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O Jogo dos Sentidos


O Jogo dos Sentidos


Existe na prateleira mais alta
Do Museu das nossas velharias
Uma caixa secreta
Que se abre no mistério de si própria...

Uma caixa...
Onde se omitem gestos
Num jogo de silêncios repletos
Em que as mãos se dão sem pensar
E os olhos se movem nas órbitas de mil olhares
A uma distância incontável da loucura e do incerto...
Ali... nos limiares incontáveis da sensibilidade...!

Existe nesse esconderijo
Um jogo surpreendente e emotivo
Que não tem regras fixas
Nem estratégias definidas
Porque é um jogo que põe em jogo os próprios sentidos
Um jogo solitário e colectivo
Que depende apenas das danças que perpetuam
Na acção de cada jogador ou participante
As intenções escondidas na mente de quem age, pensa e sente...
Ali... nas dimensões imensuráveis do agir..!

Não sei, se por mero acaso...
Nesse contínuo de descontinuidade que nos une e separa constantemente
Terás já dissertado sobre a essência fulcral que preenche de volume
A tua esfera de pensamento
A tua esfera infinita de loucura e lucidez...
Essa mobilidade que permite aos teus sentidos decifraren o mundo
E absorverem de forma sublime... a vida que se faz... a vida que acontece... aqui...
Quando esse jogo de sentidos comuns...
Nos desperta os sentidos de forma verdadeiramente sentida... sensível... ardente... até etérea...
Fascinando-nos...
Com a amplitude até aí desconhecida do sentir...
Quando nos encontramos nas calhas que nos levam a descobrir o extenuante sentido dos nossos sentidos...!

Não sei, se por determinismo vão... ou destino aparente...
Consistentemente visitaste alguma vez sequer, esse jogo inconcreto de desejos e pulsões..
Esse vento de caminhos e vontades...
Paixões e intensidades...
Que deslumbram os olhos do corpo... com a visão dos paraísos da alma...
Essa metáfora de gestos, de sentires, de sensações...
Essa gotícula de omissões, olvidadas na lembrança de um esquecimento que subsiste
À mercê das vontades secretas da alma
Na profunda e mais secreta câmara de verdades inelutáveis... mas mutáveis...
Que se acomoda na caixa de pandora...
De cada um de nós...!
Dentro do dentro de cada um de nós...!

Essa caixa... sagrada...
Que se encontra colocada...
Na mais alta prateleira das ilusões...
Nesse Museu sem tempo, das nossas velharias...
Onde se decompõem as cores febris da inocência...
E se misturam numa simbiose mística...
Os sabores variados e sumptuosos da liberdade...
Nesse sorriso agridoce... solene e inigualável...
Que não tem previsão... de acontecer...
Acontecendo apenas... com a naturalidade das estrelas...!

Acontece apenas... assim... sucedendo... sucedendo-se...
Esse jogo de contemplar... o mundo...
Em que se omitem gestos
E tantos gestos nos fazem falar
Sem dizer porém, nada do que somente mais gestos poderão afirmar
Gesticulando tudo e nada numa forma de ser-se
Porque esses gestos que os gestos podem mostrar
São como as ondas revoltas que sem olhos mágicos
Nos conseguem fazer sonhar... chorar.. sorrir... crescer... renascer...
Porque as histórias que os teus gestos me podem contar
São tão audíveis na energia do teu sorriso...
Como a mais perfeita melodia de um poemar sonoro... que nos encanta docemente...
Em que são ditos em tom elevado
As mais belas palavras que o dicionário dos sentires...
Poderá alguma vez conhecer...!

E assim...
Essa caixa secreta
Que se mostra sem mostrar
Num jogo de silêncios repletos
Em que as mãos se dão sem pensar
E os olhos se movem nas órbitas de mil olhares
A uma distância incontável da loucura e do incerto...
É de novo fechada...

É chegada a hora de findar mais uma partida
De um Jogo dos Sentidos estimulante
Em que os jogadores perdidos adormecem cansados
Ali... no semblante da eternidade...!

Da eternidade...
Porque o Jogo dos Sentidos...
Pode levar-nos à mais profunda raíz do infinito...
À Alquimia suprema...
À Alta Magia...
À apoteose de estar vivo...
Que acontece quando nos damos ao mundo...
E nos deixamos levar... no sentido... de sentir tudo e nada... livremente... sem censura...
Ali... nesse jogo dos sentidos...
Que só é genuíno...
Quando é sentido...
Que só é transcendente...
Quando nos apaixonamos...
E que para mim... só faz sentido...
Quando o sentido encantado dos meus sentidos
Contempla esse quadro sublime e fascinante de autor desconhecido...
Insustentável imensidão que sustenta a minha poesia e o meu élan... a minha inspiração...
Que és tu...
Tu... loucura lúcida do meu sentir...
Razão eloquente do meu pensar...
Tu...
Em mais um Jogo de Sentidos...!



Pedro Campos - algures no tempo e espaço...

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