Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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Só Tu... Para sempre Tu...


Só Tu... Para sempre Tu...


Olha para mim... meu amor...
Olha para mim... e sente-me...
Entende-me no equilíbrio ténue da voz...
Penetra o teu olhar fundo em mim
E absorve-me, diluído e imenso como um todo...
Vago e perpétuo...como o universo
Cúmplice e secreto... como o que te segredo ao ouvido...
Indizível... e completo... como o que sinto...
Em ti...
Por ti...

Olha para mim... fascinação...
Decifra os gradientes que pintam o dentro do meu dentro...
E saboreia os ritmos do meu corpo...
Lambe as gotas húmidas do meu olhar...
O timbre alto e ébrio do meu grito..
Sacode a saliva dispersa do meu voar...
E leva-me contigo...
Leva-me contigo...
... Para onde quer que vás...
... Para onde quer que estejas...
... Para esse lugar de infinito...
Que há em ti...

Ouves-me?
Consegues compreender o que te digo?
Escutar o que falo...?
Sentir o que sinto...? O que peço?

Olha para mim... assim...
E vê-me nú, despido...aberto...
Entregue a ti...
Desperto...
Disposto a sonhar...
Com coragem para amar...
E vontade de caminhar... neste empedrado... celeste...
Que é o caminho para ti...
Em ti...
Por ti...

Eu sinto-te... e conheço cada instante do teu sorriso...
Entendo cada espaço do teu olhar...
Cada luz do teu sonhar...
E nesse latejar imenso...
Pulso em ti...etéreo...
No deleite lúbrico, autêntico, perfeito...
De te amar...

De te amar...
Tão profundamente quanto a fundura excessiva que há no existir...
Tão perdidamente quanto a insanidade louca, original, sapiente e lúcida...
Que há no... estar aqui...

Ouves-me...?
Entendes o que te conto...? O que te digo...?
Vislumbras a cor amante da minha alma?
O dilúvio colossal da paleta de cores que esboça um semblante imensurável de ternura e prazer...?
Vês...? Ouves?... Sentes...?
O bater trémulo do peito...
O excesso insistente e dedicado
Com que cresce essa lagoa azul
Perdida entre os canaviais do sonho...
Que somos nós...

Responde-me...
Docemente singela...
Rainha do cosmos...

Responde-me...

E quero-te...
Quero-te mais do que o querer sustém...
E quero-te feliz... harmoniosa e sorridente...
Quero-te louca, lúcida, excitada, contente, febril, emergente...
Sedutora... seduzida... voluptuosa...crente em nós... crente em ti...
Enfim... crente...

Quero que corras...
Que andes e corras por caminhos desconhecidos...
Como um descobridor de terras sem fim, para além do horizonte...
E que avances... que lutes...
Que avances e lutes... por ser feliz...

Que saltes e grites... e cantes e rias e chores... e ames...
A natureza... as árvores... as flores... os animais... os rios,... os mares... os oceanos infinitesimais... e mais... muito mais....
Muito mais dentro de nós... dentro de ti...
Paisagens sem nome....
Nomes sem paisagem...
E templos de cor...

Quero que ames... a própria vida...
Como um segredo único e sublime que se nos revelou...

Quero que te deleites com o amanhecer e o pôr-do-sol...

Cada momento que passamos juntos...
Que sonhamos juntos...
Que rimos juntos...
Que choramos juntos...
Que vivemos... juntos...
E que te delicies com os seus cheiros repletos de eternidade...

Quero que mores...
Que mores nos meus sonhos e nos meus instantes mais infímos...
E que estejas em todas as palavras de poesia e contemplação...
Que eu ou alguém possa vir a escrever, a compor, a criar...
A imaginar...

