Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

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O fim do caminho


O fim do caminho


Sinto-me perto do fim
Sinto-me longe de mim

Sinto o vento feroz seduzir-me a face
A pele arrepia-se até à medula
E o tempo rarefaz a minha dor...

É como se num momento
Deixasse de ser um velho fardo de palha cansado e seco
E passasse a possuir a leveza de não estar mais aqui

É como... se nesse instante
Absorvesse toda a lucidez do universo
E descortinasse que o meu caminho
Está a chegar ao fim...

Sim...
Ali.. está...
O fim do caminho...
Aquele em que me deito e sinto-me sozinho
Aquele em que vejo as mãos enrugarem-se com a humidade extrema das lágrimas que verto.. que verti...
E chego... sempre... por mais voltas que dê...
Ao fim do caminho...

Sei... que não me é permitido modificar o fado
Sei... que não posso utilizar a alquimia para o fazer...
E assim... sem poder alterar a minha rota
Sem ser capaz de modificar o meu destino...
Acabo... ali...
Findo ... ali... a minha história...
Ali...
Junto do fim do caminho...

O fim do caminho...

Pedro Campos

Alucinação


Alucinação...


Percorro a estrada à velocidade da luz
O tempo parece remover-se do silêncio
E o silêncio assemelha-se a uma onda de infinito
Que absorve o impacto do som do vento
Ali... na infinitesimal estruturação sublimada do sentimento
O extase.... de uma alucinação...

As imagens que os meus olhos vêem
Tornam-se turvas... dissipadas... envolventes... distorcidas
O corpo arrepia-se... e um calor fulgorante percorre cada gota do meu sangue fervilhante
Causando... dor... calor... e um frio inesperado... que queimando gelidamente
Me faz suar desesperadamente...
Por todos os poros
Em cascatas de mim

O sangue transparente da minha alma
Que se diluí no fim...
Enfeita de emoção o clímax da ilusão
Que acontece... diluindo na boca o sabor
Que a vida... me provoca num apogeu psicadélico extasiante e efusiante
Ao ritmo do intrépido movimento ocular
Dos sonhos que eloquentes despertam lágrimas no olhar
E mordem...
Os lábios...
Os lábios teus...
Em mim...
Alucinação...
Mais profunda que alguma vez
Me foi possível imaginar...

Alucinação...
Alucinantemente em ti...


Pedro Campos

Despeço-me



Despeço-me


Despeço-me de tudo
Ao vento largo as folhas escritas com poemas
E vejo, o vento levá-las para lugares longínquos
Assisto ali, à viagem de mim... por locais translineados em versos
E frases complexas...
Que sucumbiram à inversão do tempo
Ali... naquele redemoinho de vento
Em que se sustenta o acreditar
Do Poeta que acorda para o seu fim...

Num último gesto
Buscando uma última memória de sonho
Emociono-me com a emoção que as lágrimas geram no seu íntimo energético...
E desperto-me moribundo...
Acordo-me dormindo
No verso de um poema esquisito

Ali...
Nas folhas do Outono que viajam... como eu...
Sem destino...
E cada vez mais...
Sem origem...

Se sou Poeta?
Sou...
Se sou amante?
Sou...
Se morri?
Não...
Ainda estou aqui...


Pedro Campos

Sou teu


Sou teu...

Sou teu
Olhar e poema
A bruma na chama
O vento na sombra

Sou teu
Restéa de fulgor
Na noite de calor
Em que somos unos
No riso
No gesto
Em nós
Em tudo

Sou nosso
Barco navegante
Proa sem remo
Remo sem marinheiro
Sou livre na expressão
E prisioneiro na imensidão

Sou vento
Que te acaricia ternamente o rosto
E que te sente, entusiasmantemente
A ti... amor fascinante...

Sou teu...
Amando-te
Eternamente...


Pedro Campos

Tudo...



Agora, percebi
É tempo de deixar as lágrimas dielétricamente fechadas
Na sala isolada de existir...
Ali, naquele compartimento frio
Com lágrimas que escorrem pelas paredes nuas
Em que jazem quadros vazios de autor esquecido na imemória do mundo...

