Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

Traduzir / Translate this blog

Simplesmente amar-te assim...



Simplesmente amar-te assim...


Sabes
Por tantas vezes na vida procurei um significado concreto para o amor
Uma definição definida desse conceito transdimensional e indefinível
Que ultrapassa barreiras culturais, sociais e todas as outras
Sem entender que só amando...
Se é capaz de conhecer o verdadeiro sentido de amar...!

Sabes...
Foram tantas as perguntas já feitas e as respostas vazias quase dadas
Em momentos de desespero e solidão
Que nesses quases, quase me perdi na loucura perene... de não saber me perder... nos braços do amor...
Nessas leis sem lei...
Nesse jogo sem regras...
Nessa teia de sentimentos... que se encadeia na cadeia de afectos... do sentir... mágico...
De que somos quem somos...
De que estamos vivos e nos sabemos vivos... e nos queremos vivos...
Na intensidade de sorrir e cantar e dançar... e voar sem asas pelas asas de sonhos sem céu...
Porque o céu somos nós...
E as asas são os leques alados que nos fazem levitar nos segundos da imaginação... em que acreditamos que o inacreditável pode acontecer...
Sublimemente... nessa antítese de tudo... o amor...
Que nos leva ao divino... e nos pode sempre... fazer cair...
Na sargeta molhada e perdida da insanidade...!
Da ausência de nós em nós...
Numa vida já sem nós enlaçados entre pessoas...!

Hoje... olho para trás no tempo...
E num relance de entendimento...
Percebo que o amor pode ser tão imenso quanto um universo inteiro...
E tão vago e inelutável quanto um buraco negro... que suga a energia das estrelas para dentro de si... aumentando o vazio... a preencher...
Aumentando... o amontoado de desespero por saber que não pode ir mais além...
E no entanto, ter vontade de o fazer...
Uma vontade profunda, sem maldade...
Uma intrínseca e poderosa vontade de viver...!
De te viver.. meu amor...!
De te querer...!

Agora... olho para ti... e deveras compreendo...
Que todas as hipóteses não testadas... e todos os testes sem hipótese...
Que todas as teorias levantadas e todos os livros escritos... quase sempre em vão...
Que todas as músicas, canções, poemas e letras... gestos e pensamentos...
Tudo isso... tudo isto...
Tudo... no absoluto de me ser... hoje é....
Encanto...
Loucura...
Lucidez...
... hoje é...
É... simplesmente amar-te assim...

Tudo isso... é a minha religião...
Tudo isso... é simplesmente... acreditar-te...
Mesmo na fronteira limiar do impossível...
Transcendendo as limitações da realidade...
Sentindo as emoções na intercontextualidade... da imensidão de todos os instantes.. de toda a vida...
Ali...
Num gesto... que ficou parado no tempo...
Num olhar... que se susteve... nas linhas da eternidade...
Num tempo.. que parou... ali... sem no entanto parar...
Num espaço... sem local.. sem lugar... sem morada...
Algures... no que aconteceu...
Ou naquilo que ficou por acontecer...!

E assim...
Na ebulição de um vapor inocente...
Decantando... a solidão da noite...
Destilando... a lágrima ousada... que teima em quedar...
Juntando-se ao rumor marítimo desse lago reflexivo onde deambulam peixes coloridos sem escamas nem predadores...
Espero por ti...
Espero por ti... incondicionalmente...!

Espero por ti... em mais um dia... novo...
Espero por ti... em mais um dia... esperando por nós...
Acreditando que nesse dia... tudo será melhor...
Acreditando... Que tu és feliz... independentemente de mim....
Acreditando... ao mesmo tempo...
Que continuei a ter a coragem para te amar e para lutar por ti...
Temendo... e ao mesmo tempo... esperando...
Que um dia... um dia...
Talvez daqui a mil gerações... ou possivelmente... noutras encarnações...
O que sinto por ti.. se dissolva... na ampulheta arenosa do tempo...
Dissipando-se como energia... nas ondas magnéticas do sol...
O mesmo que nos dá calor em cada dia...
E que isso... que sinto... fique por aí...

