Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Porquê...?


Porquê..?



Porquê...?
Porquê as lágrimas?
Porquê a dor?
Porquê?

Porquê...?
Porquê o vento....?
Porquê as mudanças do tempo..?
Porquê a ferida aberta no peito?
Porquê?... Porquê?..

É de noite e estou só...porquê?
Sou arrepio que queima... porquê?
Tu estás aí... longe...
E aqui... repete-se a ausência em mim...
O estar sem estar...
E saber-te... algures... longe...

E choro...
E dói...
Porquê...?
Porque é assim...?
Porquê?

Pergunto-me... na noite... sobre as perguntas que me invadem...
E preparo-me para dormir...
Esperando ainda algo vindo de ti...
Mas não veio nada...
E durmo...
Descanso...
Deito-me... na extensão arenosa do pensamento...
Enleado... numa música... envolvente...
E questionando-me... sobre... tudo isto...
Tudo isso...
Perguntando-me...
Assim...
Uma e outra vez...

Porquê...?



Pedro Campos

Acordo com o rumor do gelo


Acordo com o rumor do gelo


Acordo com o rumor do gelo
Um frio que me abana
Uma rotina que me agita
O despertador desapertando os nós da tranquilidade
E contigo... dentro do meu sonho
Pernoitando no abrigo secreto
Do meu peito quieto

Deixo as mãos mostrarem-me o caminho
E sigo em direcção ao sol
Numa estrada de alcatrão molhado
E pelo caminho árvores de sombras que se movem
E espíritos de sempre
Ali... vacilando entre o passado e o presente
Como se tivessem deixado
Alguma acção pendente

E olho-me no retrovisor
Vejo-me... mas não me vejo
Eu já não estou ali....

Talvez... tenha adormecido ao teu colo
Talvez... tenha ficado diluído nas teclas do piano de cauda do nosso jardim
Talvez... me tenha olvidado na penumbra do tempo
Talvez... me tenha esquecido lá atrás... de mim...

E assim... antecipo a chave que abrirá a fechadura irreverente da inspiração
E acumulo-me... em mim... como um lago desértico
Onde a aridez da visão obscura do mundo
Me rarefaz o agir e me torna transparência invisível de mim
E sou neutro...
Sou invisível...
Trespassável no rotundo circular movimentado do movimento articuladamente contínuo do universo
Sou despreocupadamente alternável
Numa engrenagem que me repele
Por não engrenar na sua medida

Por não me encaixar na sua estrutura

Por ser eu... parte de mim

A loucura...


A loucura...

Sou eu...aqui...



Pedro Campos

O Silêncio absurdo do Silêncio - I


O Silêncio absurdo do Silêncio ( Parte I)


Bebo o chá quente
Aqui neste sofá
Fecho por instantes os olhos
E sou metamorfose do silêncio...

Tenho a pele do silêncio...
E a voz do silêncio...
E os gestos parecem-se com os do silêncio...
E todo o som ecoa em mim
Numa acústica de silêncio
Como se o silêncio falante do meu silêncio
Fosse um verdadeiro som calado
Como o som genuíno e original do silêncio
Que omite até as nuances de silêncio...
Mesmo quando no mais profundo, surdo e tenebroso silêncio
Dou por mim... com um pouco mais de silêncio...
A quebrar o silêncio que havia antes
Na distinção indistinta de silêncios múltiplos dentro desse silêncio absurdo de silêncios
Cambiantes de som e ruído
Que se extravasam do que são e do que não são, do que poderiam ser...
Na oração paulatinamente indizível
Que inelutavelmente
Faz do silêncio
O ruído mais estrondoso e eloquente
Que as almas poderão produzir...