Agora, entendi...
É tempo de deixar as ondas do mar que nos une e separa
Para trás dos olhos e para trás das mãos e da alma...
É tempo de me abandonar... ali... na rotunda da noite
Olvidado na penumbra
Como um lenço esquecido, caído do bolso roto da solidão...

Agora, descubro...
Fui apenas mais um sonho que tive
Nas febris madrugadas em que ardente de fome
Moribundo de imensidão
Caí na chuva dançante do meu coração
E morri...

Morri...
Num enredo sem plano
Num plano sem medo
Onde o vento se toca com o dedo
E o dedo aponta para o vento...
Que, a pouco e pouco,
Se nos revela,
Como se revela um segredo...

Hoje, compreendo
Que por mais que te ame... e amo... tudo... acredita...
Jamais a sétima noite será diferente
De quase todas as sétimas noites que aconteceram...
Porque nos lugares cimeiros
Nos centros nervosos da decisão
Está sempre o mesmo medo
E em si,
A deliberaçao...

Por mais que considere prosseguir o meu fascínio
Por mais que as ondas desesperem no meu íntimo
Ou que as molduras em madeira apodreçam
Eu não sou já nada quando decidires
Porque entre ser tudo e ser nada...
Há pouco espaço de separação
A linha é ténue
O movimento é rápido
E a respiração...
Hum...! A respiração sucede-se a um ritmo incrível...
Quando nos amamos...
Ali...
Na areia molhada...
Pelo tempo que lhe trespassou os grãos
Em troca de uma mão cheia de silêncio...
Que no fundo...grita por ti no meu coração...

Hoje... vislumbro aquilo que fui
Aquilo que fomos
Aquilo que somos
E aniquilo-me quando oiço palavras negando outras palavras que já ouvi
Aniquilo-me... quando me sinto... perder-me... perder-te...
Ali... naquele labirinto...
Perto do fim...

Ali, naquela sala nula
Onde tudo o que queria era ser perpétuo
Mudo perpétuo
Surdo perpétuo
Ignorante perpétuo...

Queria... ali... não querendo...
Deixar-me de sonhos e de vontades
Abandonar-me à posse da desumanidade
E suicidar-me na dimensão insensível da verdade

Mas... enganar-me-ia somente...
Porque a verdade... diz-me outra coisa...

A verdade diz-me exactamente o contrário
A verdade... conta-me os segredos das almas dos homens
Aquilo de que sentem medo
Aquilo de que morrem..

De que é feita a argila das paredes desse labirinto
Onde as almas se cansam e se sucedem no caminho
Que precede o espaço mais amplo
Do fim, do destino...

Na verdade, o que a verdade me diz...
É que por mais salas trancadas e isoladas que procure, apesar de não procurá-las
Tudo e nada serás sempre tu
Haja tempestade ou sol ardente
És tu a única verdade
Que a minha alma entende..

És a chuva
És o girassol
És todo o pensamento
E todo o olhar

És as pedras que caiem
Da montanha alpina
És a sombra que foge
Como um barco em bolina

És...o grito dado
O silêncio acontecido
És a neblina aclareada
És o choro emudecido

És a maré que me transcende
Na noite dos meus sonhos
És a água que me anula a sede
Quando tudo o que me espera é o deserto medonho

És a águia que agita as asas
Em movimentos de andorinha
És o arco-íris que acontece
Quando a chuva penetra a luz divina

És todos os verões e todos os invernos
As estações do ano
Chegadas sem tormento

És todo o meu sentido
E o sentir que abarca o meu todo
És a mão sumptuosamente febril
Que me acalma em consolo

És a flauta mágica e o piano silvestre
És a ceara florida
E o abismo agreste

És todas as velas
De todos os barcos
Todos os mundos
Em todos os palcos

És a rosa que nasce
No seio dos espinhos
És a esperança que acontece
Quando nasce um menino

És toda a incerteza
Transformada em alegria
És a minha certeza
Transmutada em alquimia

És tudo, absolutamente, numenamente tudo... tudo...
Tudo... em mim...