Quero que sejas capaz de rir-te docemente...
Com esse sorriso capaz de transformar o mundo no seu mais gélido momento...
Numa fogueira de paixões e entusiasmos ardentes que glorificam tudo...
E que fazem do devir... uma ideia sem fundamento...
Porque...nos olhos do teu olhar... vistos pelo meu olhar...
Tu transmutaste-te... com serenidade...
Numa exalantemente perfumada eternidade...
Essa eternidade...
Que és toda tu para mim...
Tu...
Só tu... para mim...

E quero-te... por completo...
Que sejas tu própria... sem zonas restritas no pensamento...
E que te entregues à vida... como eu me entrego a ti...
Que sejas...dolente e contente, explosão imensa, raios de sol, cintilância efusiva do amanhecer...
Passos de corça, voo de mariposa, andorinha equidistante, sacudir de pluma, divagante de emoção... fénix absoluta e ardente...
Apaixonante... e brilhante...
Livre e mareante...
Perfeita e singela...
Como já és...

E quero...
Quero que percorras o perto e o longe... como o vento...
E que sintas o sonho e a miragem...
Como sentes o baton fugir-te nos teus lábios...
Quando são tocados encantadamente pelos meus...
E as tuas mãos nas minhas...
Os teus dedos nos meus dedos...
E o carro... nós no carro...
E os vidros nublados...
E o infinito lá fora...
Somos nós ali dentro...
Naquele amanhecer dourado...
Distantes de tudo e de todos...
Com o areal imenso à nossa volta...

E amo-te.... meu amor... amo-te...

E quero-te...
... Serena, ebúrnea, estridente, cúmplice... provocante... aliciante... e confidente...

E sonho-te...
Sonho-te... com cada grão de força que há no cosmos...
Com cada aura desperta de magia e deslumbre...
Que possas ser.... tu.... só tu... o meu amor...

O meu doce amor...
Só tu...
Para sempre...tu..
Minha eternidade...

Amo-te...



Pedro Campos


Mais um poema sobre nós... e uma breve síntese de quem somos... em forma de versos...

«(...)

Olha para mim...meu amor
Quis a conjugação do tempo e do espaço
Num ifninitesimal momento
Que eu fosse o Poeta e tu a Cinderela
E a nossa história fosse...
Como todas as histórias de amor...
Encantada e plena de nós...
É isso que nós somos...
O Poeta e a Cinderela...
Que se amam...

(...)»

Chão... frio... ausência...



Chão...frio... ausência...


Chão...frio...ausência...
Levanto-me do chão com frio
Sinto a ponta dos dedos gelada e sem força
E a força sem gestos para lhe dar forma...
E cresço... assemelho-me à fase Lunar que antecede a Lua Cheia...
E evaporo-me nos relâmpagos alienados deste universo...
E sinto que estou a perder o passo...
Que pouco a pouco...deixo-me sentir a ausência...
De um mundo tão redutor...
Ao tempo e espaço...
À ausência de sonhos...
E expressão indiferente de sabor...
No caminho lutador
Do pastor poeta... sonhador...
Adormecido no seu sorriso
Terno..
De pequeno homem
Ou enorme criança...


Pedro Campos

De inverno


Fecho os olhos nesta noite
Fecho as mãos
Estou de cócoras em mim
Chorando o vazio...

Talvez esta noite seja somente
O princípio do dia de amanhã
Talvez este rosto seja docemente
A ternura de liberdade que jamais...
Será minha...

E os dedos caiem
As máscaras desmoronam-se
E o peito arde em chama viva

Talvez já não exista nada de mim em mim
E o teu rosto seja somente penumbra de um nevoeiro
De Inverno... que perdi...


Pedro Campos

Excelsamente amando-te



Excelsamente Amor


Já se ouve a música a tocar...aqui...
Os nossos sons...
As nossas melodias...
As nossas músicas...
Companheiras do nosso amor e da nossa história...
Fazem-se testemunhas presentes
Da nossa emoção e intensidade sagradas...
De excelsamente querer-te e sonhar-te...
Até à eternidade mais longínqua de mim....

