Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Casa do sentir


A Casa do Sentir

Planície aberta
Campo verdejante de erva
E a aveia do tempo
Dispersa sobre os meus pés
Levitando eu
Sobre a noite
Desse campo longo
Longínquo
Distante
Em que acenos de sonho
Murmuram os passos que damos
No rumo da vida

Somos sementes de ontens
Amanhãs que nunca foram
Hoje's que nunca serão
Tempos sem tempos
Tempos sem distâncias
Contagens de instantes em aglutinação...
Nesta miragem proximal
De planície vazia
Em que se confundem fantasmas com poesia
Onde ecoam os mitos do sempre
E habitam as cores do nunca
E onde eu...
Onde eu sou a voz
Daquilo que nunca fui
Incessantemente
Um respirar fundo
Nas asas de uma borboleta
O acreditar imenso
No sentir do olhar
Olhar, olhar-te, olhando-te...
Ser a semente
E a folha da flor
O pólen agreste que inunda de vida e força
A germinação do mundo
Perdido em desejo...
À luz luminosa da Lua nocturna
Da casa do sentir
Que somos...
Cada um de nós...
No secreto universo que nos acontece...
A casa do sentir...

E pergunto-me.... quem somos?
Somos nós... essa casa... de sentires... de sentir-te...
Porque somos do tamanho das coisas sem tamanho...
E na nossa dimensão... tu és magia plena...
Na expressão eloquente da eternidade...
És composição perfeita em sintonia com o infinito... do cosmos...
Tu...
A cada segundo...
A casa do meu sentir


Casa do sentir... sentir-te...

Pedro Campos

Aquela noite...


Naquela noite
O ar estava húmido e quente
Era quase verão
Era quase vento
Era quase outro mundo

Rodopiando dentro de nós
E o tempo era pouco para o viver e conhecer...

Naquela noite
Levámos os nossos sonhos para a areia
E nas ondas do mar
Lançámos os nossos beijos
À ternura quente do desejo
Que ardia em fogo intenso...
Ali... dentro e fora de nós...

Ao longe, só a lua e o firmamento alegre
Com luzes que piscavam ritmamente ao nosso som
Acompanhando o vibrar dos nossos corpos
Nos olhavam
Nos sabiam
Nos apoiavam... num silêncio de cumplicidade...

Ali, naquela noite tu e eu fomos um só
Sob o tecto escancarado da liberdade
Que nós os dois conhecemos...

Tu e eu fomos a eternidade...

Que a nossa boca pressentiu...

Aquela noite
Com a vela acesa e o areal feito mesa
Jantámos no silêncio do fim do dia
Com o por-do-sol a fazer-nos sorrir
E fomos ali...
Tudo...
Fomos ali... nós

Fomos ali... a própria a vida...


Amo-te...



Pedro Campos

Oiço...


Oiço a música que compus para ti
Alguns versos unidos pela harmonia das notas
Que expressam o sentir-te sublime
Da vida contigo

Talvez esses versos sejam profundamente mais intensos
Do que estes que te escrevo aqui
Mas talvez estas palavras de agora
Estejam desertas de cor
Por saudades de ti

E é por isso que quando te escrevo
Detecto sempre as linhas em falta para escrever
Poemas e sonhos doces
Imensidões eternas
Colossais sensações
Porque...
O que sinto... ultrapassa a dimensão possível e impossível das palavras
Mora no reino das emoções...
O paraíso aberto à esfera do infinito...
Sempre ali...
Para ti...
Meu amor...



Pedro Campos

Só Tu... Para sempre Tu...


Só Tu... Para sempre Tu...


Olha para mim... meu amor...
Olha para mim... e sente-me...
Entende-me no equilíbrio ténue da voz...
Penetra o teu olhar fundo em mim
E absorve-me, diluído e imenso como um todo...
Vago e perpétuo...como o universo
Cúmplice e secreto... como o que te segredo ao ouvido...
Indizível... e completo... como o que sinto...
Em ti...
Por ti...

