Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Dança de nós...



Dança de nós...



Levitas sobre o chão
Com os dedos dos pés esticados
Percorres descalça a sala na escuridão
E esvoaças ali à nossa procura
Com os olhos transpirados...

No vento tens o elevar-te no céu...
Na noite tens o mistério que é só teu..
No dia tens o sol e os pássaros e todas as montanhas da terra para olhares
No sono tens o sonho de uma dança sem fim
De constelações intérminas...
Em que crepitas como o sol mais radiante...
De todos os sóis possíveis de imaginares...
E tens-me a mim...
Sempre desejante de ti...
Em todos os momentos...
De todos os lugares...

E com o teu sorriso quente
De forma alada e sorridente
Dás-me a mão e encostas o teu rosto lindo
No meu semblante
E embarcamos juntos numa dança viajante...
Quais caravelas de infinito
Navegando ao sabor da eternidade...

E...
Sinto o teu calor...
E...
Sinto a tua pele macia
Sinto.. o teu gesto subtil, ardente...
Que conta tudo sem nada dizer
E eu... sou feliz ali...
Naquela dança unida...
Com passos compartilhados...
Numa alegria de encanto e fascinante luz...
Brilha expoente... na tua voz..
Também o verso poente...
Do teu sol de cor...
Nesta dança de nós...

E sei... que te amo...
Amo-te na transcendência de todo o valor que amar-te pode ter...
E envolto na tua ternura...
Embriagado pela nossa ternura...
Visito passadas de pés... em ritmos de pêndulo...
E o ritmo da música...
Tão nossa, só nossa...
Marca as pausas nas frases não verbais que dizemos...
O infinito alcançado...
Sem soletrar uma palavra...
O beijo iluminado...
De dançarmos até à alvorada...
O amor que fazemos...
As histórias que contamos...
E em cada instante...
É essa a dança encantada...
Em que pernoitamos...
Os braços suspensos... para o amanhã...
No parapeito dos nossos olhos...
Olhando o que somos...
No que temos...
A magia celestial...
De corrermos enfrentando tudo...
Como um rio que sem limites
Alcança a foz...
E serena a alma ali...
Como eu e tu...
Nesta dança de nós...

E levitas sobre o chão
Molhada do nosso amor
Cheiramos ao conteúdo de nós próprios
E nesse instante....
Também nesse instante...
Percorremos juntos...
Descalços, com os dedos dos pés esticados...
A sala na escuridão...
E esvoaçámos ali... em todo o lugar... à nossa procura....
Com os olhos transpirados...
Alcançámos...
A dança da nossa imaginação...
Esta dança...
Canção sem voz...
Esta dança...
Tua e minha...
Esta dança de nós...!

De nós...


Pedro Campos.. - Amo-te...!

Amor...


Amor...



Acordar e despertar para a vida
Ser consciente da lucidez cálida
Com que viver faz viver
Com que amar-te me faz vivo...

Viver-te faz-me compreender a vida
No explanar inquieto do seu próprio acto
Na emoção da sua própria emoção
E tu...
És o ventre em que o embrião
Da lucidez feliz da criação...
Acaba por suceder...

Amor... és tu a ilusão... e o real...
O meu amor real...
O meu rumo...
A direcção...
O caminho...
A paz...
A felicidade...
A imensa presença de alegria...
A brincadeira...
A eternidade...
A verdade...
Brota em ti...
Só de ti... meu doce amor...
E tu és tudo o que sonho...
És tudo...
Para mim...



Pedro Campos - Amo-te...

Amar-te





Amar-te...


É urgente dizer-te
O quão é eloquente amar-te..
O amor que tenho por ti...!

Dispersa na sombra...
A ausência louca
De me ter em ti...

Sou... da noite...
E amar-te é o meu fado feliz
Ter dor de querer ter alegria
Ter alegria na dor de amar
Ser feliz na fantasia
De querer ser dor de amor
No limiar confuso de um olhar...

E tudo isto é assim...
Amar...
Amar-te...!


Pedro Campos - Amo-te...

Hoje tentava escrever-te um poema...


Hoje tentava escrever-te um poema...


Hoje tentava escrever-te um poema
Não queria um poema qualquer
Mas um especial... só para ti...
Um especial como todos os especiais que te escrevo...