... Porque... espero por ti...
Seja onde for... espero por ti...
Porque... no inaudito... digo-te tudo o que há para dizer...
E tu sabes tudo... disso que sabes que eu sei que tu sabes... e não podemos saber... se sabes que eu sei que tu sabes... ou não...
Mas... sabemo-lo... ambos...
Que... tão naturalmente...
Simplesmente...
Continuo a amar-te...
Menina mulher... linda...
Apenas isso...
Sem que nada possa fazer...
Porque gosto de ti...
E sabendo-o... sabes que isto...
Isto é o máximo que a minha lealdade para com o mundo... para com as pessoas... e para comigo próprio...
Me permite dizer...!

Talvez... amanhã te diga o que sinto...
Talvez... não... porque tu já sabes...
Que te amo...
E respeito...
Eloquentemente...
Mas.. na serenidade... do sorriso...!

Simplesmente... assim... como quando a seguir a um poema... lido...
Volto a olhar para ti...
E sem sequer falar...
Tu... Musa...
Sentes o meu olhar...
Hoje...
Agora...
Como sempre...!

Como sempre...!


Pedro Campos - Algures....

O Jogo dos Sentidos


O Jogo dos Sentidos


Existe na prateleira mais alta
Do Museu das nossas velharias
Uma caixa secreta
Que se abre no mistério de si própria...

Uma caixa...
Onde se omitem gestos
Num jogo de silêncios repletos
Em que as mãos se dão sem pensar
E os olhos se movem nas órbitas de mil olhares
A uma distância incontável da loucura e do incerto...
Ali... nos limiares incontáveis da sensibilidade...!

Existe nesse esconderijo
Um jogo surpreendente e emotivo
Que não tem regras fixas
Nem estratégias definidas
Porque é um jogo que põe em jogo os próprios sentidos
Um jogo solitário e colectivo
Que depende apenas das danças que perpetuam
Na acção de cada jogador ou participante
As intenções escondidas na mente de quem age, pensa e sente...
Ali... nas dimensões imensuráveis do agir..!

Não sei, se por mero acaso...
Nesse contínuo de descontinuidade que nos une e separa constantemente
Terás já dissertado sobre a essência fulcral que preenche de volume
A tua esfera de pensamento
A tua esfera infinita de loucura e lucidez...
Essa mobilidade que permite aos teus sentidos decifraren o mundo
E absorverem de forma sublime... a vida que se faz... a vida que acontece... aqui...
Quando esse jogo de sentidos comuns...
Nos desperta os sentidos de forma verdadeiramente sentida... sensível... ardente... até etérea...
Fascinando-nos...
Com a amplitude até aí desconhecida do sentir...
Quando nos encontramos nas calhas que nos levam a descobrir o extenuante sentido dos nossos sentidos...!

Não sei, se por determinismo vão... ou destino aparente...
Consistentemente visitaste alguma vez sequer, esse jogo inconcreto de desejos e pulsões..
Esse vento de caminhos e vontades...
Paixões e intensidades...
Que deslumbram os olhos do corpo... com a visão dos paraísos da alma...
Essa metáfora de gestos, de sentires, de sensações...
Essa gotícula de omissões, olvidadas na lembrança de um esquecimento que subsiste
À mercê das vontades secretas da alma
Na profunda e mais secreta câmara de verdades inelutáveis... mas mutáveis...
Que se acomoda na caixa de pandora...
De cada um de nós...!
Dentro do dentro de cada um de nós...!

Essa caixa... sagrada...
Que se encontra colocada...
Na mais alta prateleira das ilusões...
Nesse Museu sem tempo, das nossas velharias...
Onde se decompõem as cores febris da inocência...
E se misturam numa simbiose mística...
Os sabores variados e sumptuosos da liberdade...
Nesse sorriso agridoce... solene e inigualável...
Que não tem previsão... de acontecer...
Acontecendo apenas... com a naturalidade das estrelas...!

Acontece apenas... assim... sucedendo... sucedendo-se...
Esse jogo de contemplar... o mundo...
Em que se omitem gestos
E tantos gestos nos fazem falar
Sem dizer porém, nada do que somente mais gestos poderão afirmar
Gesticulando tudo e nada numa forma de ser-se
Porque esses gestos que os gestos podem mostrar
São como as ondas revoltas que sem olhos mágicos
Nos conseguem fazer sonhar... chorar.. sorrir... crescer... renascer...
Porque as histórias que os teus gestos me podem contar
São tão audíveis na energia do teu sorriso...
Como a mais perfeita melodia de um poemar sonoro... que nos encanta docemente...
Em que são ditos em tom elevado
As mais belas palavras que o dicionário dos sentires...
Poderá alguma vez conhecer...!

