Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Talvez...


Talvez...


Tremem-me as mãos
As pálpebras estão cerradas
Ao longe o nevoeiro adensa-se
E eu fico com frio...

Com frio...
Perco-me na pedra gelada
Em que estátuas de ontens
Se fixam alucinadas
Entre a neblina que fica...
E tudo aquilo que nunca vi...!

Treme-me a face...
Os olhos choram... choram... choram...
Os olhos caiem-me da face...
A face perde-se nos olhos...
E eu sou personagens que nunca me foram...!
Personagens que nunca são...

Dissipa-se a pele...
Num terno toque, a volúpia... o desejo... a ternura...
Dissipa-se... o gesto...
Os brilhos demoram
Sou exausto no momento
E nesse intento de louco prégado na praça alada
Acabo-me no fim
De um princípio não iniciado
Nunca terminado... indeterminado
No dentro do dentro de mim...!

E ali...
Ali...
Ali... a rebeldia inocente deste meu olhar
A vontade quente de te amar
A sinceridade plana e recta de te querer
Toda a força de toda a luta
Que esta luta pode ter
Emana saudades de ti
Saudades de nós...
Saudades de te abraçar...

E fecho a porta
A música aglutina-se
Deixei presa nas cordas da viola
Toda a inspiração que tinha

Fecho a porta
Os olhos já não têm mais água
Todos os rios da alma se exalam na sala do medo
Todas as lagoas do tempo
Secaram sem ti
Tudo muda... quando não damos a mão ao céu
Tentando acompanhar as ondas de vento
Para o Norte do existir...
No instante certo....

E essas lágrimas
Essas minhas, nossas, tuas... minhas lágrimas...
Minhas lágrimas rolam pelo precipício
Ondulante do meu corpo
Abrindo-se à frente
Num abismo anguloso
Ruidoso absinto
O sopro, o grito...
Na incoerência do amor e das almas humanas
Mais límpidas
Mais doces
Aqui
Ali...

Talvez eu não saiba nada
Do tudo, de tudo que julguei saber
Talvez a tua ausência de palavra
Seja o silêncio mais vocifrante
Que a minha alma alguma vez ouviu dizer

Talvez... eu não mereça o céu
Dessa luz que transpiras...
Talvez... tu não queiras dar-me a chave
Do profundo do teu mundo... da tua vida...

Talvez...
Talvez...
Talvez eu chore... por te amar...
E não seres tu a dizer
O que acontece aí...
Dentro do cristalino cintilante do teu olhar...

Talvez...
Talvez... a porta ausente...
Entre-aberta para sempre...
No corredor longínquo da vida...
Talvez...
Decerto tu sabes...
Mas digo-te... agora mais uma vez...
- Amo-te...
Na transcendência da imensidade...

- Amo-te...
E tremem-me as mãos...
Ao escrevê-lo...
Às vezes também tu pareces ter medo...
De dizê-lo...
- Amo-te...


Amo-te...

«Sabes, pode até haver um destino traçado, mas se ficarmos ambos sentados no sofá a olhar para a parede branca e nua... o que quer que pudesse acontecer... fica parado....! A vida pode não depender só da nossa vontade, mas os nossos actos dependem só de nós, as nossas decisões, e em última análise, aquilo que cada um de nós é, depende das escolhas que fazemos... dos caminhos que seguimos... de tudo isso...

Eu amo-te...
Eu já escolhi o meu caminho...
E tu?»


Pedro Campos

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