Aos meus pais, avós e amigos.
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Absorvi o sol

Absorvi o sol (do teu olhar, nas tuas mãos de anjo... do teu sorriso... de tudo em ti...)



Absorvi o sol...
Que me invadia o olhar...
Esses raios de sol... luminosos... eloquentes...
Que perpassaram o vidro duplo que nos separava do mundo lá fora...
Que nos apartavam...
Do mundo... dos outros...
E talvez... também de ninguém...!

E... ali...
Ali... algures...
Por instantes... num ápice...
Recebi.. no prazer subtil da incerteza... os raios de sol no meu olhar...
E...
Absorvi o sol do teu olhar...
Absorvi... o sol ingente... colossal... abismal...
Absorvi... em contemplação... o génio magnificiente do teu ser...
Essa luz no olhar.... reflectida no meu olhar.... quando ao olhar-te... olhando-te... me deliciei prazerosamente embriagado... com o sabor agridoce... da tua alma... do teu olhar...
Com a intensidade... fulgorante...
Com... a exuberância... reconfortante... do teu olhar...
Oh...! Essa exuberância e profusão da tua lua cheia... no meu olhar...
Hum...! A tua doçura... e a tua leveza insustentável de entusiasmo e vigor para com o universo...
Para comigo...
Para com tudo...
E no entanto...
Fiquei sem entender qual o rumo do vento...
Fiquei sem entender...
Sem entender-me...

Fiquei... assim... até que finalmente... entendi...!

... Entendi... que não entender...
Foi naquele momento... a forma mais simples de ter entendido tudo o que se poderia entender...
Sobre o rumo desse vento...

... Entendi... que... sou feliz... apenas admirando-te...
Sou feliz... na locura lúcida que me sustenta aqui...
Amando o instante... e o teu sorriso... e a tua cor... e a tua pele...
Nas tuas mãos... em ti...
O rumo desse vento...
Embalando o mundo... com ternura e devoção...
Nessas tuas mãos lindas...
De anjo...
Essas tuas mãos... só tuas....!... tão tuas...!
Com essas mãos... que em esplendor... e sedução... observo e sinto... e calo... e oiço e morro e vivo... e renasço... e luto... e perco... e desisto... e venço... e corro.... e volto a lutar...
... E aglutino-me em mim... aglutino-me em ti... num nós nunca real... e acordo... e adormeço... e surjo de novo...
... e anoiteço... e amanheço... e destruo-me... e reconstruo-me... e apaixono-me... e penso...
... e reflicto... e cresço... e medito... e aprendo... e imagino... e toco... e aplaudo... e assobio... e canto... e danço...
.... debruço-me na enseada de bruma coberta... e atiro-me no desconhecido... de cabeça para baixo... à espera do mar que me receba com ternura... lá em baixo... lá no fundo do fundo do mundo... ....
... onde haja... talvez uma cidade escondida... ou uma galáxia perdida...
Ali no fundo do mar... no fundo do teu olhar... nas tuas mãos... no teu sorriso.... em ti...
... No rumo desse vento...!


E abraço-te... e penso abraçar-te... mas não abraço...
E percorro as ondas do imensurável... do indomável...
Cogito sobre a vida... filosofo sobre tudo e nada... e fico na mesma... como antes... sem saber qual a descoberta significativa que fiz... ao pensar... reflectindo... filosofando sem fim... em mim... sem mim...! Em tudo.. sobre tudo.. no nada de uma nadificação consciente...!

E... sento-me...
E descanso...
E canso-me...
E abarco-me no meio do oceano...
... E navego... numa caravela quinhentista... sem bússola nem orientação...
... E num instante... num gesto... num momento lacónico...
Quase tomo conta da tua mão... quase... em quase tudo... debruço o meu silêncio... e quase... num quase quase... unimos as nossas mãos... os nossos gestos... e contos... e poemas... e instantes... e sentidos... mas não... não damos as mãos...
Não chegamos a dá-las verdadeiramente..!
Porque...
... no último ensejo... ambos evitamos que a união das mãos...
Se concretize...

Elas...
Tocam-se somente... de relance...
Por um lado...
Assegurando a manutenção do segredo... mantendo a amplitude do mistério e a candura do encanto...
... Impedindo que a magia se dissolva.... transformando-se num pouco mais de realidade...

Mas...
Sabe tão bem... apenas o toque... da pele... das mãos... e os olhos... e o sorriso... e tudo em ti...

... E...
Tudo se repete... ou parece repetir...
A poesia repete as ideias já quase gastas...
Mas.. talvez a renove...!

Porque...
Cada poema... é um novo poema... nunca acontecido... nunca lido... e tudo ganha uma nova dimensão...

... As ideias ganham um novo sabor... de deixam de parecer repetidas...


... E enlouqueço... e fico racional de novo... e sou lúcido... sou perene... na ausência de ser eterno... mas no desejo... de que tu o sejas...
... Eterna... febril... plácida... ardente... sincera... e ao mesmo tempo... omissa...!