E assim...
Essa caixa secreta
Que se mostra sem mostrar
Num jogo de silêncios repletos
Em que as mãos se dão sem pensar
E os olhos se movem nas órbitas de mil olhares
A uma distância incontável da loucura e do incerto...
É de novo fechada...

É chegada a hora de findar mais uma partida
De um Jogo dos Sentidos estimulante
Em que os jogadores perdidos adormecem cansados
Ali... no semblante da eternidade...!

Da eternidade...
Porque o Jogo dos Sentidos...
Pode levar-nos à mais profunda raíz do infinito...
À Alquimia suprema...
À Alta Magia...
À apoteose de estar vivo...
Que acontece quando nos damos ao mundo...
E nos deixamos levar... no sentido... de sentir tudo e nada... livremente... sem censura...
Ali... nesse jogo dos sentidos...
Que só é genuíno...
Quando é sentido...
Que só é transcendente...
Quando nos apaixonamos...
E que para mim... só faz sentido...
Quando o sentido encantado dos meus sentidos
Contempla esse quadro sublime e fascinante de autor desconhecido...
Insustentável imensidão que sustenta a minha poesia e o meu élan... a minha inspiração...
Que és tu...
Tu... loucura lúcida do meu sentir...
Razão eloquente do meu pensar...
Tu...
Em mais um Jogo de Sentidos...!



Pedro Campos - algures no tempo e espaço...

Essa Magia doce


Essa Magia doce

(...)

Existe uma magia doce
Em cada acordar
Uma magia única
Que se desprende do ar
Que dança no horizonte
Bailando ao sabor do sonho
Um encanto celestial
Que se enlaça e dilui no olhar
E nos faz sorrir, nos faz cantar...
Que nos deixa sentir o mundo de um modo diferente...

Sim, existe uma fantasia em cada acordar...
Quando abrimos os olhos no amanhecer...
E olhamos essa magia única
Que persiste em nós
E existe em nós...
E acontece em nós...
Em nós... até morrer...
E é isso...
Esse sentido, essa condição... essa verdade... esse ahimsa...
É isso... o amor verdadeiro...
É isso... o que tu és para mim...
É isso... o máximo que as minhas palavras vazias poderão alguma vez dizer...
E tu...
Ahh...
Tu... és muito mais do que essas palavras...
Muito mais do que essas palavras que poderiam tornar um poema mais bonito ou mais completo... ou até mais perfeito... e mais próximo do belo... ou isto... ou aquilo...
Mas para quê complicar... o que é simples...?? Para quê??
Já houve um tempo em que costumava complicar tudo...
Mas para quê fazê-lo agora?
Para quê?
Se o que te quero dizer... é apenas...
Que te amo...
Que te amo tanto quanto a minha inexistência ou existência poderão consentir...
Tanto, tanto, quanto a imensidão de estrelas que existem... quanto a imensidão de estrelas que já não brilham mais... e ainda... tanto quanto... a miríade de estrelas que estão ainda por existir...
Tanto.. quanto o tanto que o tanto pode conter...
Tanto... como tudo o que já vi...
Tanto... quanto o tudo.. e o infinito.. e plenitude... e o apogeu.. e o clímax... e o limiar da ascensão... a um paraíso terreno... celestial... interdimensional... que és tu... númen...
Tanto... quanto a simplicidade... de te amar...
Tanto.. como amo...
Independentemente da impossibilidade de acontecermos...
Independentemente de achares bem ou achares mal...
O facto... é que te amo... e amarei para sempre...
Porque sei...
Que não és nem a porta errada... nem a porta certa...
Porque não existem portas erradas ou certas...
Existem pessoas... sonhos... amor...
E tu... és tudo isso para mim...
Tanto.. tanto... quanto do tudo que o tanto pode conter...

Até sempre...
Porque és tu... só tu... essa magia doce...
Que me custa não dizer...
Dizendo...


(...)

Pedro Campos - algures no tempo...

Eu sou a tua memória...