Um som sem som...
Uma mensagem sem voz...
Um querer sem palavras...
Uma melodia sem canção...
Um ouvir que não se ouve...
Um calar que tudo diz...
Uma imobilidade em que tudo se move
Uma monotonia em que tudo acontece...
Num silêncio como esse
Em que sem um único fone ou tom ou nota sonora
Expressamos tudo o que sentimos

Silêncio...
Contar... não contando...
Dizer... não dizendo
Mudar... não mudando...
Nesse silêncio absurdo do silêncio...
Em que somos tudo não sendo nada...
Em que os extremos desta dimensão se tocam...
No limiar de uma nano-eternidade
De uma não-liberdade...
De um não-pensar... pensando tudo...
Nesse silêncio absurdo...
De estar ao mesmo tempo a falar e a calar...

Porque o silêncio.... tem voz... e sentir... próprios
Estridente e imanente... à tua alma..
É a vontade escondida...
Sob a carapaça alada...
Pode ser doce...
Pode ser frio...
Pode ser fruto da mais profunda cumplicidade...
Ou demonstrar que ali há dor a transformar os instantes...
A modificar quem somos ou a esconder uma verdade...
Pode ser expressivo... sábio...
Ou ignorante... e vazio...
Pode ser... confortável...
Pode ser constrangedor...
Pode ser felicidade...
Pode ser dor...
Pode ser...
Pode... ser...


Pode ser... e
E... será sempre diferente...
Cada silêncio... diferente do seu semelhante...
E absurdamente indefinível...
Sem um modelo de semblante...!

E...
E...o teu silêncio...
O teu silêncio... é eloquente.. e expressivo...
Conheço os teus silêncios...
E o que a sua voz calada... às vezes quer dizer...
Umas vezes canta...
Outras vezes grita...
Mas... o teu silêncio...
Esse que é só teu...
É lilás... é diferente... é mágico...

É apaixonante... quando é teu...!

Teu...
O teu silêncio...
Na analogia ao silêncio absurdo do silêncio...

(Muito mais há a dizer e a retratar, a reflectir, a pensar e a sentir sobre os silêncios... mas o meu silêncio... neste momento... silencia... tudo o resto... que dizendo... em silêncio... me faz calar o que digo... o que disse.. desde que a minha voz se calou... neste silêncio absurdo do silêncio... que conto sem contar...)


Pedro Campos

Casa do sentir


A Casa do Sentir

Planície aberta
Campo verdejante de erva
E a aveia do tempo
Dispersa sobre os meus pés
Levitando eu
Sobre a noite
Desse campo longo
Longínquo
Distante
Em que acenos de sonho
Murmuram os passos que damos
No rumo da vida

Somos sementes de ontens
Amanhãs que nunca foram
Hoje's que nunca serão
Tempos sem tempos
Tempos sem distâncias
Contagens de instantes em aglutinação...
Nesta miragem proximal
De planície vazia
Em que se confundem fantasmas com poesia
Onde ecoam os mitos do sempre
E habitam as cores do nunca
E onde eu...
Onde eu sou a voz
Daquilo que nunca fui
Incessantemente
Um respirar fundo
Nas asas de uma borboleta
O acreditar imenso
No sentir do olhar
Olhar, olhar-te, olhando-te...
Ser a semente
E a folha da flor
O pólen agreste que inunda de vida e força
A germinação do mundo
Perdido em desejo...
À luz luminosa da Lua nocturna
Da casa do sentir
Que somos...
Cada um de nós...
No secreto universo que nos acontece...
A casa do sentir...

E pergunto-me.... quem somos?
Somos nós... essa casa... de sentires... de sentir-te...
Porque somos do tamanho das coisas sem tamanho...
E na nossa dimensão... tu és magia plena...
Na expressão eloquente da eternidade...
És composição perfeita em sintonia com o infinito... do cosmos...
Tu...
A cada segundo...
A casa do meu sentir


Casa do sentir... sentir-te...

Pedro Campos

Aquela noite...


Naquela noite
O ar estava húmido e quente
Era quase verão
Era quase vento
Era quase outro mundo

Rodopiando dentro de nós
E o tempo era pouco para o viver e conhecer...

Naquela noite
Levámos os nossos sonhos para a areia
E nas ondas do mar
Lançámos os nossos beijos
À ternura quente do desejo
Que ardia em fogo intenso...
Ali... dentro e fora de nós...

