Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Por entre a Chuva .. a Incerteza...


Por entre a chuva... a incerteza...

De chapéu de chuva aberto
E um céu cinzento no alto
Os pássaros parados nas árvores
No ar... só os murmúrios do vento...
No ar... só um pouco de nada...
Um pouco ... de tudo...!

Ali..
No meio do labirinto
O que passou me habitava
E o que ficou no amanhã que será... talvez um ontem...
O presente que viajava...

E o moinho que ia criando a incerteza

Criaturas suspensas nas hélices, nas pás em rotação...
E um trevo feito de musgo..
Numa parede feita de tempo...
Numa montanha feita de fogo...
Era a pedra angular do existir... atirada ao vento...
E o teu pensamento pensava-se, pesava-se dentro de mim
O teu mundo em esfera... azul...
Rodopiava num instante sem fim
E os gestos
Leves, esvoaçantes... verticais...
Ocultavam-se...
No horizonte que... umbralmente... ia escurecendo...

E eu...
O Eu... era um hoje que permanecerá... nesta carne...
E a incerteza... era um agora...
Que restará... depois do sofrimento....

E a música...
Colhida, temperada, encostada à enseada dos momentos
Deslumbrava no olhar dos sonhos
Os pardais de mil cores que dançavam agitando as asas
Em cima de um ramo verde...
Com uma varanda de onde se via...
Não o fora... mas o dentro das coisas...!

E..

Lá ao fundo,
No campo aberto até onde a vista alcança
Olhava as encostas recortando os limites
Definindo fronteiras de céu e terra
Fugindo para o imenso... para o incerto...

E..
A minha vontade era...
Era... definitivamente... com toda a certeza...
Que não houvesse incerteza...
No espaço de silêncios entre a canção das tuas palavras
E o acorde pungente da memória...
E que bastasse um instante... um abraço... bastasse um peito confiante
E bastasse... um pequeno grande passo...
Um pequeno... grande salto... de coragem...
E seria a incerteza... com toda a certeza...
Dispersa... pelos grãos de areia do mundo...
E o seu efeito.... diminuído... destruído...
E o seu sabor... insabor...
E todo o ali...
E todo o lugar...
E todo o agora...
Seria paisagem ao luar
Um braço unido de terra a entrar no mar
Uma onda esverdeada de algas e medusas violeta...
E os dedos tocando de mansinho...
O mais profundo... e terno infinito do teu peito...
E ali... denso... etérico... planante... fundo... flamejante...
Com os cabelos sob o efeito luminoso do firmamento...
Entenderias nas formas das constelações...
Projectos, planos estratégicos... intuições...
De um universo inteiro conjugando esforços e emoções
Pelos sonhos...pelas verdades... por nós dois...
O âmago das coisas fosse outro, talvez um dia...
E esses gestos, então permitidos pelo mundo
E esses tempos... mais definidos.. no presente do que no futuro...
E essa tinta... essa película...
De incertezas e incensos...
Seria de outra cor...
De outro cheiro...
De outra vontade...
Se essa tinta de incerteza...
Desaparecesse... desse céu cinzento...
Ali no meio da tarde...
As nuvens voando
Os pássaros saudando a liberdade
E um salgueiro ermita na caverna da saudade...
E... os vidros do carro... bacilento... dormindo...
Salpicados de gotas de coisa alguma...
Que desse espectro ali... caía... nas planíceis do desespero...
No meio de uma tempestade vã..
Que uma vez mais, sem saber porquê
Teimava em falar a linguagem louca da incerteza
E estava chover aqui...

Estava a ouvir-se aqui...
O calado inaudível do poente...

Essa...já.. hábil mistura de cores...
Partitura humana...
Poema impossível...
De um crepúsculo a acontecer
E no invernoso estar...
Eu partia...
Com meu guarda chuva.. e o amor todo dentro de mim...
Por entre a chuva...
Partia... para um outro lugar....

Um lugar
De outros lugares...

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