Eu sou a tua memória...


Olho para o céu
Olho incerto para esse mundo que me recebeu
E sinto a sorte de ter olhado
Esse mundo inteiro a sorrir acordado
Com a natureza mãe a guiar-me
Por entre as noites mais escuras da alma
E os dias mais luminosos
Que já vi...!

Olho incerto para o tudo e para o nada...
Desta interdimensional intensidade de viver
Que sinto e senti
Que ouso e ousei investir
No prelúdio imenso de estar aqui...
De continuar a estar...
Enquanto a memória de mim...!

Olho para o céu
E olho para mim
Sou apenas a minha memória
A tua memória...
Essa que tens do meu olhar
Da minha face
Das minhas mãos...

Ontem era criança...
Ontem fui adulto...
Hoje sou memória...
Da existência de mim...
Nesta ausência que sentes em ti....!

Hoje eu sou a tua memória
E corro livremente pelos prados da sensibilidade
Onde as ovelhas fraternas da ilusão
Pastam a erva doce e fresca da eternidade

Hoje eu sou... a lenda... de um poeta sonhador
A memória preenchida a cera de uma vela que ficou por acender
Hoje eu sou... esta tua memória suave...
E para sempre serei...
Aquele miúdo que sonhava e delirava com os pássaros a voar, com as ondas do mar e as estrelas do céu...
Para sempre serei...
O olhar brilhante e húmido e quente... que olhava tudo e todos...
Que amava todos e tudo... de forma ímpar... sem julgar o mundo...
Para sempre... serei...
A vontade de acreditar...
Na eternidade infinita de um sorriso doce...
De uma canção...
De um poema...
De um livro...
De um beijo...
De um gesto...
De uma lua...

Para sempre serei a força que me deres...
A luz que de ti se reflectir em mim..
O teu acreditar...
E assim... mesmo ausente...
Estarei sempre aqui...
Onde estiver a tua alma...
O teu sorriso...
Onde estiver a tua lembrança...
Eu estarei lá...!
Porque...
Para além de tudo o resto..
Eu sou... a tua memória...!
E em ti...
Volto a estar vivo...!

Até sempre...
Basta acreditares e eu estarei de novo aqui...
De forma diferente...
Mas estarei...!
Sempre...!
Aqui...
Na tua memória...!


Pedro Campos - Algures num tempo incerto...

Uma Noite...


Uma noite...


Não sei o teu nome...
Tu... Não sabes o meu
E ali... na ignorância de não nos sabermos...
Na insegurança de um instante não pensado...
Aproximamo-nos... abraçamo-nos...
E tentamos reduzir as nossas verdades próprias...
A um prazer momentâneo... efémero...
Irreal...

Ali...
Na noite... escondida...
Trocamos os beijos que a vida nos deu...
Trocamos o sabor de cada um de nós...
Trocamos o medo...
Trocamos o tempo...
Trocamos as nossas almas...
Na esperança de que possam ficar inteiras...
Novamente...
Inteiras...
Mas... não sei...

Não sei...
Ambos estamos ali...
Encaixados na inexistência do sentir...
Somos dois corpos dispersos...
Dois corpos sem o calor do amor...
Dois corpos perdidos... numa noite já em si perdida...
Que se encontraram... carentes...
Frágeis...
Nesse instante nocturno...!

Cada um de nós...
Procura encontrar o seu caminho....
Eu tento esquecer quem amo...
Esquecer quem nunca esquecerei...
Tu... tens a dor...
E a magia...
De sermos os dois...
Somente um momento...
Que nunca aconteceu..
Nunca... dentro de nós...
Apenas na nossa periferia...

Não.. sei..
Não sei o que vês...
Nem sei o que sentes...
Mas no não saber... sei-te.. do instante...
Sei que não seremos mais do que esta noite...
Mais do que uma noite...
Mais do que a sexualidade extenuante de alguns momentos...
Mais do que o orgasmo do corpo... que mente à alma... sobre a felicidade...
Que me mente...
Que te mente...
Que... durante o seu espaço de tempo...
Parece iludir os olhos da alma...
Sobre quem amamos...
Sobre quem amo...
Sobre ti... tentando eclipsar-te... com outra pessoa...