Deia da beleza
Magnética, deslumbrante
És o momento que alucina
És a singeleza cativante

És o cosmos sintetizado em ti
A natureza pura
És sublimação adidada em mim
Na eternidade da loucura
E cada dia mais perene
Na sumptuosidade lauta
Adormeço no teu corpo
Repouso na tua alma...

És tudo...
Univocidade do sentir... que sinto...
Porque é por ti
Só por ti
Que existo
E que me aconteço
Aqui
Ou em qualquer outro lugar...
É em ti que eu sou Eu
E em ti que renovo o meu acreditar..

Amo-te...
Eternamente...
A ti...
Mulher, menina..
Do nosso mar...!


Pedro Campos
Amo-te

Esvaziei-me


Lancei as cartas do sorriso
Lancei-me a mim na escuridão
E o teu silêncio alcançou-me
Ali...naquela noite cansada, na minha solidão...

Lancei no vento todas as minhas fés
E perdi-me nas portas já fechadas dos teus olhos
Perdi-me sem me saber encontrar
Perdi-me quando começava a voar

Eras o Sol e a Lua e de repente... esvaziei-me
Como a onda que chega e leva a areia que nos destrói o chão por debaixo dos pés
Eras tudo para mim e continuas a ser..
Mas fiquei sem ti...
E acabei por ficar sem mim também..

Esvaziei-me...
De tudo...
E o espaço deixado vago...
Foi ocupado por qualquer outra coisa estranha que desconheço o que é...
Talvez... seja o profundo lamento...
Ou a dor cansada...
Talvez seja a mágoa por todas as conversas não faladas
Talvez...
Seja eu próprio...
Ocupando-me...dolorosamente...
Sem me reconhecer...
Dentro de mim...

Esvaziei-me...
Sem ti...


Pedro Campos

Se eu pudesse


Se eu pudesse...
Dizer-vos tudo o que sinto
Contar-vos tudo o que já vivi
Mostrar-vos todos os lugares onde já estive
Deixar-vos embarcar em todas as minhas vontades
Em todos os meus desejos
Em todos os meus sonhos
Sem receio...
De vos poder ferir...
Se eu pudesse...

Se eu pudesse...
Trazer-vos numa viagem guiada ao meu mundo interior...
Abarcar-vos neste barco de vela
Que navega dentro de mim
E aproximar-vos de quem sou genuinamente sendo...
Sem máscaras...
Sem ocultações...
Sem nada omitir...
O eu... livre de interpretações...
Que ama apaixonadamente e acredita...
Acredita que é isso o fundamental da vida...
Simplesmente amar...

Se eu pudesse...
Fazer-vos testemunhas de mim em mim
Testemunhas dos meus medos, das minhas dores, dos meus desejos, sonhos, vontades....
Testemunhas da minha verdade...
Testemunhas de tudo o que já testemunhei...
Testemunhas até da fuga da minha liberdade...

Se pudesse tudo isso...
Exibir-vos-ia toda a complexidade permanentemente simples com que vivo
Toda a força celeste com que respiro
E me aconteço...
Aqui... e em qualquer lugar...
Em qualquer lugar onde exista um som ou um silêncio para ouvir...
Ou um céu ou uma Lua para olhar...
Em qualquer lugar onde haja magia e a poesia aconteça na sua forma mais bonita...
A própria vida...

Se eu pudesse...
Abrir-vos-ia definitivamente a porta de mim
Deixaria o esboço do sonho conduzir-vos nesse labirintico pensar
Que desabroça no meu ser e se fecha nas ondas do mar
Tantas vezes como pensamentos falhados
E dilemas interiores... que nunca foram mais do que... somente... falta de coragem para optar...
Pelo caminho mais difícil
O do sonho, do que se sente... do que se ama...
O verdadeiro caminho da eternidade...