Hoje tentava escrever-te um poema ...
Mas as palavras não surgiam
O título, já tinha pensado nele
Seria.. «Amor é...»
Mas as palavras não vinham

Hoje tentava escrever-te um poema...
Daqueles que te provocam um arrepio na pele
Daqueles que são feitos de nós os dois
Transmutados na filosofia perfeita
De amar alguém...somente...

Hoje tentava escrever-te um poema...
Um poema que vibrasse na tremura da noite
Com palavras estruturadas em cambiantes de emoções
Enlaçadas ao infinito pelas linhas invisíveis do sentir
Essas que nos unem...
Essas que nos fazem sorrir...
Essas que são tudo o que nós somos...
E que estiveram em todo o lado a que nós fomos
E testemunharam todos os sonhos
Todos os beijos, abraços, músicas, desejos,
Todos os quartos, todos os horizontes, todas as paisagens
Todos os risos, todas as lágrimas
Todos os medos, todas as esperanças...
Todos os todos, todos os nadas
Todos os dias e todas as noites...
De que se compõe este poema ..
Esta vida..
Este amor...
Por ti...

Hoje, tentei escrever-te um poema...
Os dedos choraram gotas de cor
As unhas morderam-se entre os lábios que te beijam o sabor
E os olhos foram tudo num alento de verdade e calor
A imensa intensa sublime elevação perene
De te amar tanto e tanto
Tão fulgorantemente
Entusiasticamente o teu poeta
Apaixonadamente tu
A minha poesia...
Hoje tentei escrever-te um poema...
E não sei se sei
Se quem fez isto foi poeta
Ou somente sonhador...
Mas sei... tentei....
Hoje...
Escrever-te um poema...!


Pedro Campos - Amo-te...

Borboleta Lilás - és tu...


Borboleta Lilás

No rebordo da janela
Existe uma asa a bater
Em redor das pétalas alegres
Uma ternura doce de mulher

Com cores feitas de sonhos
E o volume à dimensão da vida
Gestos de infinito
No mundo secreto do amanhecer

Desceu sobre a planície
Pintando de cores
De outras cores
As pétalas já pintadas das flores
Com um fogo imenso
Intenso
De doçura e tranquilidade

A doçura da borboleta de cetim
Que voando ao ritmo do vento
Se movimenta numa dança sem fim

Voa, abre as asas
E ergue-te na voz
Borboleta lilás
Canta, canta a cor
Do teu coração quente
Verdejante
Semeando amor

Voa, abre as asas
Sacode a membrana do tempo
E pequena, faz-te grande ao vento
Borboleta lilás...

Borboleta lilás...
Porque foste embora?
Porque partiste...?
Quero que me respondas...
Borboleta esvoaçante...
Canta... e voa... dançante...
Em mim...

Borboleta lilás...
Porque foste embora...?
Porque não voltas...?
Que aqui...
Aqui...
Ficarei sempre no mesmo lugar...
Olhando o horizonte...
E esperando...
Por ti... ver-te chegar...

Esperando inelutavelmente
Por ti...
Porque seja na seara
Seja no campo
Ou no areal
Só te quero ver regressar
Borboleta lilás...

E quando essas nuvens te trouxerem
E os teus olhos brilharem no eco da vida
Transformarão os meus olhos
Em vida plena a vibrar
E seremos.. eternos...
No percorrer do caminho...
Para o nunca acabado...

Borboleta lilás
Não te deixes cair na sombra
As tuas cores só são luminosas
Quando entre a estrada e a ponte
De um caminho sem rumo
Se sente a tua energia
Quando alegre sorris...

E nesse percurso de eternidade
És tu... a força imensa e poderosa
Da simplicidade..
És tu, borboleta lilás
A mensageira da sorte
És tu.. da cor
Da tua cor preferida
Borboleta lilás
Voa...
Voa...
Voa...
Quero voar-te...
Até ao fim de mim...
Até ao fim da vida...!

Amo-te...



Pedro Campos


Sentir medo...



Sentir medo...


É doloroso sentir medo
Quando o medo que nos dói
É um medo diferente dos outros medos

É o medo de perder o que nos é mais importante
O medo de que a chama que se acendeu
Trema e se apague com a ondulação da maré
E tudo o que sou
Tudo o que fui...
Se desvaneça
Nos sonhos que sonhei

Vejo, as folhas das árvores cairem
Vejo, o vento levar os segredos por canais de solidão
Por lugares onde as almas já não passam...
E vejo... abandoná-los ao tempo
Fazendo-os velhos, usados, cansados...
Deixando-os perdidos...
Longe de tudo
Longe de si próprios...