E depois... da noite...
Depois do êxtase corporal...
Depois da angústia de estar ali... sem ti... mas com outra pessoa...
Depois de tudo... a verdade volta a surgir...
Volto a ver o que sempre vi... e nunca consegui esconder...
Que te amo...
Que és a única pessoa que amo... e que não consigo evitar amar-te...
Que... és... a minha força...
E és o meu sorriso...
E és... o que escrevo...
E tudo o que sinto... e corro... e percorro...
E és...
Do instante de sempre...
És a esperança...
És o nunca acontecido..
O nunca acontecido...

És tu...
Que está dentro do meu coração...
E que ocupa o lugar mais importante dentro de mim...
Que me ocupa... que me preenche...
És tu... e só tu... númen...
E por mais pessoas que conheça... e que tente amar...
Só te amo a ti... a ti... a ti...
E apetece-me dizer-te...
Apetece-me falar-te...
Gritá-lo bem alto... e parar de omitir isso...
Demonstrar quem sou...
Simplesmente falar-te... por completo...
Sem nada a esconder...
Sem nada a negar...

Mas...
Sei-te... distante... cada vez mais distante... de mim...
Como uma bruma que se afasta paulatinamente...
Por entre a estrada vazia...
Como um sorriso que se vê ao longe... dizendo adeus...

E... ainda assim...
Ainda assim...
Não me abandono à força da maré...
Nunca poderia me abandonar assim...
Sem acreditar... em ti...
Porque o que sinto...
Mostra-me o caminho a seguir...
E esse caminho não se estrutura por outras coisas que não a alma...
E o amor...
E o sonho..
E a magia...
E tudo aquilo que tu sabes...

Mas...
Há algo no firmamento...
Que me faz continuar a andar...
Esse ponto... luminoso és tu...
Lua...
Tu...
Singela rainha das ondas...
Tu ... númen...
Tu... que sabes quem és...
Tu... que sei quem és...
Mesmo que tente...
Numa noite...
Olvidar esse facto perene...

Sim...
Numa noite...
Trocar a eternidade... de te amar...
Pelo prazer fugaz... e frustrante...
De tentar te esquecer...

... como se isso fosse possível...
Amo-te... e talvez te venha a dizer...
Um dia...
Ou talvez... não...

Talvez...
Um dia...
Ou uma noite.




Pedro Campos - algures...

Amanhã...


Amanhã




Amanhã
Sei que acordarei de novo a sonhar
Porque amanhã
O ontem não mais fará ferimento
O ontem não mais terá dor
O ontem será como todos os ontens que já passaram...
Dias passados... que ficaram na nossa memória...
Neste contínuo ritmo de estar vivo..

Amanhã
Sinto que estarei mais forte
Porque amanhã
O peito será maior e mais imenso
O crescimento da alma terá mais fulgor
O instante não mais será como todos os instantes até aqui...

Amanhã...
Os instantes serão diferentes...
Instantes que vibram mais... e me invadem com amor...
Com fé... com alma... com sonho...
Com a melodia imperiosa de uma lira pautada de sabor...
Pautada de coragem para continuar a acreditar...
Na inexplicabilidade do sentir...
Na loucura lucida de te amar...

Amanhã
Tentarei não voltar a ficar triste...
Como no dia de ontem estive...

Amanhã...
Ousarei ser mais eu dentro e fora de mim
Porque amanhã
Serei a força que sempre fui... sem o ser...
Amanhã voltarei da viagem em que embarquei...
Amanhã estarei de novo aqui...
À tua espera...
No prazer de olhar a maresia...
Suavemente assim... a sentir plenamente...
A sentir-te... com alegria...

Amanhã...
Voltarei concerteza a acreditar...
No inacreditável...

Amanhã...
Voltarei de novo a estar vivo...

Amanhã...
Voltarei a sonhar... a rir... a cantar.. a dançar quieto na fantasia dos meus tempos ausentes... daqui...
Amanhã... voltarei a encantar-me com a noite e com o dia.. com o mais simples e com a magia...
Amanhã... voltarei a sorrir para as estrelas... e a olhar a Lua com a ternura de sempre...

Amanhã...
Deixarei de lado... as amarras e os grilhões do mundo...
Amanhã... esvoaçarei pelo sol nascente... livre... livremente...
Rumo a mais um entardecer encantador...
Rumo a mais um mágico poente...!