Ao longe, só a lua e o firmamento alegre
Com luzes que piscavam ritmamente ao nosso som
Acompanhando o vibrar dos nossos corpos
Nos olhavam
Nos sabiam
Nos apoiavam... num silêncio de cumplicidade...

Ali, naquela noite tu e eu fomos um só
Sob o tecto escancarado da liberdade
Que nós os dois conhecemos...

Tu e eu fomos a eternidade...

Que a nossa boca pressentiu...

Aquela noite
Com a vela acesa e o areal feito mesa
Jantámos no silêncio do fim do dia
Com o por-do-sol a fazer-nos sorrir
E fomos ali...
Tudo...
Fomos ali... nós

Fomos ali... a própria a vida...


Amo-te...



Pedro Campos

Oiço...


Oiço a música que compus para ti
Alguns versos unidos pela harmonia das notas
Que expressam o sentir-te sublime
Da vida contigo

Talvez esses versos sejam profundamente mais intensos
Do que estes que te escrevo aqui
Mas talvez estas palavras de agora
Estejam desertas de cor
Por saudades de ti

E é por isso que quando te escrevo
Detecto sempre as linhas em falta para escrever
Poemas e sonhos doces
Imensidões eternas
Colossais sensações
Porque...
O que sinto... ultrapassa a dimensão possível e impossível das palavras
Mora no reino das emoções...
O paraíso aberto à esfera do infinito...
Sempre ali...
Para ti...
Meu amor...



Pedro Campos

Só Tu... Para sempre Tu...


Só Tu... Para sempre Tu...


Olha para mim... meu amor...
Olha para mim... e sente-me...
Entende-me no equilíbrio ténue da voz...
Penetra o teu olhar fundo em mim
E absorve-me, diluído e imenso como um todo...
Vago e perpétuo...como o universo
Cúmplice e secreto... como o que te segredo ao ouvido...
Indizível... e completo... como o que sinto...
Em ti...
Por ti...

Olha para mim... fascinação...
Decifra os gradientes que pintam o dentro do meu dentro...
E saboreia os ritmos do meu corpo...
Lambe as gotas húmidas do meu olhar...
O timbre alto e ébrio do meu grito..
Sacode a saliva dispersa do meu voar...
E leva-me contigo...
Leva-me contigo...
... Para onde quer que vás...
... Para onde quer que estejas...
... Para esse lugar de infinito...
Que há em ti...

Ouves-me?
Consegues compreender o que te digo?
Escutar o que falo...?
Sentir o que sinto...? O que peço?

Olha para mim... assim...
E vê-me nú, despido...aberto...
Entregue a ti...
Desperto...
Disposto a sonhar...
Com coragem para amar...
E vontade de caminhar... neste empedrado... celeste...
Que é o caminho para ti...
Em ti...
Por ti...

Eu sinto-te... e conheço cada instante do teu sorriso...
Entendo cada espaço do teu olhar...
Cada luz do teu sonhar...
E nesse latejar imenso...
Pulso em ti...etéreo...
No deleite lúbrico, autêntico, perfeito...
De te amar...

De te amar...
Tão profundamente quanto a fundura excessiva que há no existir...
Tão perdidamente quanto a insanidade louca, original, sapiente e lúcida...
Que há no... estar aqui...

Ouves-me...?
Entendes o que te conto...? O que te digo...?
Vislumbras a cor amante da minha alma?
O dilúvio colossal da paleta de cores que esboça um semblante imensurável de ternura e prazer...?
Vês...? Ouves?... Sentes...?
O bater trémulo do peito...
O excesso insistente e dedicado
Com que cresce essa lagoa azul
Perdida entre os canaviais do sonho...
Que somos nós...

Responde-me...
Docemente singela...
Rainha do cosmos...

Responde-me...

E quero-te...
Quero-te mais do que o querer sustém...
E quero-te feliz... harmoniosa e sorridente...
Quero-te louca, lúcida, excitada, contente, febril, emergente...
Sedutora... seduzida... voluptuosa...crente em nós... crente em ti...
Enfim... crente...