Tu estás semi-nua...
A luz das velas toca-te suavemente...
E o teu corpo absorve essa luminosidade...
Como uma regata imensa... repleta de vida...

Num ambiente de desejo e imaginação...
Realçam-se os teus olhos...
Realçam-se as tuas formas sumptuosas e ardentes...
E os teus sonhos... nos meus sonhos...
A tua alma... no meu tempo...
Num misto de doçura e fragilidade eloquente...
Que ecoam no ar como um sopro cândido de inocência e delicadeza
Uma ternura extasiante...
Um sentido direccionado para o infinito mais profundo...
Que atinjo dentro de mim...
Amando-te...
Excelsamente assim...

E apaixono-me cada vez mais...
Cada vez mais... aprofundadamente...
Ao centro do dentro de mim...!

E levantas-te...
Eu acompanho os teus movimentos subtis de encanto...
E entregamos as mãos um ao outro...
Entregamos as nossas ansiedades, medos e desejos..
Numa cumplicidade que só na nossa sensibilidade arrebatada...
Pode acontecer...

E no ar...
No ar... a música toca os nossos beijos e abraços...
E tu...
Tu... moves o rosto com delicadeza... sedução...entusiasmo...
E eu sigo o teu rosto....
Sigo o teu sorriso...
Sigo-te... na luz e na sombra que se fazem ali...
Sigo-te...
Quero-te...
Seguindo-me em direcção ao perene momento da existência feliz...
Que és tu...
Que és tu... aparição etérea...
Estremecendo... em mim....
Sou penetrantemente feliz... contigo...

E os teus lábios...
Os teus lábios... brilham na noite
Os teus olhos... elevam-se e possuem-se de cor...
E o teu corpo vibra...
E o meu gesticula o querer-te
Excelsamente amando-te...

E dançamos...
Dançamos...
Seguimos nas ondas daquele mar
O ritmo do peito sentindo impressionantemente
A loucura lúcida daqueles momentos...
Daqueles momentos em que não há palavras para descrever...
Em que tudo transcende a restrita dimensão do que dizemos... do que somos...
Quando tentamos escrever...destilando... o que sentimos...
O indescrítvel e indizível da nossa verdade...

E...
Deslizamos no chão...
Despidos entre as paredes... e um tecto sem rosto...
Os nossos pés... pouco a pouco...
Parecem querer elevar-se sob o céu daquele oceano...
E eu...
Eu deixo de ter medo....
E vivo-te...
Abraço-te...
Sublimemente sou eterno em ti....
E as mãos agitam-se...
Seguro-te...
Tu seguras-me...
Aperto-te a mão com força...
Apertamos os nossos corpos um contra o outro
Como as ondas que embatem nos rochedos da nossa praia...

E aproximamos os nossos lábios...
Aproximo os meus lábios dos teus...
Passeamos ali... com frémito e tranquilidade...
O gesticular desejante das expressões múltiplas dos nossos lábios...
Gotejando o sabor delicioso da tua boca...
Na eternidade de um beijo...

E mordem-se...tocam-se...abraçam-se...
Os lábios húmidos e vocifrantes de ânsia, de sede, de fome... de nós....
E num instante...
Tu humidifica-los de novo...
Eu... também...
E sinto o teu perfume que me encanta e exalta e leva ao céu...
E os lábios tocam-se... novamente... e separam-se... e tocam-se... e afastam-se... e chocam...
E apertam-se...no segundo da respiração...
E respiramos a mesma respiração...
Respiramos o mesmo ar...
O mesmo ar que nos faz respirar e suspirar e amar...
Bebemos da mesma água...
E comemos do mesmo sabor...
E sentimos esse ar... e essa água... e esse alimento...
Ocupar o nosso corpo....
E a nossa alma...
Paulatinamente como um rio que chega ao mar...!