Amanhã...
Não continuarei a ter de contar quantos dias faltam ainda...
Para o amanhã... chegar...
Porque amanhã... não poderei deixar de contar as histórias do meu sorriso..
Nem poderei deixar de escrever poesias felizes...
Porque... amanhã voltarei a estar aqui...
Aqui... totalmente...

Amanhã...
Estarei bem melhor...
Assumindo o que sinto... o que sou...
Assumindo... que voltarei a ter dias... como ontem...
Dias.. em que me sentirei mal...
Dias... em que nada fará sentido...
Dias... em que me sentirei sozinho e vazio como um refugiado do mundo...
Dias... em que estarei exposto ao vento cortante...
Esse que poderá voltar a ferir-me amanhã... noutros amanhãs...
Dias... em que estarei completamente perdido...!
Mas...

... E há sempre... mas...

Dias... em que saberei que... passarão a ser ontens... de outros dias que já foram... hojes...
Dias.. que em instantes... deixarão de ser dias... e passarão a ser noites...
Desses dias que passaram e hoje são apenas memórias...

Dias.. que sucumbem... na loucura do tempo...
Dias... que esperarão mais outros dias... para ser dias... como amanhãs...
Desses dias... que sempre virão...!

E aí...
Nesses dias de amanhã...
Voltarei a saber e a sentir... como nesta noite...
A esperança de voltar a acreditar no amanhã...
Sem que isso me obrigue a pensar como agir no instante em que penso...
Quando ouso sequer pensar o sentir que não se deve pensar...
Mas que se deve viver, sentir, acordar e despertar...

E amanhã...
Quando eu... voltar a ser eu...
Serei de novo... feliz...
Voltarei... a acreditar... no inacreditável...
Por te amar... apenas por te amar...

Assim... a ti... essa luz a brilhar...
No topo de um palácio situado no cimo de uma montanha inacessível...
De uma terra sem nome e sem espaço...
De mais um conto de encantar... sem título...
Em que acreditei...
Em que te perguntando... sem te perguntar...
Perguntando... se devo ou não continuar a acreditar...?
A acreditar...?

... a acreditar...
Mesmo que saibas...
Mesmo que nós saibamos...
Que mesmo que não deva continuar a acreditar...
Continuarei...
Porque acreditar faz parte de mim...
E tu... és em quem eu acredito...!
És tu... sim... tu...
Tu...

Tu...
Que sabes bem isso...
Inevitavelmente... sabe-lo...!
Sabes...

Sim...
Porque amanhã...

... Amanhã...
Sei que acordarei de novo a sonhar contigo...

Sim...
Porque amanhã...
O ontem não mais fará ferimento
O ontem não mais terá dor
O ontem será como todos os ontens que já passaram...
Dias passados... que ficaram na nossa memória...
Neste contínuo ritmo de estar vivo....

... Assim...

Amando o mundo....
Amando a natureza...
Amando o sonho...
Amando... o teu sorriso...
Amando-te a ti...
Meu segredo...

Amanhã...
E em todos os amanhãs que vierem...
Para sempre...

Sempre...
Assim...



Pedro Campos - Algures no tempo e no espaço...

Esta incerteza...



Esta Incerteza...


Tenho o rosto moído...
E a incerteza paira esta noite em mim...
Não sei qual a fronteira que me assusta...
E no entanto sinto a força que me empurra para ti...


Tenho o rosto cansado...
E talvez por isso me sinta assim...
Perdoa-me se te pareço triste...
Mas o grito do cansaço tem este efeito em mim...


Tenho as mãos vazias... frias...
E um gosto amargo a conduzir-me a solidão...
É como se tivesse tudo ao alcance de um sorriso...
E ao mesmo tempo... tudo fugisse... nas calhas da ilusão...


Tenho as memórias de um ontem...
E as presenças de um hoje...
A esperança de um amanhã...
E a vontade permanente de lutar sempre pelos sonhos e pela vida... e pelo sorrir... e por ti...
Mas... sem que me encontre... acabo por me perder...
Viajando por todo e nenhum lugar..
Ali...ausente... numa angústia... de existir...
De existir...
Pela lucidez louca com que reflicto sobre o mundo...