Quero que corras...
Que andes e corras por caminhos desconhecidos...
Como um descobridor de terras sem fim, para além do horizonte...
E que avances... que lutes...
Que avances e lutes... por ser feliz...

Que saltes e grites... e cantes e rias e chores... e ames...
A natureza... as árvores... as flores... os animais... os rios,... os mares... os oceanos infinitesimais... e mais... muito mais....
Muito mais dentro de nós... dentro de ti...
Paisagens sem nome....
Nomes sem paisagem...
E templos de cor...

Quero que ames... a própria vida...
Como um segredo único e sublime que se nos revelou...

Quero que te deleites com o amanhecer e o pôr-do-sol...

Cada momento que passamos juntos...
Que sonhamos juntos...
Que rimos juntos...
Que choramos juntos...
Que vivemos... juntos...
E que te delicies com os seus cheiros repletos de eternidade...

Quero que mores...
Que mores nos meus sonhos e nos meus instantes mais infímos...
E que estejas em todas as palavras de poesia e contemplação...
Que eu ou alguém possa vir a escrever, a compor, a criar...
A imaginar...

Quero que sejas capaz de rir-te docemente...
Com esse sorriso capaz de transformar o mundo no seu mais gélido momento...
Numa fogueira de paixões e entusiasmos ardentes que glorificam tudo...
E que fazem do devir... uma ideia sem fundamento...
Porque...nos olhos do teu olhar... vistos pelo meu olhar...
Tu transmutaste-te... com serenidade...
Numa exalantemente perfumada eternidade...
Essa eternidade...
Que és toda tu para mim...
Tu...
Só tu... para mim...

E quero-te... por completo...
Que sejas tu própria... sem zonas restritas no pensamento...
E que te entregues à vida... como eu me entrego a ti...
Que sejas...dolente e contente, explosão imensa, raios de sol, cintilância efusiva do amanhecer...
Passos de corça, voo de mariposa, andorinha equidistante, sacudir de pluma, divagante de emoção... fénix absoluta e ardente...
Apaixonante... e brilhante...
Livre e mareante...
Perfeita e singela...
Como já és...

E quero...
Quero que percorras o perto e o longe... como o vento...
E que sintas o sonho e a miragem...
Como sentes o baton fugir-te nos teus lábios...
Quando são tocados encantadamente pelos meus...
E as tuas mãos nas minhas...
Os teus dedos nos meus dedos...
E o carro... nós no carro...
E os vidros nublados...
E o infinito lá fora...
Somos nós ali dentro...
Naquele amanhecer dourado...
Distantes de tudo e de todos...
Com o areal imenso à nossa volta...

E amo-te.... meu amor... amo-te...

E quero-te...
... Serena, ebúrnea, estridente, cúmplice... provocante... aliciante... e confidente...

E sonho-te...
Sonho-te... com cada grão de força que há no cosmos...
Com cada aura desperta de magia e deslumbre...
Que possas ser.... tu.... só tu... o meu amor...

O meu doce amor...
Só tu...
Para sempre...tu..
Minha eternidade...

Amo-te...



Pedro Campos


Mais um poema sobre nós... e uma breve síntese de quem somos... em forma de versos...

«(...)

Olha para mim...meu amor
Quis a conjugação do tempo e do espaço
Num ifninitesimal momento
Que eu fosse o Poeta e tu a Cinderela
E a nossa história fosse...
Como todas as histórias de amor...
Encantada e plena de nós...
É isso que nós somos...
O Poeta e a Cinderela...
Que se amam...

(...)»

Chão... frio... ausência...



Chão...frio... ausência...


Chão...frio...ausência...
Levanto-me do chão com frio
Sinto a ponta dos dedos gelada e sem força
E a força sem gestos para lhe dar forma...
E cresço... assemelho-me à fase Lunar que antecede a Lua Cheia...
E evaporo-me nos relâmpagos alienados deste universo...
E sinto que estou a perder o passo...
Que pouco a pouco...deixo-me sentir a ausência...
De um mundo tão redutor...
Ao tempo e espaço...
À ausência de sonhos...
E expressão indiferente de sabor...
No caminho lutador
Do pastor poeta... sonhador...
Adormecido no seu sorriso
Terno..
De pequeno homem
Ou enorme criança...