As línguas tocam-se....
E a textura é de uma maciez tal...
Que provoca a excitação da aura... e do infinito...universo dos sonhos por nós...
As nossas salivas... qual ambrósia divina... unem-se e conjugam-se num tempo presente...
Ao mesmo tempo... um tempo de sempre...
E transformam-se....
As nossas salivas fundem-se e misturam-se...originando um composto alquímico...genuíno...
Único, incomensurável, colossal...
E eu amo-te...
E tu suspiras...eu suspiro...
E sinto o ritmo cardíaco a aumentar... e a tua pele a arrepiar-se...
Veio o arrepio e a subtileza do desafio
De fazer-te sonhar...
De fazer-te...delirar...
Ali...na nossa noite...

E sinto o teu olhar...
Sinto o palpitar da emoção...
Sinto a energia do teu prodigioso, deslumbrante olhar...
E viajo em ti....
Viajo através dos teus olhos em mim...
Nos meus olhos por ti...
Através da sensualidade do teu corpo e da tua forma...
E toco-te todo o corpo...
E volto ao olhar...
Esses olhos...

E brilham...Esses olhos... luminosamente...
Cintilam com a fragrância do divino...
Como faróis que norteiam a distância entre a terra e o céu...
Entre as estrelas vibrantes e o luar na noite de um mar às escuras...
E corro-te todos os instantes...
E corro-te...cada centímetro do teu semblante...
Percorro-te todos os momentos, todos os espaços, todos os tempos...
Envolvendo-te com magia, sedução e poética...
A ti... mulher das estrelas...
Menina... quimera...utopia...
Amor... obra de arte... magia...
Genial asa esvoaçante...
Caravela navegante...
Jardim do Éden...excitante...
Que me abarca para lá de mim...
Fazendo-me lucidamente...
Louco... por ti...

E estamos ali...
Naquela sala... com a música a tocar...
E movemo-nos....
Dançamo-nos...
E explodimos...

As minhas mãos... na tua cintura...
Desvendam a textura da tua pele...
Revelando-lhe a temperatura...

E circundamos lagoas feitas de imaginação...
Desvendamos mistérios de sortilégio e adivinhação...
E visitamos todos os céus e estrelas imaginárias... naquela pista de dança..
E mergulho em ti...
Mergulhas em mim...
Numa confiança plena... comum...de mar salgado e doce...
De dois amantes...
Apaixonados...
E apaixonantes...

E os meus dedos...
Os meus dedos... em miragem...
Sobem o teu corpo...
E descem-no... em viagens constantes...
Intensas... sensuais...sonantes...
E toco-te....
Toco-te.. os ombros...
Beijo-te o pescoço... o queixo... e saboreio cada poro da tua pele... do teu ser...
E tu... tu... beijas-me...com intensidade...
E levas-me a uma excitação contínua... de deslumbre e eloquência...
E somos dois...
Somos dois...
Somos um...

E passo a passo...
Desaperto-te.... o vestido que te esconde...
E com os dedos suavemente.... dispo-te...
E tu... apertas-me contra ti...
E respiramos ardentemente....
As línguas torneiam-se e dançam... e fundem-se num só organismo....
E agarro-te...
Tu agarras-me....
E murmuro-te... o quanto te amo...
E tu....respiras fundo...
E tens os olhos fechados....
E o mundo aberto à minha espera....
E toco-te os seios....
Absorvo-te o cheiro...
Beijo-os...
Acarinho-os com doçura e carinho...
E seguimos...rumo ao quarto...
Toco-te...as nádegas...e as cuecas estão húmidas....
E amo-te... como nunca amarei ninguém...
E embarcamos numa união fenomenal...
Fazemos amor.... com os anjos celestes a tocarem as trombetas da magnitude e da felicidade...
Porque...estamos a cumprir quem nós somos...
E estamos a cumprir-nos um no outro...
E estamos unidos..
Dois organismos completamente unidos...
Eu dentro de ti...
Tu dentro de mim...
Amando...
Excitantemente e sumptuosamente...entregues um ao outro...
E tu soluças...e eu respiro...
E sinto ao mesmo tempo vontade de chorar e de rir de alegria extasiante...
E o teu gemido...
Ahhh..... o teu gemido..... enlouquece-me... totalmente...
É uma canção melodiosa...
Uma composição singular, perfeita...
Sentida por quem te vive...
E ama.... transdimensionalmente...