Talvez...
Se todos vós entendessem aquilo que sinto
Aquilo por que vivo
O que me faz suspirar
E aquilo que me faz sentir bem
Todos os instantes, mesmo os mais ténues e incertos...
Passariam a ser também vossos
Passariam a ser vividos por vós
E eu...
Eu... deixaria de ser mais um incompreendido...
Nas fileiras do esquecimento...
Em que se encontram deitados e escondidos...
Todos aqueles que sempre acreditaram que existia algo mais...
Algo mais... para além da película visível do caos do mundo...

Se em cada dia que transita...
Nesta estrada do universo de um poeta...
Eu pudesse deixar-vos a porta do meu espírito totalmente aberta
Para que entrassem... e vissem....
Tocassem...e sentissem... os meus fascínios...
E esta dor aguda que me arde no peito...
Que persiste em desespero...
Como uma fogueira em chamas que queima a pele do silêncio...
Enquanto me quedo em mim, com medo...

Talvez...
Se me conseguissem olhar... verdadeiramente... assim...
Com os olhos límpidos da alma...
E a sensibilidade suave e subtil...
Talvez aí... deixasse de ser considerado um filho da utopia...
E talvez...
Talvez... deixasse de ser encarado como um estranho nesta cidade...
E pudesse ser apenas visto... como um lutador... um sonhador...
Em busca da felicidade...
Essa ambrósia divina...
Verdadeiro produto alquímico...
Genuína pedra filosofal..
A felicidade... e a textura do seu sabor...

Se eu pudesse...
Acreditem...
Que se eu pudesse trocar a maior parte das coisas de que não preciso
Por aquilo que mais me faz falta... ela... Ahimsa...
Acreditem...
Trocá-las-ia... sem receio do depois...
Trocá-las-ia... em nome da felicidade...
Arriscando o salto... no abismo fundo...
Mesmo sabendo... poder naufragar...
Se as penas das asas...
Não me conseguissem fazer voar...!

Tudo...
Se eu pudesse...
Se eu pudesse...
Apenas... ser dono de mim mesmo...
E fosse capaz de lutar...

E talvez...
Talvez seja capaz...
Talvez este poema sem qualquer estrutura poética
Seja já um pouco da luta que estou a travar...
Comigo e com o mundo...
Pelo direito próprio que cada um tem...
De lutar pela felicidade...
Porque...
No fundo...
É esse o sentido mais profundo da vida...
E o rumo que quero seguir...
O rumo de quem acredita...


Pedro Campos

Poema sem estrutura lógica, quase prosa poética... do qual sobressai uma ideia fundamental... a importância de lutarmos pela nossa felicidade... e por aquilo que sentimos... sonhamos e acreditamos! Na verdade, se observarmos bem o mundo, a natureza, as pessoas, os animais e as plantas, apesar de não parecer, devido ao caos que acontece no mundo, na verdade o que todos procuram é a felicidade ou formas de felicidade. Esse é o objectivo natural de qualquer ser que esteja vivo... mas por razões incompreensíveis... essa verdade continua a ser omitida, escondida e quase recusada por nós.

Se não mudarmos rapidamente a eleição das nossas prioridades na vida, arriscamo-nos a perder o essencial que poderíamos viver, sentir e testemunhar: a beleza da felicidade...

Pensem nisso...

Simplesmente amar-te assim...



Simplesmente amar-te assim...


Sabes
Por tantas vezes na vida procurei um significado concreto para o amor
Uma definição definida desse conceito transdimensional e indefinível
Que ultrapassa barreiras culturais, sociais e todas as outras
Sem entender que só amando...
Se é capaz de conhecer o verdadeiro sentido de amar...!