Pedro Campos

De inverno


Fecho os olhos nesta noite
Fecho as mãos
Estou de cócoras em mim
Chorando o vazio...

Talvez esta noite seja somente
O princípio do dia de amanhã
Talvez este rosto seja docemente
A ternura de liberdade que jamais...
Será minha...

E os dedos caiem
As máscaras desmoronam-se
E o peito arde em chama viva

Talvez já não exista nada de mim em mim
E o teu rosto seja somente penumbra de um nevoeiro
De Inverno... que perdi...


Pedro Campos

Excelsamente amando-te



Excelsamente Amor


Já se ouve a música a tocar...aqui...
Os nossos sons...
As nossas melodias...
As nossas músicas...
Companheiras do nosso amor e da nossa história...
Fazem-se testemunhas presentes
Da nossa emoção e intensidade sagradas...
De excelsamente querer-te e sonhar-te...
Até à eternidade mais longínqua de mim....

Tu estás semi-nua...
A luz das velas toca-te suavemente...
E o teu corpo absorve essa luminosidade...
Como uma regata imensa... repleta de vida...

Num ambiente de desejo e imaginação...
Realçam-se os teus olhos...
Realçam-se as tuas formas sumptuosas e ardentes...
E os teus sonhos... nos meus sonhos...
A tua alma... no meu tempo...
Num misto de doçura e fragilidade eloquente...
Que ecoam no ar como um sopro cândido de inocência e delicadeza
Uma ternura extasiante...
Um sentido direccionado para o infinito mais profundo...
Que atinjo dentro de mim...
Amando-te...
Excelsamente assim...

E apaixono-me cada vez mais...
Cada vez mais... aprofundadamente...
Ao centro do dentro de mim...!

E levantas-te...
Eu acompanho os teus movimentos subtis de encanto...
E entregamos as mãos um ao outro...
Entregamos as nossas ansiedades, medos e desejos..
Numa cumplicidade que só na nossa sensibilidade arrebatada...
Pode acontecer...

E no ar...
No ar... a música toca os nossos beijos e abraços...
E tu...
Tu... moves o rosto com delicadeza... sedução...entusiasmo...
E eu sigo o teu rosto....
Sigo o teu sorriso...
Sigo-te... na luz e na sombra que se fazem ali...
Sigo-te...
Quero-te...
Seguindo-me em direcção ao perene momento da existência feliz...
Que és tu...
Que és tu... aparição etérea...
Estremecendo... em mim....
Sou penetrantemente feliz... contigo...

E os teus lábios...
Os teus lábios... brilham na noite
Os teus olhos... elevam-se e possuem-se de cor...
E o teu corpo vibra...
E o meu gesticula o querer-te
Excelsamente amando-te...

E dançamos...
Dançamos...
Seguimos nas ondas daquele mar
O ritmo do peito sentindo impressionantemente
A loucura lúcida daqueles momentos...
Daqueles momentos em que não há palavras para descrever...
Em que tudo transcende a restrita dimensão do que dizemos... do que somos...
Quando tentamos escrever...destilando... o que sentimos...
O indescrítvel e indizível da nossa verdade...

E...
Deslizamos no chão...
Despidos entre as paredes... e um tecto sem rosto...
Os nossos pés... pouco a pouco...
Parecem querer elevar-se sob o céu daquele oceano...
E eu...
Eu deixo de ter medo....
E vivo-te...
Abraço-te...
Sublimemente sou eterno em ti....
E as mãos agitam-se...
Seguro-te...
Tu seguras-me...
Aperto-te a mão com força...
Apertamos os nossos corpos um contra o outro
Como as ondas que embatem nos rochedos da nossa praia...

E aproximamos os nossos lábios...
Aproximo os meus lábios dos teus...
Passeamos ali... com frémito e tranquilidade...
O gesticular desejante das expressões múltiplas dos nossos lábios...
Gotejando o sabor delicioso da tua boca...
Na eternidade de um beijo...