E somos duas almas....
Dois corpos nús...
Num quarto com cores feitas por nós...
E os nossos corpos ardem de quente...
A emoção rejubila...
A tremula aumenta...
O vibrante ritmo cantante dos corações agita-se e imensa-se...
E tu gemes....
E eu enlouqueço...
Tu enlouqueces-me....
E penetramo-nos um ao outro....
As nossas almas tornam-se numa força impensável...
Um uno etéreo, sublime e diáfano sentir...
Que comove de fascínio...até o nevoeiro mais denso da rua...
E... o ritmo aumenta...
O mundo parece não existir mais....
Parece que nada mais existe além de nós os dois....
Além dali...
E da nossa felicidade...

E surge o infinito...
A porta aberta do infinito...abre-se de par em par... no horizonte...
E tu sorris.... e as tuas expressões são... apaixonantes...
E uma lágrima cai do meu olhar...
Uma lágrima cai do meu olhar....
Dizendo-te... o quanto eu te quero....
E que és tudo para mim....

E essa lágrima conta a história do meu amar...
E tu sentes a minha alma a contar...
Tudo o que sou, o que fui, o que serei...
E sabes... sentes... a minha história toda...
Percebes que eu sou real...
E atingimos o clímax...ali...naquele momento...

Os nossos corpos movendo-se um sobre o outro...
Em movimentos incessantes... numa oscilação intérmina...
Prazeirosa... emocionante.... repleta...
E as minhas mãos enleadas nas tuas mãos...
Os teus cabelos presos entre os meus dedos...
Eu subo e desço sobre ti....
Estamos ali... e vibramos...ondulantes...os dois...
Como vagas de maré-cheia...
Que vêm e vão...
Decifrantes...
Dos nossos códigos...
Só nossos...
Tão nossos...
De fascínio e verdade...

Depois... o extase pleno....
E a explosão de energia...
Um orgásmico instante em que somos a própria eternidade...
Um só momento e fazemos parte da matéria mais etérea do universo...
Um gesto e somos transeuntes na transição entre o tempo e o não-tempo
Entre os universos paralelos da realidade e da irrealidade...
E a paz reina... e todo o mundo roda...
Ou talvez sejamos nós a rodar pelo universo inteiro...
Ali... em segundos... percorremos à velocidade da luz...
Todos os cenários visitados por nós...
Todos os lugares bonitos...
Os momentos perfeitos...
E os instantes perdidos...
Ali...
Naquele instante...
Somos um só...
Eterno fulgor...
E eu pergunto-te... : estás bem?
E tu... suspiro... acenas que sim...

Eu digo-te... ao ouvido...
Que eterno estarei sempre ali...
E que te amo...
Que vivo, creio e respiro...
Excelsamente amando-te...
Assim...

Para sempre...
Excelsamente amando-te....


Pedro Campos

Quando me sento...



Quando me sento aqui
Com os olhos abertos ou fechados
Vejo os momentos perfeitos, inteiros, abraçados
Vejo as noites contigo
Os dias unidos
As lágrimas dispersas
As portas abertas
Os teus vestidos....

Quando me sento aqui
Sei que estou sozinho
Ao meu lado já não estás tu chamando por mim
Nem a tua voz...
Nem o teu sorriso...
Nem a onda daquele mar... que nos abraçou assim...
Cintilando em ti...
Navegante em ti...
Amante... em ti...
E tu.... em mim... imensidão...
Totalidade de nós em sublimação

Somos fascinação imensurável na eloquência da vida...
Que nos desperta dedo a dedo, passo a passo...
A dança natural do amor pleno e da emoção sentida...
Em nós...!