Sabes...
Foram tantas as perguntas já feitas e as respostas vazias quase dadas
Em momentos de desespero e solidão
Que nesses quases, quase me perdi na loucura perene... de não saber me perder... nos braços do amor...
Nessas leis sem lei...
Nesse jogo sem regras...
Nessa teia de sentimentos... que se encadeia na cadeia de afectos... do sentir... mágico...
De que somos quem somos...
De que estamos vivos e nos sabemos vivos... e nos queremos vivos...
Na intensidade de sorrir e cantar e dançar... e voar sem asas pelas asas de sonhos sem céu...
Porque o céu somos nós...
E as asas são os leques alados que nos fazem levitar nos segundos da imaginação... em que acreditamos que o inacreditável pode acontecer...
Sublimemente... nessa antítese de tudo... o amor...
Que nos leva ao divino... e nos pode sempre... fazer cair...
Na sargeta molhada e perdida da insanidade...!
Da ausência de nós em nós...
Numa vida já sem nós enlaçados entre pessoas...!

Hoje... olho para trás no tempo...
E num relance de entendimento...
Percebo que o amor pode ser tão imenso quanto um universo inteiro...
E tão vago e inelutável quanto um buraco negro... que suga a energia das estrelas para dentro de si... aumentando o vazio... a preencher...
Aumentando... o amontoado de desespero por saber que não pode ir mais além...
E no entanto, ter vontade de o fazer...
Uma vontade profunda, sem maldade...
Uma intrínseca e poderosa vontade de viver...!
De te viver.. meu amor...!
De te querer...!

Agora... olho para ti... e deveras compreendo...
Que todas as hipóteses não testadas... e todos os testes sem hipótese...
Que todas as teorias levantadas e todos os livros escritos... quase sempre em vão...
Que todas as músicas, canções, poemas e letras... gestos e pensamentos...
Tudo isso... tudo isto...
Tudo... no absoluto de me ser... hoje é....
Encanto...
Loucura...
Lucidez...
... hoje é...
É... simplesmente amar-te assim...

Tudo isso... é a minha religião...
Tudo isso... é simplesmente... acreditar-te...
Mesmo na fronteira limiar do impossível...
Transcendendo as limitações da realidade...
Sentindo as emoções na intercontextualidade... da imensidão de todos os instantes.. de toda a vida...
Ali...
Num gesto... que ficou parado no tempo...
Num olhar... que se susteve... nas linhas da eternidade...
Num tempo.. que parou... ali... sem no entanto parar...
Num espaço... sem local.. sem lugar... sem morada...
Algures... no que aconteceu...
Ou naquilo que ficou por acontecer...!

E assim...
Na ebulição de um vapor inocente...
Decantando... a solidão da noite...
Destilando... a lágrima ousada... que teima em quedar...
Juntando-se ao rumor marítimo desse lago reflexivo onde deambulam peixes coloridos sem escamas nem predadores...
Espero por ti...
Espero por ti... incondicionalmente...!

Espero por ti... em mais um dia... novo...
Espero por ti... em mais um dia... esperando por nós...
Acreditando que nesse dia... tudo será melhor...
Acreditando... Que tu és feliz... independentemente de mim....
Acreditando... ao mesmo tempo...
Que continuei a ter a coragem para te amar e para lutar por ti...
Temendo... e ao mesmo tempo... esperando...
Que um dia... um dia...
Talvez daqui a mil gerações... ou possivelmente... noutras encarnações...
O que sinto por ti.. se dissolva... na ampulheta arenosa do tempo...
Dissipando-se como energia... nas ondas magnéticas do sol...
O mesmo que nos dá calor em cada dia...
E que isso... que sinto... fique por aí...

... Porque... espero por ti...
Seja onde for... espero por ti...
Porque... no inaudito... digo-te tudo o que há para dizer...
E tu sabes tudo... disso que sabes que eu sei que tu sabes... e não podemos saber... se sabes que eu sei que tu sabes... ou não...
Mas... sabemo-lo... ambos...
Que... tão naturalmente...
Simplesmente...
Continuo a amar-te...
Menina mulher... linda...
Apenas isso...
Sem que nada possa fazer...
Porque gosto de ti...
E sabendo-o... sabes que isto...
Isto é o máximo que a minha lealdade para com o mundo... para com as pessoas... e para comigo próprio...
Me permite dizer...!