Deixo-me vaguear lento por um mar... longínquo...
Deixo-me... perder nos teus olhos...
Na doçura dos teus lábios...
Ali... no limiar imenso... que nos separa... e nos une... e volta a inevitavelmente separar...
E...


Tenho os olhos molhados...
E sinto-me carente...
E sinto-me frágil...
Sinto-me desorientado...
Sinto tanta coisa aqui dentro...
Tanta coisa que caberia no infinito...!
Tanta coisa que caberia dentro de um pingo de chuva...
Ou na imensidão do universo abrangente...


E..
Tenho vontade de te abraçar...
Tenho vontade de me abraçar...
E adormecer assim... aconchegado no silêncio dourado da emoção...
E descansar...
Descansado... por fim...
Mas com a mesma incerteza dentro de mim...


E..
Fecho os olhos...
Sem solução...
Dou a mão às estrelas...
Com a alma perdida na lua...
E a cabeça repousando numa nuvem de algodão...
Sabendo... que amanhã... sorrirei de novo...
Que amanhã...
Estarei reconstruído e restaurado...
Da minha incerteza nocturna...
Esta... que...
... me deixa... triste...
Sem soluções...!
Cansado...
No vazio...
De mim mesmo.


Pedro Campos - algures no tempo e no espaço... na eternidade...

Amanhã estarei melhor... certamente melhor...

Continuei a sonhar... ali


Continunuei a sonhar... ali


Toquei na noite
Toquei no dia
Toquei nos teus lábios
Com a força de não te querer perder... nunca...

Toquei... no véu da luz...
Que deixa passar-te e iluminar-me... e sorrir-me...
E tapo-me... com o cobertor pesado do frio que faz aqui...
E sonho contigo...
Sonho contigo... nesse mundo encantado onde tudo é possível...
E adormeço... também a sorrir...
Até a dormir...
Tu me habituaste a sorrir...

E sorrio...
Viajo pelo infinito... em direcção a ti...

E visito-te... na noite...
Visitei-te algures no tempo...
Algures no espaço...
E no entanto... não me lembro de quem eu era...
Se era eu o silêncio...
Que largava fios de música...
Enquanto caminhava...
Se era eu... a saudade...
Que emerge dentro de mim...
Quando não estou contigo...
Se era eu... o medo... de não te poder olhar amanhã...
Se era eu... a coragem... para ser assim... como sou...
Se era eu... também eu... o silêncio... que entendes tão bem...

E era eu...
Que ali estava...
Por detrás da noite...
Entre o vento e o frio e as estrelas a brilhar...
Via-te do céu... e estavas tão linda... a dormir...
Sorrias... docemente...
Repousando na serenidade...
Ali... no teu quarto... sonhando...!

E eu visitava-te...
Visitei-te...
E...
Sem saber muito bem...
Toquei na noite...
Toquei no dia...
Toquei nos teus lábios cremosos
Com a força de não te querer perder .... nunca...
Toquei... nas tuas mãos... tão quentes e macias...
E continuei a dormir...

A dormir...

Continuei a sonhar...

Ali...


Pedro Campos... algures... a lembrar um sonho que tive...

Um minuto de ti...

Um minuto de ti...

O tempo é efémero...
E o relógio bate e disfarça com o som tiquetaqueante... com ironia...
As imagens que passam...
Na fita deste filme...
A que alguns chamaram vida...
A que outros não chamam nada...
E a que eu chamo tudo...


O tempo... apropria-se de nós...
E aborda-nos... utiliza-nos... afoga-nos... nessa loucura de não existir...
E veloz... corrói essas imagens do presente... que nunca o é... nem será... nem foi...!
O tempo... é sem tempo... para acontecer...!


O tempo...
Sim... o tempo... é cruel...
E é mentiroso... parece-nos ser longo... tanto tempo, dizemos nós...
Mas.. o tempo... não tem duração... apenas passagem...
E quando despertamos para a realidade... o futuro já passou...!


O tempo...
Come-nos... as acções...
Termina beijos...
Obriga multidões a avançar e outras a desistir... das suas intenções...
Finda com os instantes...
E dilui em memórias nostálgicas o presente das emoções...
E impede que nesse silêncio... saboroso de não falar...
Nesse silêncio saboroso de te olhar... essa sensação estimulante... e apaixonada...
Dure para sempre...


