Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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O fim do caminho


O fim do caminho


Sinto-me perto do fim
Sinto-me longe de mim

Sinto o vento feroz seduzir-me a face
A pele arrepia-se até à medula
E o tempo rarefaz a minha dor...

É como se num momento
Deixasse de ser um velho fardo de palha cansado e seco
E passasse a possuir a leveza de não estar mais aqui

É como... se nesse instante
Absorvesse toda a lucidez do universo
E descortinasse que o meu caminho
Está a chegar ao fim...

Sim...
Ali.. está...
O fim do caminho...
Aquele em que me deito e sinto-me sozinho
Aquele em que vejo as mãos enrugarem-se com a humidade extrema das lágrimas que verto.. que verti...
E chego... sempre... por mais voltas que dê...
Ao fim do caminho...

Sei... que não me é permitido modificar o fado
Sei... que não posso utilizar a alquimia para o fazer...
E assim... sem poder alterar a minha rota
Sem ser capaz de modificar o meu destino...
Acabo... ali...
Findo ... ali... a minha história...
Ali...
Junto do fim do caminho...

O fim do caminho...

Pedro Campos

Alucinação


Alucinação...


Percorro a estrada à velocidade da luz
O tempo parece remover-se do silêncio
E o silêncio assemelha-se a uma onda de infinito
Que absorve o impacto do som do vento
Ali... na infinitesimal estruturação sublimada do sentimento
O extase.... de uma alucinação...

As imagens que os meus olhos vêem
Tornam-se turvas... dissipadas... envolventes... distorcidas
O corpo arrepia-se... e um calor fulgorante percorre cada gota do meu sangue fervilhante
Causando... dor... calor... e um frio inesperado... que queimando gelidamente
Me faz suar desesperadamente...
Por todos os poros
Em cascatas de mim

O sangue transparente da minha alma
Que se diluí no fim...
Enfeita de emoção o clímax da ilusão
Que acontece... diluindo na boca o sabor
Que a vida... me provoca num apogeu psicadélico extasiante e efusiante
Ao ritmo do intrépido movimento ocular
Dos sonhos que eloquentes despertam lágrimas no olhar
E mordem...
Os lábios...
Os lábios teus...
Em mim...
Alucinação...
Mais profunda que alguma vez
Me foi possível imaginar...

Alucinação...
Alucinantemente em ti...


Pedro Campos

Despeço-me



Despeço-me


Despeço-me de tudo
Ao vento largo as folhas escritas com poemas
E vejo, o vento levá-las para lugares longínquos
Assisto ali, à viagem de mim... por locais translineados em versos
E frases complexas...
Que sucumbiram à inversão do tempo
Ali... naquele redemoinho de vento
Em que se sustenta o acreditar
Do Poeta que acorda para o seu fim...

Num último gesto
Buscando uma última memória de sonho
Emociono-me com a emoção que as lágrimas geram no seu íntimo energético...
E desperto-me moribundo...
Acordo-me dormindo
No verso de um poema esquisito

Ali...
Nas folhas do Outono que viajam... como eu...
Sem destino...
E cada vez mais...
Sem origem...

Se sou Poeta?
Sou...
Se sou amante?
Sou...
Se morri?
Não...
Ainda estou aqui...


Pedro Campos

Sou teu


Sou teu...

Sou teu
Olhar e poema
A bruma na chama
O vento na sombra

Sou teu
Restéa de fulgor
Na noite de calor
Em que somos unos
No riso
No gesto
Em nós
Em tudo

Sou nosso
Barco navegante
Proa sem remo
Remo sem marinheiro
Sou livre na expressão
E prisioneiro na imensidão

Sou vento
Que te acaricia ternamente o rosto
E que te sente, entusiasmantemente
A ti... amor fascinante...

Sou teu...
Amando-te
Eternamente...


Pedro Campos