Olha para mim... fascinação...
Decifra os gradientes que pintam o dentro do meu dentro...
E saboreia os ritmos do meu corpo...
Lambe as gotas húmidas do meu olhar...
O timbre alto e ébrio do meu grito..
Sacode a saliva dispersa do meu voar...
E leva-me contigo...
Leva-me contigo...
... Para onde quer que vás...
... Para onde quer que estejas...
... Para esse lugar de infinito...
Que há em ti...

Ouves-me?
Consegues compreender o que te digo?
Escutar o que falo...?
Sentir o que sinto...? O que peço?

Olha para mim... assim...
E vê-me nú, despido...aberto...
Entregue a ti...
Desperto...
Disposto a sonhar...
Com coragem para amar...
E vontade de caminhar... neste empedrado... celeste...
Que é o caminho para ti...
Em ti...
Por ti...

Eu sinto-te... e conheço cada instante do teu sorriso...
Entendo cada espaço do teu olhar...
Cada luz do teu sonhar...
E nesse latejar imenso...
Pulso em ti...etéreo...
No deleite lúbrico, autêntico, perfeito...
De te amar...

De te amar...
Tão profundamente quanto a fundura excessiva que há no existir...
Tão perdidamente quanto a insanidade louca, original, sapiente e lúcida...
Que há no... estar aqui...

Ouves-me...?
Entendes o que te conto...? O que te digo...?
Vislumbras a cor amante da minha alma?
O dilúvio colossal da paleta de cores que esboça um semblante imensurável de ternura e prazer...?
Vês...? Ouves?... Sentes...?
O bater trémulo do peito...
O excesso insistente e dedicado
Com que cresce essa lagoa azul
Perdida entre os canaviais do sonho...
Que somos nós...

Responde-me...
Docemente singela...
Rainha do cosmos...

Responde-me...

E quero-te...
Quero-te mais do que o querer sustém...
E quero-te feliz... harmoniosa e sorridente...
Quero-te louca, lúcida, excitada, contente, febril, emergente...
Sedutora... seduzida... voluptuosa...crente em nós... crente em ti...
Enfim... crente...

Quero que corras...
Que andes e corras por caminhos desconhecidos...
Como um descobridor de terras sem fim, para além do horizonte...
E que avances... que lutes...
Que avances e lutes... por ser feliz...

Que saltes e grites... e cantes e rias e chores... e ames...
A natureza... as árvores... as flores... os animais... os rios,... os mares... os oceanos infinitesimais... e mais... muito mais....
Muito mais dentro de nós... dentro de ti...
Paisagens sem nome....
Nomes sem paisagem...
E templos de cor...

Quero que ames... a própria vida...
Como um segredo único e sublime que se nos revelou...

Quero que te deleites com o amanhecer e o pôr-do-sol...

Cada momento que passamos juntos...
Que sonhamos juntos...
Que rimos juntos...
Que choramos juntos...
Que vivemos... juntos...
E que te delicies com os seus cheiros repletos de eternidade...

Quero que mores...
Que mores nos meus sonhos e nos meus instantes mais infímos...
E que estejas em todas as palavras de poesia e contemplação...
Que eu ou alguém possa vir a escrever, a compor, a criar...
A imaginar...

Quero que sejas capaz de rir-te docemente...
Com esse sorriso capaz de transformar o mundo no seu mais gélido momento...
Numa fogueira de paixões e entusiasmos ardentes que glorificam tudo...
E que fazem do devir... uma ideia sem fundamento...
Porque...nos olhos do teu olhar... vistos pelo meu olhar...
Tu transmutaste-te... com serenidade...
Numa exalantemente perfumada eternidade...
Essa eternidade...
Que és toda tu para mim...
Tu...
Só tu... para mim...

E quero-te... por completo...
Que sejas tu própria... sem zonas restritas no pensamento...
E que te entregues à vida... como eu me entrego a ti...
Que sejas...dolente e contente, explosão imensa, raios de sol, cintilância efusiva do amanhecer...
Passos de corça, voo de mariposa, andorinha equidistante, sacudir de pluma, divagante de emoção... fénix absoluta e ardente...
Apaixonante... e brilhante...
Livre e mareante...
Perfeita e singela...
Como já és...