Talvez... amanhã te diga o que sinto...
Talvez... não... porque tu já sabes...
Que te amo...
E respeito...
Eloquentemente...
Mas.. na serenidade... do sorriso...!

Simplesmente... assim... como quando a seguir a um poema... lido...
Volto a olhar para ti...
E sem sequer falar...
Tu... Musa...
Sentes o meu olhar...
Hoje...
Agora...
Como sempre...!

Como sempre...!


Pedro Campos - Algures....

O Jogo dos Sentidos


O Jogo dos Sentidos


Existe na prateleira mais alta
Do Museu das nossas velharias
Uma caixa secreta
Que se abre no mistério de si própria...

Uma caixa...
Onde se omitem gestos
Num jogo de silêncios repletos
Em que as mãos se dão sem pensar
E os olhos se movem nas órbitas de mil olhares
A uma distância incontável da loucura e do incerto...
Ali... nos limiares incontáveis da sensibilidade...!

Existe nesse esconderijo
Um jogo surpreendente e emotivo
Que não tem regras fixas
Nem estratégias definidas
Porque é um jogo que põe em jogo os próprios sentidos
Um jogo solitário e colectivo
Que depende apenas das danças que perpetuam
Na acção de cada jogador ou participante
As intenções escondidas na mente de quem age, pensa e sente...
Ali... nas dimensões imensuráveis do agir..!

Não sei, se por mero acaso...
Nesse contínuo de descontinuidade que nos une e separa constantemente
Terás já dissertado sobre a essência fulcral que preenche de volume
A tua esfera de pensamento
A tua esfera infinita de loucura e lucidez...
Essa mobilidade que permite aos teus sentidos decifraren o mundo
E absorverem de forma sublime... a vida que se faz... a vida que acontece... aqui...
Quando esse jogo de sentidos comuns...
Nos desperta os sentidos de forma verdadeiramente sentida... sensível... ardente... até etérea...
Fascinando-nos...
Com a amplitude até aí desconhecida do sentir...
Quando nos encontramos nas calhas que nos levam a descobrir o extenuante sentido dos nossos sentidos...!

Não sei, se por determinismo vão... ou destino aparente...
Consistentemente visitaste alguma vez sequer, esse jogo inconcreto de desejos e pulsões..
Esse vento de caminhos e vontades...
Paixões e intensidades...
Que deslumbram os olhos do corpo... com a visão dos paraísos da alma...
Essa metáfora de gestos, de sentires, de sensações...
Essa gotícula de omissões, olvidadas na lembrança de um esquecimento que subsiste
À mercê das vontades secretas da alma
Na profunda e mais secreta câmara de verdades inelutáveis... mas mutáveis...
Que se acomoda na caixa de pandora...
De cada um de nós...!
Dentro do dentro de cada um de nós...!

Essa caixa... sagrada...
Que se encontra colocada...
Na mais alta prateleira das ilusões...
Nesse Museu sem tempo, das nossas velharias...
Onde se decompõem as cores febris da inocência...
E se misturam numa simbiose mística...
Os sabores variados e sumptuosos da liberdade...
Nesse sorriso agridoce... solene e inigualável...
Que não tem previsão... de acontecer...
Acontecendo apenas... com a naturalidade das estrelas...!

Acontece apenas... assim... sucedendo... sucedendo-se...
Esse jogo de contemplar... o mundo...
Em que se omitem gestos
E tantos gestos nos fazem falar
Sem dizer porém, nada do que somente mais gestos poderão afirmar
Gesticulando tudo e nada numa forma de ser-se
Porque esses gestos que os gestos podem mostrar
São como as ondas revoltas que sem olhos mágicos
Nos conseguem fazer sonhar... chorar.. sorrir... crescer... renascer...
Porque as histórias que os teus gestos me podem contar
São tão audíveis na energia do teu sorriso...
Como a mais perfeita melodia de um poemar sonoro... que nos encanta docemente...
Em que são ditos em tom elevado
As mais belas palavras que o dicionário dos sentires...
Poderá alguma vez conhecer...!