Quando me sento aqui...
Faltas-me sempre tu
E aumenta o vazio....
Entre mim e lugar nenhum...
Entre as tuas mãos e o meu peito...
Entre os teus seios e o meu sonho...
Entre a tua seiva e o rio timbrado
A arco-íris da nossa sensibilidade comum...

E existe nestas palavras que aqui faço
A angústia que ficou
E a esperança de quem luta e lutou...
O sonho de quem continua a acreditar...

E quando fecho a porta
Ou quando abro a janela
Fico senhor deserto do meu sonho
E a ausência de ti... sibila em mim
A ânsia do teu regresso...
Ao banco do nosso jardim....
Que ficou perplexo...
Quando partiste para londe daqui....!

E...
Choro...
As lágrimas caiem no chão
E forma-se uma lagoa...
De saudades de ti....

E essa água...
Toda ali contida...
Revolve as profundezas do meu ser...
E do sentido que tenho da vida...

E deixa-me perdido....
Fico absortamente perdido
Nesse sentir pendido entre a penumbra e a cor...
Essa vontade enorme de que estivesses aqui
E a raiva... de não conseguir... que estejas aqui...!

E o cenário não é mais o mesmo...
Nem as escadas...
Nem os cheiros...
Nem as paredes...
Nem as pessoas...
Nem as salas...
Nem os segredos...
E os códigos...
... Os códigos
Essas cifras intemporais dos momentos
Desapareceram do nosso dia-a-dia
De nós os dois...
Não para sempre...
Mas como uma longa ausência distante...
Com a espera de um regresso, um dia...

Quando me sento aqui...
Sobra-me a solidão
E o medo, a dor e a saudade
Queimam-me as unhas do espírito
Os dedos do peito
As mãos do coração...

E os sentidos...
As emoções...
Tudo isso mudou...

E os gestos...
Os momentos da nossa terna cumplicidade...
Tudo isso... mudou...

Tudo isso deixou de ser as horas dos nossos dias
E nós deixámos de ser
Aqueles nós que fomos ontem
Que se acompanhavam plenamente nos corredores de madeira
E se amam ternamente
Na loucura lúcida de viver a sonhar
De rir e brincar...
Com a certeza de que isto que sinto é para a vida inteira...

Inteira...
Em mim
Quando me sento ou não sento
Nesta cadeira perpétua...
À espera de ti...


Pedro Campos

Hoje é tempo...



Hoje é tempo
De abandonar as amarras do medo
E soltar as barcaças de epopeia
Que somos nós...
Amando... assim...
E navegando com a coragem no coração...

Hoje, é instante perto do peito
E vamos nesse instante
Soltar todos os medos e todos os segredos
E vamos unir as mãos sem medo dos olhos dos outros
Sem medo que as montanhas se agitem
Ou que o chão estremeça
Ou que o vulcão expluda
Ou que o vento se esqueça
Porque eu sou lembrança, amo-te... e lutarei para que esse amor vença..

Hoje, quero dizer-te uma vez mais o que sinto
Uma vez mais esse engenho profundo que revolve o meu ser
Essa energia que transforma o querer em viver
E me faz todo em ti...
E me faz uno... completo e feliz... por ti...

Hoje, sinto como ontem e como amanhã
As saudades do teu beijo, da tua boca...
Da textura aveludada da tua saliva...
E do teu sabor... salgado...profundo... doce...

Hoje, sinto como sempre...
As saudades de ti...
As saudades de nós...
As saudades do amor... do instante... do desejo... da amizade...
As saudades de estarmos unidos como um só organismo
Uma só espiritualidade...
Eterna... ali...

