Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Ave celeste...


Ave celeste
Que deslizas pelo céu
És feita de ondas
De um mar onde não há breu

Ave colorida
Que os meus sonhos te inventaram
Tens penas roliças
Onde rebolam as conchas do oceano

Ave desperta, minha amiga de aventuras
Quando fecho os olhos tu me embalas
Pelo túnel aberto do infinito além do monte

Ave pintura, candeeiro nas noites escuras
És a folha onde os pensamentos flutuam
Quando iço as velas para o futuro
Fecho os olhos ao destino...

Ironia

Deleito-me a pensar
Nas palavras escritas que crescem
Como se nelas existisse uma fonte
Onde o sublime e o impossível amanhecem

Um traço na folha
Uma folha sem traço
É um dilema perpétuo
Saber se o poema é um beijo... ou um abraço..

O trilho por decidir
E o vazio por preencher
Velas no rebordo da vida
E um grito no decano da solidão
Presidindo à assembleia remota
Onde os Deuses discutem as estratégias
Para o extermínio da emoção!

Nas horas silenciosas
Ocultas o medo
As mãos tremem-te e os punhos vacilam
E do outro lado da cortina encontramos o nevoeiro
Que a formalidade do mundo nos contamina...!

Ao longo dos dias
As noites vão mudando as vidas
E os breves longos instantes de eufemismo
São apenas sanguíneas temperanças
Loucuras ténues, devassas, que a madrugada te sussurrou...

Ao fim de um ano...
Acordas sonâmbulo
E o dia não tem mais dia
Que a noite é feita de lume apagado
Censurado pela ventania

É que a noite não é mais noite...
E a vida não é mais vida...
És tu e só tu... dentro de uma lagoa vazia
Onde as algas te cegaram o sorriso...
E te embriagaram de ilusão...

É que...
Quando abrires os olhos entenderás
O que as máquinas do mundo te fizeram
Mercantilizaram-te o coração
Montaram as suas estruturas frias de aço, ferro e pedra
E num mercado ao ar livre, feira popular da escuridão
Os Homens resignaram-se a mentir
Em vez de olhar e ouvir
O ritmo de cada sensação...

E sem saberes...
Adormeceste pensando que sabes tudo
Porque alienado permaneces
Cego, surdo e mudo...

A vida passou... os Homens morreram...
E nem as lágrimas nos registaram a saudade...!

Nada fica depois da partida...
Nem palácios, nem contas ricas.. nem os diamantes à volta do pescoço...
Nem a carne morna... luzidia... onde dançam os diamantes...
Nem anéis... nem os ossos...
Tudo se esvai...
Como poeira num vendaval...
E anda um mundo inteiro subjugado a impérios imensos
Que mais não são do que castelos de areia
Que sucumbirão
Ao subir da maré...!

Por ironia...
O Homem... tão obcecado pelo realismo... pelos factos... e provas...
É presa de si próprio...
Neste horizonte em que realidade é feita de incongruentes falsidades
Salpicada aqui e ali...
Com nano-verdades...

É esse o fado
Adormecer.. antes de despertar...
Deleitamo-nos a pensar...
Nestas palavras escritas que se disseram
Como se nelas existisse uma fonte
Onde o sublime e o impossível aconteceram...

.. para sempre...
nunca...
.. no extenuante excesso...
.. desta ironia...!

Não sei



Não sei que dor é esta
Que me corta a chama
E me dilui o verso...

Não sei que... palavras caem..
Entre os sonhos do meu sorriso
E o amanhã...

Não sei... porquê o sentir cansado!
Algures nas costas da solidão transporto
Um grito ao alcance do impossível...
.
Não sei que sensação me percorre
Se é de pedra fria a febre queimada me feria
Se é de ouro fundido o arame farpado
Que delimita os lugares sem sítio..

Não sei..
Se é de mim que tenho dor
Se é do sonho a saudade...
Se é do fado de ser poeta
Sempre no limiar da lucidez e da loucura
Sempre na fronteira ténue
Entre o doce encanto...
E a profunda melancolia...