Vejo-me... na colina da ausência
Vejo-me saltar para o que não existe
Vejo, que sem ti, o olhar não precisa mais de olhar
E o sentir, não tem mais forças para sentir
Para sentir
Para se unir
Num mundo sem ti...
Pedro Campos

Palpitação...


Palpitação


Palpitação
Algo estremece na noite
É certamente um sonho vão
Mas talvez um pesadelo arriscado
Em que o medo de te perder
Vem em bolina à superfície do oceano

E agita-se a maresia nocturna
Caiem as gotas de chuva no colchão
E a velha almofada afasta-se da estrada
Num movimento de ascensão

É terrível visualizar o invisível
Testemunhar realidades paralelas
É destruidor, acordar-me em lágrimas
Com o medo de que amanhã
Não me procures mais
Na morada sem código postal
Que é o meu pensamento livre..
O meu pensamento....
Sempre

Sempre...
À espera de ti
A minha alma sem sítio
O meu sonho sem muros
O meu amor sem distâncias...
Que és tu...
O meu doce amor...
Com cheiro de eternidade...!


Pedro Campos

Quem sou eu?


Quem sou eu?

(...)
Pergunta inconclusiva
Essa que nos questiona sobre quem somos
A dúvida existencial sentida
Que confronta o estranho que nos habita
Aquela personagem mítica que nos é
Com a face conhecida daquele que somos
Como se fossem habitantes de um mesmo prédio antigo
De uma mesma rua de calçada
Olvidados na penumbra da solidão
Em instantes arrependidos

Aí... nesse monumento longínquo
Lembras, esquecendo...
Tudo o que ficou para trás...
Levado pelo tempo deserteficado
Esse que revolve tudo o que existe e não existe
Entre a terra e o céu
Dentro das ondas do mar ou do vento do mundo
E que me permite... assim...
Responder à tal pergunta inconclusiva...
Quem sou eu?
(...)

Este Sou Eu...
Sou ninguém... e sou toda a gente
Um murmúrio de fado
Um pedaço de vinho
Uma forma de vento
Um ritual de alquimia
Uma sombra com luz
Um rasgo de sonho
Na eternidade das coisas finitas
Que se prolongam pela força da vontade
Para o transcendente de eternidade
Que há em nós...
Que há na voz...
Daquilo que somos
Sendo... Eu... inconclusivo
Perguntando...
Quem sou eu?... mais uma vez...
E em nítido nulo te respondo...
Não sei quem sou...
Talvez... tudo...
Talvez nada...!
(...)



Pedro Campos

Colina desgastada...




Colina desgastada...



Eu penso-me aqui
Dedilhando palavras sem sentido
Reanalizo o grito
Do fim de mim em mim

Talvez não me sobre mais tempo
Talvez o tempo não seja mais meu
Esse que um dia corria livre pelo prado da imaginação
Esse que um dia...
Era o meu tempo.. sem nada mais a dizer

Hoje... preparo-me para viajar
Não sei para onde vou
Nem onde vou ficar
Mas o meu tempo acabou
De hoje em diante
Não sou mais eu
O pensamento do que sou

Sou somente uma colina esculpida

O resto de mim que ficou.



Pedro Campos

O teu olhar ali...

O teu olhar ali...


O teu olhar ali
No nosso tempo sem tempo
É fascinante
É mágico...
É tocante...

Não sei o que dizer
Quando estou sem ti
É como se cada coisa fosse menos bela
E o meu sorriso demorasse mais
Para se sentir

Fazes-me profundamente feliz
E os teus beijos
Os teus gestos
O amor que fazemos
O teu carinho...
A cumplicidade de nos conhecermos
Faz-me... sentir vivo...
Faz-me sentir bem...

És o expoente máximo dos meus sonhos
E a loucura talvez lúcida
De que a vida é breve demais
Para não estarmos juntos...
Para não aproveitarmos
O mais breve dos instantes
Dos nossos tempos...
Em nós...
Amo-te...
Amo-te...
Pedro Campos