Hoje, fecho uma vez mais os olhos
E adormeço... mais uma vez... imaginando-te comigo...
E sentindo... no mais profundo do meu sonho... o teu calor...
Adormeço a desejar... acordar... junto de ti
Apenas e só...junto de ti...
Meu amor...

De ti..
Eterno fulgor...


Pedro Campos

Multidão indefinida


Multidão Indefinida


Desembrulhei as pedras azuis
Essas pedras feitas de sonhos
Frias, gélidas, lisas
Com textura cremosa e tempo indefinido...

Com languidez, desfiz de novo as rotas traçadas no mapa desigual
Com perpetuidade...omiti o medo e ofusquei num relance... a timidez...
Com ternura...decifrei a cor do teu rosto...
E compus com palavras...
A força do meu profundo sentimento por ti...

Às vezes não me conheço...
Às vezes sou mesmo, talvez, quem sabe... uma seara deserta de vida...
Um abismo ancestral... aberto para o obsoleto concentrado do universo...

Às vezes... não sei quem conto em mim...
Um infinitesimal aglomerado de personagens vãs... caladas e sigilosas...
Que o medo e a saudade faz despertar aqui...

Uma multidão indefinida...
Que caminha dentro de mim...


Pedro Campos

Nunca existi...


Eu... Nunca existi...


Abro a tampa da caneta...
Sobre a secretária a vela acesa...dança...
Ao som de uma música que não oiço...
Mas que bate dentro de mim...
Incessantemente... divagante... e luxuriante...

Na velha madeira rabiscada e rasgada pelo tempo...
Jaz um velho caderno de retalhos de poemas...
Que quase se suicida na noite
Quando quase cai no abismo do fim da largura da base de escrita....
Ali... a meio metro do chão arenoso de pensares e sentires...
Situado na planície evidentemente alheia ao existir

Girando em meu redor...
Um ruído de cansaço percorre os becos da casa...
E em todo o lado se ouve o eco da lágrima que cai...
Desprendida do silêncio... no ar...
Gera a angústia absurda...
De acordar sem saber onde se está...
Quem se é...
O que se sente...

E aturdido de mim...
Esboço na plateia ausente...
Mais uma vez a tentativa vã e louca de expressar num verso...
Toda a mistura eloquente de emoções que fermenta aqui

E sem saber-me de mim...
Debruço-me na praia... lembrada no fim...
Daquela tarde junto ao mar...
Em que sentados na areia...
Jantámos a substância poética das nossas almas...
Essa que nos nutriu...
Essa que me fez sonhar...
E acreditar... só...
Acreditando... crendo e desejando...
Que fossemos nós...
Nas diferentes pontes entre o céu e a terra...
Sempre nós...

Que...Entre nós os dois...
Nunca deixássemos de ser nós...
Que entre princípio e continuidade...
Nunca pensássemos num fim...
Que entre pensar, dizer e fazer...
Nada se sucedesse...num diferente rumo...a revelar...
Ou a esconder...

Talvez...
Sentado...aqui nesta cadeira de ontem...
Com o tempo a morder-me as unhas do vento...
O mundo me vá preparando para partir...

Sim...porque os sonhadores também partem...
Algures... em algum momento...
Partirão... partirei...
Para um lugar de ninguém...

Talvez...
Hoje...esteja quedado em mim...
Sem a mesma força de outros tempos...
Sem o mesmo sorriso...
Sem a mesma fé...
E sem o mesmo Ser...
Sem o mesmo Eu... que fui....
Que me fez acontecer...

Talvez...
Nesta secretária de madeira rugosa...
Eu largue no instante quem sou...
E me prepare...
Para largar... quem fui...
Quem serei...
Quem poderia ter sido...
Ali... ao raiar do dia...

Ali... ao raiar do dia...
Só pó brilhando ao sol...
Cortinados ao vento...
Chuva miúda que inunda a serra...
E deriva para o mar...
Tornado...cascata...
De tornados de sentir
E vulcões de carpir...
Gaivotas gracejando...
Silvos de memória...
Do tempo perdido...
O aglutinado instante amordaçado...
Do grito suspenso pelo que se poderia ter vivido...
E não viveu...
Pelo que se poderia ter sido...
E não aconteceu...

