Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Sou um pássaro



Sabes,
Sou um pássaro...!

Só hoje descobri
Por entre as arcadas do monumento alado em tua honra
Quando esticava os braços que eram asas à sombra
Olhei de relance para um espelho fixo
No outro lado da rua
E vi um corpo de pássaro...
Uma memória de pássaro...
Um levitar... de pássaro
Que não se escondia... nem calava...
Vi uma alma de pássaro...
Que não fugia nem se camuflava..
No denso arvoredo que ainda haveria de existir
Junto ao lago sagrado do artista genuíno...
Que compõe melodias feitas de si próprio
E se transforma... em breves instantes...
Em instantes de si mesmo...
Nos pedaços da obra que inventa...
Da escultura que molda...
Do poema que escreve
É ele a sua métrica... a sua regra... a sua forma... o seu sentido...
De sonhador...
De apaixonado...
De amante...
- E crepita... luz...!
Crepita...! Cintila firmamento suave...! Eu espero por ti... pela tua voz...!
Espero... pelo teu sabor sumptuoso... febril... quente...
Pelo teu silvo ardente...
Essa melodia divinamente harmoniosa
Que estipula... todos os limites do céu...
Aqui...
Ali...
No infinito...
Por dentro do vácuo ermo e sorridente
Desse lampejo de liberdade... que é voar...
Assim...
Com as asas... abanando...
Porque... sabes...?

Sabes... meu bom amigo...??
Hoje descobri...
Sou um pássaro...!

Sabes,
Sou um pássaro..!

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