E quero...
Quero que percorras o perto e o longe... como o vento...
E que sintas o sonho e a miragem...
Como sentes o baton fugir-te nos teus lábios...
Quando são tocados encantadamente pelos meus...
E as tuas mãos nas minhas...
Os teus dedos nos meus dedos...
E o carro... nós no carro...
E os vidros nublados...
E o infinito lá fora...
Somos nós ali dentro...
Naquele amanhecer dourado...
Distantes de tudo e de todos...
Com o areal imenso à nossa volta...

E amo-te.... meu amor... amo-te...

E quero-te...
... Serena, ebúrnea, estridente, cúmplice... provocante... aliciante... e confidente...

E sonho-te...
Sonho-te... com cada grão de força que há no cosmos...
Com cada aura desperta de magia e deslumbre...
Que possas ser.... tu.... só tu... o meu amor...

O meu doce amor...
Só tu...
Para sempre...tu..
Minha eternidade...

Amo-te...



Pedro Campos


Mais um poema sobre nós... e uma breve síntese de quem somos... em forma de versos...

«(...)

Olha para mim...meu amor
Quis a conjugação do tempo e do espaço
Num ifninitesimal momento
Que eu fosse o Poeta e tu a Cinderela
E a nossa história fosse...
Como todas as histórias de amor...
Encantada e plena de nós...
É isso que nós somos...
O Poeta e a Cinderela...
Que se amam...

(...)»

Chão... frio... ausência...



Chão...frio... ausência...


Chão...frio...ausência...
Levanto-me do chão com frio
Sinto a ponta dos dedos gelada e sem força
E a força sem gestos para lhe dar forma...
E cresço... assemelho-me à fase Lunar que antecede a Lua Cheia...
E evaporo-me nos relâmpagos alienados deste universo...
E sinto que estou a perder o passo...
Que pouco a pouco...deixo-me sentir a ausência...
De um mundo tão redutor...
Ao tempo e espaço...
À ausência de sonhos...
E expressão indiferente de sabor...
No caminho lutador
Do pastor poeta... sonhador...
Adormecido no seu sorriso
Terno..
De pequeno homem
Ou enorme criança...


Pedro Campos

De inverno


Fecho os olhos nesta noite
Fecho as mãos
Estou de cócoras em mim
Chorando o vazio...

Talvez esta noite seja somente
O princípio do dia de amanhã
Talvez este rosto seja docemente
A ternura de liberdade que jamais...
Será minha...

E os dedos caiem
As máscaras desmoronam-se
E o peito arde em chama viva

Talvez já não exista nada de mim em mim
E o teu rosto seja somente penumbra de um nevoeiro
De Inverno... que perdi...


Pedro Campos

Excelsamente amando-te



Excelsamente Amor


Já se ouve a música a tocar...aqui...
Os nossos sons...
As nossas melodias...
As nossas músicas...
Companheiras do nosso amor e da nossa história...
Fazem-se testemunhas presentes
Da nossa emoção e intensidade sagradas...
De excelsamente querer-te e sonhar-te...
Até à eternidade mais longínqua de mim....

Tu estás semi-nua...
A luz das velas toca-te suavemente...
E o teu corpo absorve essa luminosidade...
Como uma regata imensa... repleta de vida...

Num ambiente de desejo e imaginação...
Realçam-se os teus olhos...
Realçam-se as tuas formas sumptuosas e ardentes...
E os teus sonhos... nos meus sonhos...
A tua alma... no meu tempo...
Num misto de doçura e fragilidade eloquente...
Que ecoam no ar como um sopro cândido de inocência e delicadeza
Uma ternura extasiante...
Um sentido direccionado para o infinito mais profundo...
Que atinjo dentro de mim...
Amando-te...
Excelsamente assim...

