une, mas nos afasta...

Mas...

Hoje, nos teus olhos...

Vi tristeza e fragilidade...

Talvez tenha visto apenas uma ilusão...

Ou o reflexo dos meus olhos, nos teus olhos...!

O reflexo da minha verdade.

Porém... como quer que tenha sido...

Tenho a dizer-te...

... que tens uns olhos lindos...

... que todos os dias olho... e entendo... e sinto...

.... e que todos os dias me vês...

como sombra... do meu sorriso...

... Até sempre... digo agora aos teus olhos...

Até sempre... algures ao sabor das ondas...

No meio do mar...

Onde as conchas, vieiras do eterno...

Dançam persistentemente ao perfume musical de um incenso sereno, inspirador e terno...

E nós...

Continuaremos a olhar

... nos meus...

... nos... teus olhos...

sem que nada tenha mudado...

na permanência imanente ao nosso espírito... ao nosso corpo...

com o universo...

na sua sintonia cósmica, divina, ou não...

mas... essencialmente... quer tenhamos consciência ou não....

Juntos naquilo que consideramos ser... o amor...

que, como diria o poeta...

é o ânimo e o élan vital que nos sustenta...

a ambrósia que nutre os Deuses...

... os Deuses que vivem...

... na íris dos teus olhos...!

Pedro Campos - algures no tempo...

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