Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Vale do nada



Sigo,
Uma rota de labareda
Um colibri de todas as cores
Pousa à minha frente, na janela
Eu olho para ele...
Ele olha para mim...
Tantas coisas dizemos naquele segundo de cumplicidade perfeita..
E reinventamos o amor..
Desenhado de fantasia...
Reinventámos a medida com que se contam os segundos
Recriámos a fórmula etérea da energia
Destituídos e nús... já sem tempo...
Fomos vento e sol...
Naquele momento..

Como pode um segundo ser tão vasto...? Ser tão... intenso...?
Como... pode um verso ser tão.... ser tão distante...?
E a pergunta ser tão.... ser tão pergunta...!?
E.. quando fecho os olhos...
No escuro das pálpebras...
Quebro os cadeados que mantêm... as almas fechadas... e os olhos fechados... e os sonhos encarcerados... na cegueira de não ser-se nada...
Serei o único a pensar sobre a forma de me questionar no mundo...?
Serei tão inútil assim... que pensar... é a última coisa que me resta fazer...?
Mas... encantam-me... os voos explêndidos dos vizinhos pássaros
O brotar colorido... dos botões das flores, das suas pétalas.. iluminando...
Iluminando... o verde clorófilo das ramagens das plantas... e a relva... e as árvores...
E um fundo azul celeste... por detrás...
E em baixo... lá em baixo...
Num vale glaciar...
Corre um rio de águas transparentes..
Lá... não há mentira...
Lá... não há tristeza... nem reflexão profunda... nem pensamentos... nem memórias...
Nem lucidez.... nem loucura...!

Lá... só há essa simplicidade bela...
De não haver nada...
De só haver... nada
E esse nada... desabrocha... e viaja...
Pelo nó inverso e imenso... dos teus dedos
Provando a corrente que passa....

Nesse vale... do nada...

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