E apaixono-me cada vez mais...
Cada vez mais... aprofundadamente...
Ao centro do dentro de mim...!

E levantas-te...
Eu acompanho os teus movimentos subtis de encanto...
E entregamos as mãos um ao outro...
Entregamos as nossas ansiedades, medos e desejos..
Numa cumplicidade que só na nossa sensibilidade arrebatada...
Pode acontecer...

E no ar...
No ar... a música toca os nossos beijos e abraços...
E tu...
Tu... moves o rosto com delicadeza... sedução...entusiasmo...
E eu sigo o teu rosto....
Sigo o teu sorriso...
Sigo-te... na luz e na sombra que se fazem ali...
Sigo-te...
Quero-te...
Seguindo-me em direcção ao perene momento da existência feliz...
Que és tu...
Que és tu... aparição etérea...
Estremecendo... em mim....
Sou penetrantemente feliz... contigo...

E os teus lábios...
Os teus lábios... brilham na noite
Os teus olhos... elevam-se e possuem-se de cor...
E o teu corpo vibra...
E o meu gesticula o querer-te
Excelsamente amando-te...

E dançamos...
Dançamos...
Seguimos nas ondas daquele mar
O ritmo do peito sentindo impressionantemente
A loucura lúcida daqueles momentos...
Daqueles momentos em que não há palavras para descrever...
Em que tudo transcende a restrita dimensão do que dizemos... do que somos...
Quando tentamos escrever...destilando... o que sentimos...
O indescrítvel e indizível da nossa verdade...

E...
Deslizamos no chão...
Despidos entre as paredes... e um tecto sem rosto...
Os nossos pés... pouco a pouco...
Parecem querer elevar-se sob o céu daquele oceano...
E eu...
Eu deixo de ter medo....
E vivo-te...
Abraço-te...
Sublimemente sou eterno em ti....
E as mãos agitam-se...
Seguro-te...
Tu seguras-me...
Aperto-te a mão com força...
Apertamos os nossos corpos um contra o outro
Como as ondas que embatem nos rochedos da nossa praia...

E aproximamos os nossos lábios...
Aproximo os meus lábios dos teus...
Passeamos ali... com frémito e tranquilidade...
O gesticular desejante das expressões múltiplas dos nossos lábios...
Gotejando o sabor delicioso da tua boca...
Na eternidade de um beijo...

E mordem-se...tocam-se...abraçam-se...
Os lábios húmidos e vocifrantes de ânsia, de sede, de fome... de nós....
E num instante...
Tu humidifica-los de novo...
Eu... também...
E sinto o teu perfume que me encanta e exalta e leva ao céu...
E os lábios tocam-se... novamente... e separam-se... e tocam-se... e afastam-se... e chocam...
E apertam-se...no segundo da respiração...
E respiramos a mesma respiração...
Respiramos o mesmo ar...
O mesmo ar que nos faz respirar e suspirar e amar...
Bebemos da mesma água...
E comemos do mesmo sabor...
E sentimos esse ar... e essa água... e esse alimento...
Ocupar o nosso corpo....
E a nossa alma...
Paulatinamente como um rio que chega ao mar...!

As línguas tocam-se....
E a textura é de uma maciez tal...
Que provoca a excitação da aura... e do infinito...universo dos sonhos por nós...
As nossas salivas... qual ambrósia divina... unem-se e conjugam-se num tempo presente...
Ao mesmo tempo... um tempo de sempre...
E transformam-se....
As nossas salivas fundem-se e misturam-se...originando um composto alquímico...genuíno...
Único, incomensurável, colossal...
E eu amo-te...
E tu suspiras...eu suspiro...
E sinto o ritmo cardíaco a aumentar... e a tua pele a arrepiar-se...
Veio o arrepio e a subtileza do desafio
De fazer-te sonhar...
De fazer-te...delirar...
Ali...na nossa noite...