E assim...
Essa caixa secreta
Que se mostra sem mostrar
Num jogo de silêncios repletos
Em que as mãos se dão sem pensar
E os olhos se movem nas órbitas de mil olhares
A uma distância incontável da loucura e do incerto...
É de novo fechada...

É chegada a hora de findar mais uma partida
De um Jogo dos Sentidos estimulante
Em que os jogadores perdidos adormecem cansados
Ali... no semblante da eternidade...!

Da eternidade...
Porque o Jogo dos Sentidos...
Pode levar-nos à mais profunda raíz do infinito...
À Alquimia suprema...
À Alta Magia...
À apoteose de estar vivo...
Que acontece quando nos damos ao mundo...
E nos deixamos levar... no sentido... de sentir tudo e nada... livremente... sem censura...
Ali... nesse jogo dos sentidos...
Que só é genuíno...
Quando é sentido...
Que só é transcendente...
Quando nos apaixonamos...
E que para mim... só faz sentido...
Quando o sentido encantado dos meus sentidos
Contempla esse quadro sublime e fascinante de autor desconhecido...
Insustentável imensidão que sustenta a minha poesia e o meu élan... a minha inspiração...
Que és tu...
Tu... loucura lúcida do meu sentir...
Razão eloquente do meu pensar...
Tu...
Em mais um Jogo de Sentidos...!



Pedro Campos - algures no tempo e espaço...

Essa Magia doce


Essa Magia doce

(...)

Existe uma magia doce
Em cada acordar
Uma magia única
Que se desprende do ar
Que dança no horizonte
Bailando ao sabor do sonho
Um encanto celestial
Que se enlaça e dilui no olhar
E nos faz sorrir, nos faz cantar...
Que nos deixa sentir o mundo de um modo diferente...

Sim, existe uma fantasia em cada acordar...
Quando abrimos os olhos no amanhecer...
E olhamos essa magia única
Que persiste em nós
E existe em nós...
E acontece em nós...
Em nós... até morrer...
E é isso...
Esse sentido, essa condição... essa verdade... esse ahimsa...
É isso... o amor verdadeiro...
É isso... o que tu és para mim...
É isso... o máximo que as minhas palavras vazias poderão alguma vez dizer...
E tu...
Ahh...
Tu... és muito mais do que essas palavras...
Muito mais do que essas palavras que poderiam tornar um poema mais bonito ou mais completo... ou até mais perfeito... e mais próximo do belo... ou isto... ou aquilo...
Mas para quê complicar... o que é simples...?? Para quê??
Já houve um tempo em que costumava complicar tudo...
Mas para quê fazê-lo agora?
Para quê?
Se o que te quero dizer... é apenas...
Que te amo...
Que te amo tanto quanto a minha inexistência ou existência poderão consentir...
Tanto, tanto, quanto a imensidão de estrelas que existem... quanto a imensidão de estrelas que já não brilham mais... e ainda... tanto quanto... a miríade de estrelas que estão ainda por existir...
Tanto.. quanto o tanto que o tanto pode conter...
Tanto... como tudo o que já vi...
Tanto... quanto o tudo.. e o infinito.. e plenitude... e o apogeu.. e o clímax... e o limiar da ascensão... a um paraíso terreno... celestial... interdimensional... que és tu... númen...
Tanto... quanto a simplicidade... de te amar...
Tanto.. como amo...
Independentemente da impossibilidade de acontecermos...
Independentemente de achares bem ou achares mal...
O facto... é que te amo... e amarei para sempre...
Porque sei...
Que não és nem a porta errada... nem a porta certa...
Porque não existem portas erradas ou certas...
Existem pessoas... sonhos... amor...
E tu... és tudo isso para mim...
Tanto.. tanto... quanto do tudo que o tanto pode conter...

Até sempre...
Porque és tu... só tu... essa magia doce...
Que me custa não dizer...
Dizendo...


(...)

Pedro Campos - algures no tempo...