Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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É talvez o último segundo


Este é talvez o último segundo
De respirar este verso nú
Sem forma, sem cor, sem triunfo
É talvez o último tempo do mundo...

E todos, na multiplicidade de mim...
Manifestam-se em endofasia constante
Batem palmas, assobiam, gritam, rufam
Num ensurdecedor adormecer

Querem entrar...!
Querem sair...!
Querem todos mostrar-se simultaneamente neste fim...
Sobem escadas, descem avenidas...
Com as cortinas rasgadas
Vêem que já não há mais maravilhas! - A esperança terminou.

E no céu agita-se um falcão negro
Negro como o sangue do medo
Frio como a pedra mais cinzenta e dura
Nulo... como o vazio mais perpétuo...!

Daqui a nada serei menos que esse vácuo...!

E amanhã acordarás ignorando
Que ontem foi o dia em que parti.

Dedos no ar...


Dedos no ar
Ponham os dedos no ar!
Quando quiserem pedir ao sol que vos ilumine...
Quando quiserem soltar as ondas do vazio...
Ou escutar a melodia de um olhar...
Façam o favor...
De pôr os dedos no ar...!

Dedilhando versos...
Pedia ao vento que soprasse sobre mim...
E me afastasse o desespero...
Este que o odor a saudade me provoca aqui...

Sou um prédio inteiro
Com varandas abertas para o céu
Tenho caves escondidas
E quartos ocultos
Paredes secretas
Que segredam os medos e os sustos..
E morro quando o bater de uma asa
Sacode o silêncio frio do momento

Dói a cor
Dói o gesto
Sinto falta de nós os dois
E não estou Eu aqui

Onde estou?
Então onde estou?
Alguém me ouve...? Alguém me responde...!?
Ah... já me esquecia de pôr o dedo no ar...
O dedo no ar...
Para Deus me ouvir.. dizer...
Reflectir.. duvidar, perguntar...
Onde está Deus...!?