E sinto o teu olhar...
Sinto o palpitar da emoção...
Sinto a energia do teu prodigioso, deslumbrante olhar...
E viajo em ti....
Viajo através dos teus olhos em mim...
Nos meus olhos por ti...
Através da sensualidade do teu corpo e da tua forma...
E toco-te todo o corpo...
E volto ao olhar...
Esses olhos...

E brilham...Esses olhos... luminosamente...
Cintilam com a fragrância do divino...
Como faróis que norteiam a distância entre a terra e o céu...
Entre as estrelas vibrantes e o luar na noite de um mar às escuras...
E corro-te todos os instantes...
E corro-te...cada centímetro do teu semblante...
Percorro-te todos os momentos, todos os espaços, todos os tempos...
Envolvendo-te com magia, sedução e poética...
A ti... mulher das estrelas...
Menina... quimera...utopia...
Amor... obra de arte... magia...
Genial asa esvoaçante...
Caravela navegante...
Jardim do Éden...excitante...
Que me abarca para lá de mim...
Fazendo-me lucidamente...
Louco... por ti...

E estamos ali...
Naquela sala... com a música a tocar...
E movemo-nos....
Dançamo-nos...
E explodimos...

As minhas mãos... na tua cintura...
Desvendam a textura da tua pele...
Revelando-lhe a temperatura...

E circundamos lagoas feitas de imaginação...
Desvendamos mistérios de sortilégio e adivinhação...
E visitamos todos os céus e estrelas imaginárias... naquela pista de dança..
E mergulho em ti...
Mergulhas em mim...
Numa confiança plena... comum...de mar salgado e doce...
De dois amantes...
Apaixonados...
E apaixonantes...

E os meus dedos...
Os meus dedos... em miragem...
Sobem o teu corpo...
E descem-no... em viagens constantes...
Intensas... sensuais...sonantes...
E toco-te....
Toco-te.. os ombros...
Beijo-te o pescoço... o queixo... e saboreio cada poro da tua pele... do teu ser...
E tu... tu... beijas-me...com intensidade...
E levas-me a uma excitação contínua... de deslumbre e eloquência...
E somos dois...
Somos dois...
Somos um...

E passo a passo...
Desaperto-te.... o vestido que te esconde...
E com os dedos suavemente.... dispo-te...
E tu... apertas-me contra ti...
E respiramos ardentemente....
As línguas torneiam-se e dançam... e fundem-se num só organismo....
E agarro-te...
Tu agarras-me....
E murmuro-te... o quanto te amo...
E tu....respiras fundo...
E tens os olhos fechados....
E o mundo aberto à minha espera....
E toco-te os seios....
Absorvo-te o cheiro...
Beijo-os...
Acarinho-os com doçura e carinho...
E seguimos...rumo ao quarto...
Toco-te...as nádegas...e as cuecas estão húmidas....
E amo-te... como nunca amarei ninguém...
E embarcamos numa união fenomenal...
Fazemos amor.... com os anjos celestes a tocarem as trombetas da magnitude e da felicidade...
Porque...estamos a cumprir quem nós somos...
E estamos a cumprir-nos um no outro...
E estamos unidos..
Dois organismos completamente unidos...
Eu dentro de ti...
Tu dentro de mim...
Amando...
Excitantemente e sumptuosamente...entregues um ao outro...
E tu soluças...e eu respiro...
E sinto ao mesmo tempo vontade de chorar e de rir de alegria extasiante...
E o teu gemido...
Ahhh..... o teu gemido..... enlouquece-me... totalmente...
É uma canção melodiosa...
Uma composição singular, perfeita...
Sentida por quem te vive...
E ama.... transdimensionalmente...

E somos duas almas....
Dois corpos nús...
Num quarto com cores feitas por nós...
E os nossos corpos ardem de quente...
A emoção rejubila...
A tremula aumenta...
O vibrante ritmo cantante dos corações agita-se e imensa-se...
E tu gemes....
E eu enlouqueço...
Tu enlouqueces-me....
E penetramo-nos um ao outro....
As nossas almas tornam-se numa força impensável...
Um uno etéreo, sublime e diáfano sentir...
Que comove de fascínio...até o nevoeiro mais denso da rua...
E... o ritmo aumenta...
O mundo parece não existir mais....
Parece que nada mais existe além de nós os dois....
Além dali...
E da nossa felicidade...

