Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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O Ângulo Morto do Amor...



O Ângulo Morto do Amor...



Folhas de papel que se dobram
No agitar da esquina
Um mendigo abraça uma árvore
E um veado corre no asfalto
À procura de um relógio suspenso na moldura
Do céu

Um galho de pedra
Com estátuas de pedra
E lágrimas de pedra
Escondem um interior de vida
Um retrato a carvão que nasce na minha mão
E a saudade de quem fui há 1000 anos atrás
Presa na fotografia do que serei
Amanhã...

Às vezes...
Deslumbre em ti...
A orvalhada folha de eternidade...
E o pólen secreto de respirar...
É o momento chave desta vida...

Às vezes...
O amor tem um ângulo morto
Oculto da visão
Como um espelho que esconde
O que está nos dois lados do coração...

E assim...
Por mais que a nota musical vibre
E o tom seja ténue ou forte
O piano deixará sempre entre o sustenido de cada nota
Uma nota inaudível por descobrir

E assim...
Por mais que o verso possa crescer
Será sempre pequeno demais
Para o sentir que nele possa haver

E aí...
Também o vento
Que nos toca
Deixa sempre versos em branco
Por cumprir

Os mesmos que ontem... hoje... ou amanhã...
Farão parte da história
De mais um ângulo morto do amor...
Que acabaste de pressentir...!

E nesse instante...
Também tu...amigo...
Deixarás na fronte do espelho...
O ângulo morto do amor..
Que também existe
Dentro de ti...


Pedro Campos

Carrocel de Incertezas



Carrocel de Incertezas


A cabeça girando em redor da lua
Como um carrocel de incertezas
Que agitadas percorrem todas as dimensões do espaço
Todos os espaços do tempo
Todas as velocidades que um movimento
É passível de conceder...!

E a saudade...
E o gesto...
E o abismo...
E o grito de partida...
Além... tão longe do destino...
E o relâmpago na noite
Entre o fogo alheio do crepúsculo
E a protecção secreta da andorinha
E a madrugada fria
E as paisagens desenhadas com as mãos
Numa tela de verdes pastagens
Com árvores de copas luxuriantes
Entre as nuvens que aos olhos das aves...
São simplesmente uma ilusão...
...
... E... arrepiam-se os pêlos...
Os poros emergem do horizonte dérmico
E o celeste entusiasmo... com que vibra o sangue...
Acelera o metabolismo da alma... ali...
E... os meus dedos desabrocham...
Desabrocham...
Desabrocham...
Na escuridão perpétua
De um velho portão
Escancarado... para o nunca...!

Com uma tristeza quase matemática
Distribuo pelas montanhas do caminho
O Cloreto de Sódio em gotas
Que enchendo o cálice de vinho
Explode estridente...
Ali... despertando todo o vento...
Abraçando todo o sentimento...
Que dizendo se refaz
Do nunca dito em mim
Do que se fez e se quis
No que se deixa e não se diz
Como poema deserto das horas em silêncio
Sucumbindo em ternos e vagos
Instantes
Do indizível que se notou aqui...

E num último relance...
Numa última análise...
Faço versos sem harmonia
Que absorvem harmoniosamente
As nuances incoerentes
De um discurso que junta nas mesmas linhas
Palavras simples e palavras solenes
E... acontece poesia...

.. Acontece poesia...
Acontece alguma coisa... ali...
Alguma coisa... talvez sem nome...
Algo que bate e ritma dentro de uma alma...
E que se agita quando sente no outro olhar que ama...
A reverberância da chama...
Que te chama...
Que me chama...
Quando bebe... da chama...
Do clamor que me agita e entontece e se inflama...
Deste querer, de querer-te mais e mais..
Do que alguma vez o horizonte da lógica possa sequer... entender...
Entre a dor que se sacode como um cão molhado...
À beira do precipício do ontem... junto ao lago...
E os lábios ainda húmidos da mulher do meu sonho... na baía dos desejos...
E soluço...
Soluço...
Sei que há muito mais além da superfície espelhada
Ambígua e embaciada
De tudo
E de nada...

Sei... que há muito mais... além da transcendência molhada
De tudo..
E de nada...
Nessa fragrância delicada.. genuína e emocionada...
Que é este meu amor por ti...
Este meu sentir...
Que rodopia
Do início ao final do dia
Como um carrocel de incertezas
E a cabeça girando em redor da lua
Com a única convicção residente em mim... que é amar-te...
E a única certeza: procurar-te até ao findar do último sopro ardente
Que ainda houver... no derradeiro suspiro...
Dentro de mim...!

Tu... dentro de mim...
És a locomotiva... do meu sonho...!



Pedro Campos - Amo-te...

Assim...

Assim...


Um nó de dedos
Os dedos suspensos
Na margem de um ar
Que sucumbe no despoletar
Do silêncio eterno

Um estalido ao longe
É como uma árvore que cai
No seio de uma floresta perpétua
Entre as noites do tempo
Vociferando a imensidão
E o teu rosto no céu
Procuro por ti em cada instante do meu vento
E adormeço por ti...
Adormeço por ti...
Sonhando-te...
Na demora longa de buscar-te... assim...


Pedro Campos