E mordem-se...tocam-se...abraçam-se...
Os lábios húmidos e vocifrantes de ânsia, de sede, de fome... de nós....
E num instante...
Tu humidifica-los de novo...
Eu... também...
E sinto o teu perfume que me encanta e exalta e leva ao céu...
E os lábios tocam-se... novamente... e separam-se... e tocam-se... e afastam-se... e chocam...
E apertam-se...no segundo da respiração...
E respiramos a mesma respiração...
Respiramos o mesmo ar...
O mesmo ar que nos faz respirar e suspirar e amar...
Bebemos da mesma água...
E comemos do mesmo sabor...
E sentimos esse ar... e essa água... e esse alimento...
Ocupar o nosso corpo....
E a nossa alma...
Paulatinamente como um rio que chega ao mar...!

As línguas tocam-se....
E a textura é de uma maciez tal...
Que provoca a excitação da aura... e do infinito...universo dos sonhos por nós...
As nossas salivas... qual ambrósia divina... unem-se e conjugam-se num tempo presente...
Ao mesmo tempo... um tempo de sempre...
E transformam-se....
As nossas salivas fundem-se e misturam-se...originando um composto alquímico...genuíno...
Único, incomensurável, colossal...
E eu amo-te...
E tu suspiras...eu suspiro...
E sinto o ritmo cardíaco a aumentar... e a tua pele a arrepiar-se...
Veio o arrepio e a subtileza do desafio
De fazer-te sonhar...
De fazer-te...delirar...
Ali...na nossa noite...

E sinto o teu olhar...
Sinto o palpitar da emoção...
Sinto a energia do teu prodigioso, deslumbrante olhar...
E viajo em ti....
Viajo através dos teus olhos em mim...
Nos meus olhos por ti...
Através da sensualidade do teu corpo e da tua forma...
E toco-te todo o corpo...
E volto ao olhar...
Esses olhos...

E brilham...Esses olhos... luminosamente...
Cintilam com a fragrância do divino...
Como faróis que norteiam a distância entre a terra e o céu...
Entre as estrelas vibrantes e o luar na noite de um mar às escuras...
E corro-te todos os instantes...
E corro-te...cada centímetro do teu semblante...
Percorro-te todos os momentos, todos os espaços, todos os tempos...
Envolvendo-te com magia, sedução e poética...
A ti... mulher das estrelas...
Menina... quimera...utopia...
Amor... obra de arte... magia...
Genial asa esvoaçante...
Caravela navegante...
Jardim do Éden...excitante...
Que me abarca para lá de mim...
Fazendo-me lucidamente...
Louco... por ti...

E estamos ali...
Naquela sala... com a música a tocar...
E movemo-nos....
Dançamo-nos...
E explodimos...

As minhas mãos... na tua cintura...
Desvendam a textura da tua pele...
Revelando-lhe a temperatura...

E circundamos lagoas feitas de imaginação...
Desvendamos mistérios de sortilégio e adivinhação...
E visitamos todos os céus e estrelas imaginárias... naquela pista de dança..
E mergulho em ti...
Mergulhas em mim...
Numa confiança plena... comum...de mar salgado e doce...
De dois amantes...
Apaixonados...
E apaixonantes...

E os meus dedos...
Os meus dedos... em miragem...
Sobem o teu corpo...
E descem-no... em viagens constantes...
Intensas... sensuais...sonantes...
E toco-te....
Toco-te.. os ombros...
Beijo-te o pescoço... o queixo... e saboreio cada poro da tua pele... do teu ser...
E tu... tu... beijas-me...com intensidade...
E levas-me a uma excitação contínua... de deslumbre e eloquência...
E somos dois...
Somos dois...
Somos um...