E surge o infinito...
A porta aberta do infinito...abre-se de par em par... no horizonte...
E tu sorris.... e as tuas expressões são... apaixonantes...
E uma lágrima cai do meu olhar...
Uma lágrima cai do meu olhar....
Dizendo-te... o quanto eu te quero....
E que és tudo para mim....

E essa lágrima conta a história do meu amar...
E tu sentes a minha alma a contar...
Tudo o que sou, o que fui, o que serei...
E sabes... sentes... a minha história toda...
Percebes que eu sou real...
E atingimos o clímax...ali...naquele momento...

Os nossos corpos movendo-se um sobre o outro...
Em movimentos incessantes... numa oscilação intérmina...
Prazeirosa... emocionante.... repleta...
E as minhas mãos enleadas nas tuas mãos...
Os teus cabelos presos entre os meus dedos...
Eu subo e desço sobre ti....
Estamos ali... e vibramos...ondulantes...os dois...
Como vagas de maré-cheia...
Que vêm e vão...
Decifrantes...
Dos nossos códigos...
Só nossos...
Tão nossos...
De fascínio e verdade...

Depois... o extase pleno....
E a explosão de energia...
Um orgásmico instante em que somos a própria eternidade...
Um só momento e fazemos parte da matéria mais etérea do universo...
Um gesto e somos transeuntes na transição entre o tempo e o não-tempo
Entre os universos paralelos da realidade e da irrealidade...
E a paz reina... e todo o mundo roda...
Ou talvez sejamos nós a rodar pelo universo inteiro...
Ali... em segundos... percorremos à velocidade da luz...
Todos os cenários visitados por nós...
Todos os lugares bonitos...
Os momentos perfeitos...
E os instantes perdidos...
Ali...
Naquele instante...
Somos um só...
Eterno fulgor...
E eu pergunto-te... : estás bem?
E tu... suspiro... acenas que sim...

Eu digo-te... ao ouvido...
Que eterno estarei sempre ali...
E que te amo...
Que vivo, creio e respiro...
Excelsamente amando-te...
Assim...

Para sempre...
Excelsamente amando-te....


Pedro Campos

Quando me sento...



Quando me sento aqui
Com os olhos abertos ou fechados
Vejo os momentos perfeitos, inteiros, abraçados
Vejo as noites contigo
Os dias unidos
As lágrimas dispersas
As portas abertas
Os teus vestidos....

Quando me sento aqui
Sei que estou sozinho
Ao meu lado já não estás tu chamando por mim
Nem a tua voz...
Nem o teu sorriso...
Nem a onda daquele mar... que nos abraçou assim...
Cintilando em ti...
Navegante em ti...
Amante... em ti...
E tu.... em mim... imensidão...
Totalidade de nós em sublimação

Somos fascinação imensurável na eloquência da vida...
Que nos desperta dedo a dedo, passo a passo...
A dança natural do amor pleno e da emoção sentida...
Em nós...!

Quando me sento aqui...
Faltas-me sempre tu
E aumenta o vazio....
Entre mim e lugar nenhum...
Entre as tuas mãos e o meu peito...
Entre os teus seios e o meu sonho...
Entre a tua seiva e o rio timbrado
A arco-íris da nossa sensibilidade comum...

E existe nestas palavras que aqui faço
A angústia que ficou
E a esperança de quem luta e lutou...
O sonho de quem continua a acreditar...

E quando fecho a porta
Ou quando abro a janela
Fico senhor deserto do meu sonho
E a ausência de ti... sibila em mim
A ânsia do teu regresso...
Ao banco do nosso jardim....
Que ficou perplexo...
Quando partiste para londe daqui....!

E...
Choro...
As lágrimas caiem no chão
E forma-se uma lagoa...
De saudades de ti....

