Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Um grito...

Um grito...


Um grito
Lancei um grito no corredor do tempo
Bradei a minha dor, a revolta, o medo
Deixei ouvir-se em todos os pontos cardeais
A minha raiva de estar aqui
Neste mundo que me quer obrigar
A não ser feliz...

Um salto
Lancei-me no monte, o precípicio, o abismo
Deambulei a dor da queda na substância de estar vivo
E corri ao teu encontro, mesmo com medo e ferido
Corri ao teu encontro
Querendo ser feliz...

Um sonho
Lancei as minhas mãos na direcção das tuas
Por entre as curvas da maresia
Despi os búzios do areal
E cumprimentei as algas luzidias
Abracei o vento
E sorri para ti...
Com este teu sorriso... que te lanço sempre...
Apaixonado... amante... fascinado em mim...

Um todo
Deixei lançado na correnteza da maré
Um todo de tudo e de nada
Uma amostra encriptada das nossas lágrimas
E um poema desbotado na saliva sagrada do nosso beijo
Ósculado na ternura do sentimento...
E amei-te...

Amei-te...
Para além de tudo o existente e inexistente
Amei-te...
Para além das posses que o amor consagra
Amei-te...
Pobre... mas rico de nós...
Amei-te...
Ferido... mas de fé inabalável em ti...
Amei-te...
Amo-te...
Transcendentalmente... a qualquer dimensão do mundo e da vida...
Amo-te... transdimensionalmente... para a direcção total...
A caminho do sublime...
Amo-te... no infinito celeste que és tu...
Para mim...
Meu amor...
E grito...
Por nós...
Por ti...
Por mim...
Grito...

Amo-te... profundamente...


Pedro Campos

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