Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Palpitação...


Palpitação


Palpitação
Algo estremece na noite
É certamente um sonho vão
Mas talvez um pesadelo arriscado
Em que o medo de te perder
Vem em bolina à superfície do oceano

E agita-se a maresia nocturna
Caiem as gotas de chuva no colchão
E a velha almofada afasta-se da estrada
Num movimento de ascensão

É terrível visualizar o invisível
Testemunhar realidades paralelas
É destruidor, acordar-me em lágrimas
Com o medo de que amanhã
Não me procures mais
Na morada sem código postal
Que é o meu pensamento livre..
O meu pensamento....
Sempre

Sempre...
À espera de ti
A minha alma sem sítio
O meu sonho sem muros
O meu amor sem distâncias...
Que és tu...
O meu doce amor...
Com cheiro de eternidade...!


Pedro Campos

Quem sou eu?


Quem sou eu?

(...)
Pergunta inconclusiva
Essa que nos questiona sobre quem somos
A dúvida existencial sentida
Que confronta o estranho que nos habita
Aquela personagem mítica que nos é
Com a face conhecida daquele que somos
Como se fossem habitantes de um mesmo prédio antigo
De uma mesma rua de calçada
Olvidados na penumbra da solidão
Em instantes arrependidos

Aí... nesse monumento longínquo
Lembras, esquecendo...
Tudo o que ficou para trás...
Levado pelo tempo deserteficado
Esse que revolve tudo o que existe e não existe
Entre a terra e o céu
Dentro das ondas do mar ou do vento do mundo
E que me permite... assim...
Responder à tal pergunta inconclusiva...
Quem sou eu?
(...)

Este Sou Eu...
Sou ninguém... e sou toda a gente
Um murmúrio de fado
Um pedaço de vinho
Uma forma de vento
Um ritual de alquimia
Uma sombra com luz
Um rasgo de sonho
Na eternidade das coisas finitas
Que se prolongam pela força da vontade
Para o transcendente de eternidade
Que há em nós...
Que há na voz...
Daquilo que somos
Sendo... Eu... inconclusivo
Perguntando...
Quem sou eu?... mais uma vez...
E em nítido nulo te respondo...
Não sei quem sou...
Talvez... tudo...
Talvez nada...!
(...)



Pedro Campos

Colina desgastada...




Colina desgastada...



Eu penso-me aqui
Dedilhando palavras sem sentido
Reanalizo o grito
Do fim de mim em mim

Talvez não me sobre mais tempo
Talvez o tempo não seja mais meu
Esse que um dia corria livre pelo prado da imaginação
Esse que um dia...
Era o meu tempo.. sem nada mais a dizer

Hoje... preparo-me para viajar
Não sei para onde vou
Nem onde vou ficar
Mas o meu tempo acabou
De hoje em diante
Não sou mais eu
O pensamento do que sou

Sou somente uma colina esculpida

O resto de mim que ficou.



Pedro Campos

O teu olhar ali...

O teu olhar ali...


O teu olhar ali
No nosso tempo sem tempo
É fascinante
É mágico...
É tocante...

Não sei o que dizer
Quando estou sem ti
É como se cada coisa fosse menos bela
E o meu sorriso demorasse mais
Para se sentir

Fazes-me profundamente feliz
E os teus beijos
Os teus gestos
O amor que fazemos
O teu carinho...
A cumplicidade de nos conhecermos
Faz-me... sentir vivo...
Faz-me sentir bem...

És o expoente máximo dos meus sonhos
E a loucura talvez lúcida
De que a vida é breve demais
Para não estarmos juntos...
Para não aproveitarmos
O mais breve dos instantes
Dos nossos tempos...
Em nós...
Amo-te...
Amo-te...
Pedro Campos