Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Númen

Estou aqui
Como quase sempre...
Estou aqui...
Desperto no silêncio da noite...
No mistério da noite...!
Escrevendo ao ritmo... da noite...
Ao ritmo do sonho... desta noite...

Estou aqui... simplesmente...!
Como outrora... já estive...!
Acordado... à espera da inspiração...
Observando de que lado sopra o vento...
Tentando adivinhar qual a direcção do teu sorriso...
Inventando o teu olhar... reflectindo no meu...
Enquanto a noite vai-se tornando madrugada...
E tu vais-te tornando... o meu sonho...
Acordado...

Estou sentado aqui...!
Ao meu lado... está o meu companheiro candeeiro...
Estático... e imóvel na sua permanência imutável...
Um candeeiro de luz amarela... subsiste aceso... horas e horas a fio...
Um companheiro permanente nas noites de escrita...
Embebendo o quarto pequeno nessa luminosidade de época...
Criando um ambiente propício à poesia...
Ao amor...
Ao sonho...
À magia...!
Ao encantamento...
A nós...

Às vezes...
Quando preciso de sentir-me... sentido...
Quando preciso de sentir-te... aqui...
Quando sinto tudo para ser poema...
Acendo as velas perfumadas no meu quarto...
Essas que me transformam em quimera... e devaneio...
Essas... que na sua simplicidade de chama ardente...
Libertam as amarras pesadas que por vezes...
Prendem as nossas palavras...
Aquilo que queremos dizer e não queremos...
Aquilo que desejamos de toda a alma... falar... e não falamos...
Aquilo... que expressamos... e não queríamos expressar...
Mas dizemos... para não dizer o contrário...
Que... é na verdade... o que por vezes sentimos vontade de dizer...
E não podemos...
E no entanto... tu... númen...
Perdida na noite...
Ensinas-me os passos certos da magia... que decifra a eternidade dentro do navio navegante da poesia...
Como Deusa eterna... cultivas as notas de músicas do infinito...
Essas que ampliam o nosso sentido... o nosso segredo... a nossa visão abrangente e esclarecedora do universo inteiro...
O estar vivo...
O estar acordado...
O estar feliz...!
Contemplando... a beleza das coisas...!

No silêncio...
Ergo o rosto... e a face para o tecto...
Um tecto branco e vazio...
Indispensável para o poeta criar a sua ilusão...
Depois...
Olho a noite lá fora...
Através de uma janela envidraçada... nublada...
Vejo a noite quieta...
A noite... dormindo...
E viajo...
Viajo no meio da escuridão... empedrada da rua...
De mãos dadas com os pensamentos confusos... e os mais lúcidos...
Com a trocha nas costas...
Parto para o norte...
Em busca de ti...
Em busca de mim...!
Em busca de nós dois...!

Lá fora...
Está tudo a dormir lá fora...
Os pássaros dormem...
A Lua dorme...
As flores dormem...
As estrelas dormem...
Enquanto o vento... os embala a todos... com encanto...
Acalentando tudo... no sossego pacífico de adormecer...!

Mas eu...
Eu... continuo aqui...
Acordado...
Olhando para tudo e para nada...
Pensando em ti...
Escrevendo sobre ti...
E talvez sobre toda esta gente...
Gente de papel...
Com asas de papel...
Com gestos de papel...
E sonhos de lavanda...
Que se agitam na aguarela intérmina da eloquência do meu sentimento...

E assim...
Pela noite dentro...
Tu... ignota... serás o númen da poesia...
Absorta... ínfima... bela... explendorosa... plácida e indefinível... harmoniosa...
Quente... forte... e... em rigor... pura maresia... refrescante da eternidade...!
Tu...
Que não sabes que o que escrevo é para ti
E que mesmo sem saberes...
Percebes.... que nem eu próprio sabia que escrevia para ti...
Porque não estás aqui..!
Nem em lugar nenhum...
Porque é para ti que escrevo...
Esse tu... longínquo e tão perto...
O lúmen que me enche as mãos
Com o perfume da imensidão...
Levando-me a dizer-te...
A ela... a ignota...
O amor que me invade...
Celeste e clemente...
Fraterno e prudente...
Na poesia que nasce
Na noite luminosa
De lúmen... assim...
Inspiradora de mim!

Lúmen... algures dá-me a chave da poesia...!
Lúmen... és tu... e não és tu...
E eu não sei quem é...!

Fecho os olhos...
Já escrevi...
Vou partir...
Parti...

Algures no tempo




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