... E eloquentemente... sento-me na delícia de sonhar... e como...!

Como.... saboreando... o vinho da eternidade... líquido... flutuante... alegre...! E bebo...!...

... Bebo... a ambrósia dourada... que deriva do céu... o algodão doce.. das nuvens cristalinas...!

...Assumo... num relance de sapateado... a fé que transforma uma ideia em impossível... mas a encara como... antítese... da dualidade possível e impossível...
... Essa mesma fé... que fez o homem acreditar que poderia voar... como as aves pelo céu azul...

... Essa mesma fé... que fez o homem sonhar em explorar o universo....

... A mesma fé... que faz os milagres acontecerem... nem que seja... numa outra realidade...

... Numa dimensão... de um mundo de sonhos...

.. Enquanto dormimos... sossegados... nos carris da imaginação fértil...


... E grito...
... E choro...
... E rio... rio tanto... que as estrelas se enchem de cor e de luz e de fogo...
E todos os cometas se unem no firmamento... a cantar... e a foguear... como se estivessem num festival de apresentação de fogos de artifício...!!!

... E percorro...

... Percorro...

A estrada intérmina da ilusão... e da realidade... e da irrealidade... e aceito...

Aceito... o absurdo incompreensível da impossibilidade de sentir o que sinto... no fascínio deslumbrante da tua essência...
Perante... a tua deslumbrância... esperança... de um sem fim de dimensões da beleza e do fascínio... a que me rendo... a pouco e pouco...

A que me rendo... como um historiador... se rende... a uma relíquia... a um tesouro..
Como um artista...
Se rende e se inunda e impregna de inspiração... na descontrução da realidade... construindo o sonhado... o fumado... no esboço... carvonejado... das coisas... no seu estado natural.. pleno... efusivo... eloquente no beijo...

Sim...
Perante... essa preciosidade...
À qual... sei... impossível chegar.... mas ...
Esse é o sentido único do meu espírito...
Ela.......

Ela...
É o sentido... único que as palavras poderão encontrar...
E o sentido único ... em que contando segundos... instantes escassos...
Caímos mil vezes... seguidas de abraços...
E a dança é divina... ela vive no ar...!!
Ela voa sem asas... e não quer aterrar...
... Ali... na pista errante... de um equilíbrio nómada... que muda de lugar...
... no mapa das delícias eternas...
... no itinerário da felicidade...
.... assim...
Na linha indistinta que separa o céu... da terra...
E ambos... do mar....

... E volto.. a despertar...
E volto a tentar andar...correndo... sem correr... e na ambiguidade da poesia....

Arrisco o salto....
Digo... o que não posso dizer....
Na poesia que fala por mim... por nós... e por ninguém... a falar
E retraio... o salto do salto... no horizonte... despidas as horas... e perdido o espaço...
Retraio o salto que sei...
Não poder saltar...!


E assim...
Não entendendo...
Entendo que é essa a forma mais simples de entender o possível e impossível que poderia ser entendido...
Sobre o rumo desse vento...
E sobre essas mãos de anjo...
Que em ti... e por serem tuas...
São tudo... para mim....
Para sempre...

Assim...
Entendo tudo...
E não entendo nada...
Digo tudo...
E não digo nada...
Enquanto...
Olhando esse sol no teu olhar...
Absorvia a chama...
Absorvia o fogo bravo que a noite e o dia desejavam ter em si...
Viajando..
Embarcando numa viagem sem destino... à procura do ignoto...
À procura também de mim...

Nesse teu olhar...
Castanho... brilhante... infinito...
Tão perfeito quanto a mais sumptuosa paisagem de veludo...
Na suavidade do paraíso...!
Tão unívoco quanto o bailado mais belo... mais harmonioso... mais sentido...
Tão extraordinário quanto... a mais fabulosa composição musical...
Esse teu olhar...
O espelho... do meu olhar... nesse teu olhar...
Quando... sem entender o rumo da história...
Entendi que amar-te assim... é decifrar o entendimento que flui em ti...
Esse entendimento que se constrói na força de um sonho...
Na partilha das almas...
No espaço mútuo da existência...
No rir...
No sonhar...
No crescer...
No falar...
No amar...
No querer...
No encantar...
No rumo desse vento...

Desse vento...
Que embalando o mundo...
Nas tuas mãos... de deusa...
De anjo...
Nas tuas mãos... eternas...
Quentes... suaves...
Donas de gestos únicos...
Irrepetíveis...

Assim...
Na linha indistinta entre o céu, a terra e o mar...
Que nos separa... não separando...

Assim...
O teu olhar... as tuas mãos... o teu sorriso... tudo...
A verdade excelsa que há em ti...!
Quando absorvo o sol...
Que és...
Tu..

Pedro Campos – algures no tempo...

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