E essa água...
Toda ali contida...
Revolve as profundezas do meu ser...
E do sentido que tenho da vida...

E deixa-me perdido....
Fico absortamente perdido
Nesse sentir pendido entre a penumbra e a cor...
Essa vontade enorme de que estivesses aqui
E a raiva... de não conseguir... que estejas aqui...!

E o cenário não é mais o mesmo...
Nem as escadas...
Nem os cheiros...
Nem as paredes...
Nem as pessoas...
Nem as salas...
Nem os segredos...
E os códigos...
... Os códigos
Essas cifras intemporais dos momentos
Desapareceram do nosso dia-a-dia
De nós os dois...
Não para sempre...
Mas como uma longa ausência distante...
Com a espera de um regresso, um dia...

Quando me sento aqui...
Sobra-me a solidão
E o medo, a dor e a saudade
Queimam-me as unhas do espírito
Os dedos do peito
As mãos do coração...

E os sentidos...
As emoções...
Tudo isso mudou...

E os gestos...
Os momentos da nossa terna cumplicidade...
Tudo isso... mudou...

Tudo isso deixou de ser as horas dos nossos dias
E nós deixámos de ser
Aqueles nós que fomos ontem
Que se acompanhavam plenamente nos corredores de madeira
E se amam ternamente
Na loucura lúcida de viver a sonhar
De rir e brincar...
Com a certeza de que isto que sinto é para a vida inteira...

Inteira...
Em mim
Quando me sento ou não sento
Nesta cadeira perpétua...
À espera de ti...


Pedro Campos

Hoje é tempo...



Hoje é tempo
De abandonar as amarras do medo
E soltar as barcaças de epopeia
Que somos nós...
Amando... assim...
E navegando com a coragem no coração...

Hoje, é instante perto do peito
E vamos nesse instante
Soltar todos os medos e todos os segredos
E vamos unir as mãos sem medo dos olhos dos outros
Sem medo que as montanhas se agitem
Ou que o chão estremeça
Ou que o vulcão expluda
Ou que o vento se esqueça
Porque eu sou lembrança, amo-te... e lutarei para que esse amor vença..

Hoje, quero dizer-te uma vez mais o que sinto
Uma vez mais esse engenho profundo que revolve o meu ser
Essa energia que transforma o querer em viver
E me faz todo em ti...
E me faz uno... completo e feliz... por ti...

Hoje, sinto como ontem e como amanhã
As saudades do teu beijo, da tua boca...
Da textura aveludada da tua saliva...
E do teu sabor... salgado...profundo... doce...

Hoje, sinto como sempre...
As saudades de ti...
As saudades de nós...
As saudades do amor... do instante... do desejo... da amizade...
As saudades de estarmos unidos como um só organismo
Uma só espiritualidade...
Eterna... ali...

Hoje, fecho uma vez mais os olhos
E adormeço... mais uma vez... imaginando-te comigo...
E sentindo... no mais profundo do meu sonho... o teu calor...
Adormeço a desejar... acordar... junto de ti
Apenas e só...junto de ti...
Meu amor...

De ti..
Eterno fulgor...


Pedro Campos

Multidão indefinida


Multidão Indefinida


Desembrulhei as pedras azuis
Essas pedras feitas de sonhos
Frias, gélidas, lisas
Com textura cremosa e tempo indefinido...

Com languidez, desfiz de novo as rotas traçadas no mapa desigual
Com perpetuidade...omiti o medo e ofusquei num relance... a timidez...
Com ternura...decifrei a cor do teu rosto...
E compus com palavras...
A força do meu profundo sentimento por ti...

Às vezes não me conheço...
Às vezes sou mesmo, talvez, quem sabe... uma seara deserta de vida...
Um abismo ancestral... aberto para o obsoleto concentrado do universo...

Às vezes... não sei quem conto em mim...
Um infinitesimal aglomerado de personagens vãs... caladas e sigilosas...
Que o medo e a saudade faz despertar aqui...

Uma multidão indefinida...
Que caminha dentro de mim...


Pedro Campos