E passo a passo...
Desaperto-te.... o vestido que te esconde...
E com os dedos suavemente.... dispo-te...
E tu... apertas-me contra ti...
E respiramos ardentemente....
As línguas torneiam-se e dançam... e fundem-se num só organismo....
E agarro-te...
Tu agarras-me....
E murmuro-te... o quanto te amo...
E tu....respiras fundo...
E tens os olhos fechados....
E o mundo aberto à minha espera....
E toco-te os seios....
Absorvo-te o cheiro...
Beijo-os...
Acarinho-os com doçura e carinho...
E seguimos...rumo ao quarto...
Toco-te...as nádegas...e as cuecas estão húmidas....
E amo-te... como nunca amarei ninguém...
E embarcamos numa união fenomenal...
Fazemos amor.... com os anjos celestes a tocarem as trombetas da magnitude e da felicidade...
Porque...estamos a cumprir quem nós somos...
E estamos a cumprir-nos um no outro...
E estamos unidos..
Dois organismos completamente unidos...
Eu dentro de ti...
Tu dentro de mim...
Amando...
Excitantemente e sumptuosamente...entregues um ao outro...
E tu soluças...e eu respiro...
E sinto ao mesmo tempo vontade de chorar e de rir de alegria extasiante...
E o teu gemido...
Ahhh..... o teu gemido..... enlouquece-me... totalmente...
É uma canção melodiosa...
Uma composição singular, perfeita...
Sentida por quem te vive...
E ama.... transdimensionalmente...

E somos duas almas....
Dois corpos nús...
Num quarto com cores feitas por nós...
E os nossos corpos ardem de quente...
A emoção rejubila...
A tremula aumenta...
O vibrante ritmo cantante dos corações agita-se e imensa-se...
E tu gemes....
E eu enlouqueço...
Tu enlouqueces-me....
E penetramo-nos um ao outro....
As nossas almas tornam-se numa força impensável...
Um uno etéreo, sublime e diáfano sentir...
Que comove de fascínio...até o nevoeiro mais denso da rua...
E... o ritmo aumenta...
O mundo parece não existir mais....
Parece que nada mais existe além de nós os dois....
Além dali...
E da nossa felicidade...

E surge o infinito...
A porta aberta do infinito...abre-se de par em par... no horizonte...
E tu sorris.... e as tuas expressões são... apaixonantes...
E uma lágrima cai do meu olhar...
Uma lágrima cai do meu olhar....
Dizendo-te... o quanto eu te quero....
E que és tudo para mim....

E essa lágrima conta a história do meu amar...
E tu sentes a minha alma a contar...
Tudo o que sou, o que fui, o que serei...
E sabes... sentes... a minha história toda...
Percebes que eu sou real...
E atingimos o clímax...ali...naquele momento...

Os nossos corpos movendo-se um sobre o outro...
Em movimentos incessantes... numa oscilação intérmina...
Prazeirosa... emocionante.... repleta...
E as minhas mãos enleadas nas tuas mãos...
Os teus cabelos presos entre os meus dedos...
Eu subo e desço sobre ti....
Estamos ali... e vibramos...ondulantes...os dois...
Como vagas de maré-cheia...
Que vêm e vão...
Decifrantes...
Dos nossos códigos...
Só nossos...
Tão nossos...
De fascínio e verdade...

Depois... o extase pleno....
E a explosão de energia...
Um orgásmico instante em que somos a própria eternidade...
Um só momento e fazemos parte da matéria mais etérea do universo...
Um gesto e somos transeuntes na transição entre o tempo e o não-tempo
Entre os universos paralelos da realidade e da irrealidade...
E a paz reina... e todo o mundo roda...
Ou talvez sejamos nós a rodar pelo universo inteiro...
Ali... em segundos... percorremos à velocidade da luz...
Todos os cenários visitados por nós...
Todos os lugares bonitos...
Os momentos perfeitos...
E os instantes perdidos...
Ali...
Naquele instante...
Somos um só...
Eterno fulgor...
E eu pergunto-te... : estás bem?
E tu... suspiro... acenas que sim...

Eu digo-te... ao ouvido...
Que eterno estarei sempre ali...
E que te amo...
Que vivo, creio e respiro...
Excelsamente amando-te...
Assim...

Para sempre...
Excelsamente amando-te....


Pedro Campos