Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Sem título




Olhos vagos
Pingados de dor
Explanam no planalto enfermo de infinito
A saudade do teu sorriso

Tenho medo
Medo do mosaico de arte
Que expressa o meu sentido
Na tela rasgada... na minha noite vadio...
Adormeço e acordo...
Com uma estranha necessidade de me isolar... de novo...

Sou negligente do silêncio
Preciso da armadura incerta do tempo
E durmo mais tranquilo com a tua mão no meu olhar... assim...
Mas vou partir...
Irei partir...
Sou perpétuo no vento
Talvez tudo de mim seja nada em ti
Talvez... se dependesse do céu... eu já não teria sonhos para sonhar
E talvez... os meus dedos... não pudessem mais
Tocar-te...


Amo-te...


Pedro Campos

Foi ontem...



Foi ontem



Foi ontem...
Que uma imensidão de asas esvoçantes
Cruzaram um céu azul de verão
Com penas feitas de papel
Entre as nuvens deslumbrantes de algodão...

Nos olhos tinham o brilho inocente
De quem recebe um primeiro beijo sem esperar
E cem mil bússolas rodopiavam ardentes no interior da alma
Que conduziam a vida em chama para longe dali...

E todos os pingos de aguarela...
De um artista sem nome...
Pingavam abandonados, no chão...
E todos os gestos eram harmoniosos
Eram sombras de luz
Que ecoavam na invariância de um espectro de cor sem cor
Imanente à pigmentação
Da fragrância eterna
Das tuas mãos nas minhas mãos
Da tua verdade na minha emoção...

Todos os silvos eram profetas
Eram gritos de renúncia à herança da dor
E o espelho de fantasia
Emergente da atmosfera do teu sorriso
Reflectia de modo enebriante
A latitude da liberdade
Que nunca encontrei
Aqui...


Pedro Campos

O Lago

O Lago


Cai do lago do tempo
O volume denso e provocante
Da loucura sentida
Entre o tecto da alma
E o latejar da vida

Cai... no infinito do vento
As gotas cadentes de perfume de ti
Unguento e sagrado
Como um celeste momento
Em que começa a fantasia
De um gracejar eloquente
De ser-me presente
Fazendo instante
Semi-nú no pátio dos sentires
Com as portas escancaradas
Para o sempre...

Deleito-me... nesse lago
Deslumbrante em ti
Segundo as leis da harmonia do universo
Disparo-me com sentidos
Os trans-sentidos de quem eu sou
E sou eu em ti
E amo-te simbioticamente
Fascinando-me... em nós...

Deleito-me
Quando o gotejar do silêncio dos teus lábios
Cai... nesse lago...
De beleza ínfima...
Onde te desejo...
Profundamente...
A cada instante...

Amo-te...


Pedro Campos