E aí...
Quando as gaivotas todas...
Esvoaçarem no voo da despedida...
E as outras aves... silvarem com elegância... na trombeta... da sala marmórea e inquieta...do sublime ascender...
Aí... será o sinal que dirá...
Que como elas...
Também eu voei...
Também eu voei... para longe...
Para muito longe daqui...

E aí...
Quando os meus dedos realçarem a superfície profunda e misteriosa da escrita...
E adormecerem já sem sentir nada...
Mais nada do nada total do sentir...
O quente ou o frio...
O seco ou o húmido...
A dor ou o indolor...
Aí... Adormecerão...
Como eu... Adormeci...

Já sem sentir...
Já sem sentir...
O crepúsculo de ser-me eu...
Para além da aurora de agir
O ser acontecido...
O ter-me acontecido...
Sem fingir...
Como me conheci...

E aí...
Olharei para trás....
E tudo terá sido um sonho...
Que por razão inexplorável... ou alucinação...
Nunca aconteceu...
Aí... A caneta... a vela... o corpo quente...
A chama... a secretária de madeira...
O perfume... a magia... e até o silêncio estridente...
Bem... tudo isso... terá sido breve imaginação...
E eu...
Eu...
Percebo que nunca existi...
Apenas alguém me inventou...
Como eu me imaginei aqui...

Nunca existi...
Fui a prosa elevada de um inventor
Que criou com palavras...
A tarefa impossível de expressar na plenitude... o sentido do amor...

Do amor...
Que esse eu inventado...
Sente e sentirá sempre por ti...

Por ti...



Pedro Campos

Amanheceres...



É cedo
À minha frente vejo um retrato do ontem
O sol reflectindo o seu brilho no Tejo
A estrada inteira à minha frente
Como um desafio a vencer
Todos os dias...
De todas as manhãs...
A todo o instante...

Revejo ali... num relance...
Todos os sítios... espaços e tempos...
Todos os lugares marcados por nós na memória
Todos os instantes... gestos... sussurros...
E emociono-me com a dimensão transcendente...
De tudo...
De tudo... o que fomos... somos...
Queremos ser...

E esses lugares
Essas paisagens do sonho...
Vão passando vertiginosamente face a face...
Ao meu lado...
Por mim...
E no rosto...
No resto que sobra do meu rosto...
Aninham-se as lágrimas saudosistas
De tudo o que passou...
Que a pouco e pouco, paulatinamente...
Encontraram um espaço próprio..
Esculpiram um leito seu...
Só seu...
No rosto do meu rosto....
Ao espelho...

Sei...
Tudo passa... ou quase tudo...
Mas... houvesse liberdade pura..
E hoje seria o ontem que findou
Hoje seria em mim nascida...
A esperança que voou
Seria em mim plena e cristalina...
A lagoa que explodiu
O arco-íris que se derramou
Na toalha húmida e fria
Das nuvens de algodão salgado...
Precipitado de angústia..
Ali...
Nesses amanheceres...
Sem ti...

Tristes...
Sem ti...

Doridos...
Sem ti...

Ali....
Amanheceres...


Pedro Campos

Sigo o meu caminho...



Sigo o meu caminho
Ruas desertas
Mãos despertas
Para o amanhã do mundo

Cada passo que dou
É uma asa que rasga o céu
Num movimento de vazio
Que dá cor ao nevoeiro presente

E sinto...uma imagem visionária do ontem
Cálculo no silêncio as manobras das borboletas
Que percorrem mil flores para habitar uma só

E rio...sob o paradigma da manhã
Sou gesto destituído de força
Mas em mim tenho a força de querer ter gesto no amanhã...
Que somos nós...

Nós...


Pedro Campos