Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Uma Noite...


Uma noite...


Não sei o teu nome...
Tu... Não sabes o meu
E ali... na ignorância de não nos sabermos...
Na insegurança de um instante não pensado...
Aproximamo-nos... abraçamo-nos...
E tentamos reduzir as nossas verdades próprias...
A um prazer momentâneo... efémero...
Irreal...

Ali...
Na noite... escondida...
Trocamos os beijos que a vida nos deu...
Trocamos o sabor de cada um de nós...
Trocamos o medo...
Trocamos o tempo...
Trocamos as nossas almas...
Na esperança de que possam ficar inteiras...
Novamente...
Inteiras...
Mas... não sei...

Não sei...
Ambos estamos ali...
Encaixados na inexistência do sentir...
Somos dois corpos dispersos...
Dois corpos sem o calor do amor...
Dois corpos perdidos... numa noite já em si perdida...
Que se encontraram... carentes...
Frágeis...
Nesse instante nocturno...!

Cada um de nós...
Procura encontrar o seu caminho....
Eu tento esquecer quem amo...
Esquecer quem nunca esquecerei...
Tu... tens a dor...
E a magia...
De sermos os dois...
Somente um momento...
Que nunca aconteceu..
Nunca... dentro de nós...
Apenas na nossa periferia...

Não.. sei..
Não sei o que vês...
Nem sei o que sentes...
Mas no não saber... sei-te.. do instante...
Sei que não seremos mais do que esta noite...
Mais do que uma noite...
Mais do que a sexualidade extenuante de alguns momentos...
Mais do que o orgasmo do corpo... que mente à alma... sobre a felicidade...
Que me mente...
Que te mente...
Que... durante o seu espaço de tempo...
Parece iludir os olhos da alma...
Sobre quem amamos...
Sobre quem amo...
Sobre ti... tentando eclipsar-te... com outra pessoa...

E depois... da noite...
Depois do êxtase corporal...
Depois da angústia de estar ali... sem ti... mas com outra pessoa...
Depois de tudo... a verdade volta a surgir...
Volto a ver o que sempre vi... e nunca consegui esconder...
Que te amo...
Que és a única pessoa que amo... e que não consigo evitar amar-te...
Que... és... a minha força...
E és o meu sorriso...
E és... o que escrevo...
E tudo o que sinto... e corro... e percorro...
E és...
Do instante de sempre...
És a esperança...
És o nunca acontecido..
O nunca acontecido...

És tu...
Que está dentro do meu coração...
E que ocupa o lugar mais importante dentro de mim...
Que me ocupa... que me preenche...
És tu... e só tu... númen...
E por mais pessoas que conheça... e que tente amar...
Só te amo a ti... a ti... a ti...
E apetece-me dizer-te...
Apetece-me falar-te...
Gritá-lo bem alto... e parar de omitir isso...
Demonstrar quem sou...
Simplesmente falar-te... por completo...
Sem nada a esconder...
Sem nada a negar...

Mas...
Sei-te... distante... cada vez mais distante... de mim...
Como uma bruma que se afasta paulatinamente...
Por entre a estrada vazia...
Como um sorriso que se vê ao longe... dizendo adeus...

E... ainda assim...
Ainda assim...
Não me abandono à força da maré...
Nunca poderia me abandonar assim...
Sem acreditar... em ti...
Porque o que sinto...
Mostra-me o caminho a seguir...
E esse caminho não se estrutura por outras coisas que não a alma...
E o amor...
E o sonho..
E a magia...
E tudo aquilo que tu sabes...

Mas...
Há algo no firmamento...
Que me faz continuar a andar...
Esse ponto... luminoso és tu...
Lua...
Tu...
Singela rainha das ondas...
Tu ... númen...
Tu... que sabes quem és...
Tu... que sei quem és...
Mesmo que tente...
Numa noite...
Olvidar esse facto perene...

Sim...
Numa noite...
Trocar a eternidade... de te amar...
Pelo prazer fugaz... e frustrante...
De tentar te esquecer...

... como se isso fosse possível...
Amo-te... e talvez te venha a dizer...
Um dia...
Ou talvez... não...

Talvez...
Um dia...
Ou uma noite.




Pedro Campos - algures...

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