Mas...
Para mim... no tempo que o tempo ritma e assente possuir...
Entre o instante de te olhar... e o momento em que fechamos os olhos... com prazer... mas medo...
O tempo... sendo breve... é eterno...
Dura para sempre... ali...
No brilho da tua luz...
Dura para sempre... esse minuto de ti...
Dura para sempre... dentro de nós...!


Dura para sempre... essa metáfora... da vida...
E basta um minuto... um só minuto de ti...
E sou feliz...!
Nesse... eterno... singular... irrepetível.. minuto...!
Que quando é... de ti...
É mágico.


Pedro Campos - Algures... no tempo e no espaço...

É bom... estar aqui...


É bom... estar aqui...



Sabes...
Num poema simples...
Tenho que te confessar que sabe bem estar aqui...


Sabe bem...
Respirar este ar, olhar esta paisagem, sentir este arrepio...
Sim...
É bom... estar aqui...


É bom...
Crescer... dentro do mundo... fora do mundo...
E contemplar as paisagens que existem... que acontecem...
Dentro e fora de mim...


Sabes... (claro que sabes...)
Que..
Sabe tão bem estar aqui...
Sabe bem... ter-te aqui...
E olhar-te todos os dias...
E todos os dias ver-te...
E todos os dias... surpreenderes-me...
E todos os instantes... fascinar-me... contigo...
Com essas pequenas e grandes descobertas....
Essas... loucuras de anjo....
Essa... simplicidade e energia...
Essa alegria...
De cada dia...


Sabes...
Sabe bem... estar aqui...
E mesmo quando é preciso remar contra a maré...
Acaba por ser bom... estar aqui....
Acaba por ser bom... lutar...
Acaba por ser bom... acreditar...
E aquilo que é mau...
Estrutura-nos e reestrutura-nos, molda-nos...
Dá-nos... sabedoria...
Dá-nos... cada vez mais... liberdade... de pensamento...!


É bom...
Tão bom...
... Olhar o céu azul... e as noites... e o vento... e as estrelas... e o mar... e as ondas... e a areia... e as gaivotas... e os lobos... e os cães... e as árvores... e o sol a nascer no horizonte... e a lágrima que cai dos meus olhos molhados... emocionado.. com a magnificiência das coisas simples...
Emocionado... com a beleza... da natureza... e o seu poder...
Emocionado... com a poesia em forma de quotidiano... a poesia em forma de vida...
Emocionado... com o teu olhar... e a tua natureza... e essa tua liberdade curvada nos teus cabelos...
Que se prolonga no rumo aerodinâmico da emoção...
Para uma corrida de sonhos... que se enlaçam nos teus cabelos...
Esses teus cabelos... com esse perfume... tão reconfortante... tão... inesquecível...!


E esses sonhos... eloquentes... silenciosos...
Que se enrolam... nas tuas orelhas.. suaves...
Que estremecem... na tua boca... sensual... perfeita...
E se diluem... na exclamação perfeita dos teus lábios...!


Na exclamação perfeita do teu mundo...
Esse lago... essa lagoa imensa... que se avista ao longe...
Que recebe o arco-íris desses sonhos...


Desses sonhos...
Que... se transformam nos teus olhos... doces... como mel... salgados... como o mar... agridoces... num equilíbrio perfeito... esses teus olhos... repletos de sonhos...
Que respiram... no teu peito ardente... poente... sumptuoso...
Que... seduzem... nas tuas mãos... de pele macia... bonita...
És tão bonita...
Tão... bonita... simplesmente...


É bom... estar aqui...
Oh... é mágico... é sedutor...
Olhar o mundo... e as pessoas... os animais... em contemplação...
É fascinante...
É único...
É... é... é... imensurável... satisfação...
Irrepetível...
Estar aqui...!


É bom...
Entender o funcionamento do mundo...
E... em reflexão... descontruí-lo...
E voltar a contruir...
Assim...
Sonhando...
Perdidamente...
Sorrindo...
E assumindo a dor... que essa forma de viver...
Traz, por vezes...
Mas é esse... o preço da felicidade... ou de lutar pela felicidade...
Pelos outros...
E por nós mesmos...


É bom ... estar aqui...!



Pedro Campos - algures...