Aos meus pais, avós e amigos.
A toda vida...
A toda a natureza..

Traduzir / Translate this blog

Aparição

Aparição - quando a noite caíu Letra de Pedro Campos

1
Quando a noite caíu
Ele não sabia que ainda estava aqui
A memória do que partiu
O resto da solidão

2
Quando a noite caíu
Ele não sabia onde estava o tempo
E ao correr pela noite descobriu
Que não há paraíso nem inferno
O mundo está aqui...

Refrão 1

Olhou o rosto do seu rosto no espelho
E uma sombra enfeitou-lhe o instante
Recordou todo o seu caminho, a sua rota...
Sentiu-se perdido, cansado, iludido...
Sentou-se e pensou para si mesmo...
Depois de tanto correr
Percebo... nunca tive um verdadeiro sentido por que viver...!

3
Ele pensava que seria diferente
Ser feliz sem lutar pela felicidade
E a amargura que jurou não sentir
Ensinou-lhe que não se deve jurar...!

4
Agora os dias passam devagar
Umbrais, frios, cadentes
Sentia a solidão morder-lhe a carne
O que tinha entre o corpo e a alma...
E então... chorou... e sorriu...
Correu para a janela...
E sem saber o que sentir...
Olhou o reflexo no vidro da janela...

Refrão 2

Olhou o rosto do seu rosto no espelho
E uma luz iluminou a sombra que lhe cobria o instante
Recordou todo o seu caminho, a sua rota...
Depois de sentir-se perdido, cansado, iludido...
Caminhou em frente... abriu os braços
E chorou comovido...
Depois de tanto correr
Percebeu que nunca tivera um rumo na vida...
As suas lágrimas escorreram-lhe pela face...
E caíram no chão...
E de braços abertos... caminhou para a janela aberta...
E... na aparição de si mesmo...
Abriu as asas do seu sorriso... e voou...

Agora... ele era livre...
No rumo de uma aparição...!

Pedro Campos

O que é feito de ti?

O que é feito de ti? - Letra de Pedro Campos
















1

Procuro a tua voz
Nas estrelas que brilham na noite
Do dia que fez esta noite
Na noite da noite
Do tempo que finda
Aqui

2

E quantas vezes
Penso que te estou a ouvir
Penso que te estou a olhar
Que te estou a beijar
Mas olho em redor e não te encontro...
Aqui

Ponte:

E por vezes escuto o silêncio
E por vezes vasculho as flores
Acordo e pergunto por ti...?
Dentro de mim...

Refrão:

O que é feito dos teus sonhos
Das lembranças que deixaste
Das conversas sobre o mundo
Tudo aquilo
Em que um dia acreditaste...?

O que é feito de ti?
O que é feito de ti?

3

E o silêncio faz-se de novo...
Quando fecho os olhos para te recordar...
É como se o mundo se fechasse nas imagens que retenho de ti...
E na noite... os lençóis que conheceram o teu corpo...
Perguntam-me... sussurrando...
- O que é feito de ti?

Repetir ponte
Repetir refrão



Pedro Campos - algures...


Apetece-me ver o mar

Apetece-me ver o mar - Letra de Pedro Campos


Apetece-me ver o mar
Fixar nas ondas o meu olhar
E longe da confusão
Pegar na tua mão e dançar..!


Apetece-me sonhar
Fechar os olhos e adormecer
Ao teu colo sem acordar
E distante do amanhecer findar todo o meu tempo em ti
E por fim... desaparecer... simplesmente...!


Apetece-me cheirar a vida
Saborear o tempo no teu rosto...
Sentir o teu sabor na tua língua...
Apaixonar-me sem remorsos...


Apetece-me abraçar o teu semblante
Absorver o teu gosto
Trocar palavras num dialecto distante
Ouvindo a tua voz criar um mundo novo...


Apetece-me ver o mar
Fixar nas ondas o meu olhar
E longe da confusão
Pegar na tua mão e dançar...!


Apetece-me sonhar
Fechar os olhos e adormecer
Ao teu colo sem acordar
E distante do amanhecer
Enfim desaparecer...

Desejo que a vida renasça no seu Ser..
Desejo poder sorrir...
Que todo o meu mundo se apague...!!!

Que todo o meu mundo se apague..
Para que de novo possa viver...
Não mais sentindo vontade de partir, ou de morrer...!


Porque apenas me apetece ver o mar...
Olhar aquelas ondas que invadiram o areal do pensamento...
Deixando-me sentir o frio da água, gélida e salgada...
O doce do sal que queima a minha boca
Em ternuras de almas sem fim...


E vendo no reflexo do mar
Toda a luz que do objecto redondo, circular, luminoso no céu a brilhar...
Uma lua que me deixe, que me deixe ainda amar...!


Toda a luz, dessa lua no fim daquela tarde...
Em que sentado a pensar
Apenas queria sentir o mar...!


Apetece-me ver o mar...
Fixar as ondas no meu olhar...
Ver o mar...
O mar... reflectido...
No teu olhar...
No teu olhar...!


Pedro Campos - Algures

Eterno Momento

Eterno Momento - Letra de Música - Pedro Campos


1

Bebes o tempo quente
Bebes mais um bafo de vida
Sentes que foste eterna
E que o tempo não é suicida


2

Corres por entre as canas
De um canavial perdido no céu
E lembras com saudade
Essa idade em que tudo era teu


3

Essa idade em que tudo
Era possível de alcançar
Essa idade em que um gesto
Era o suficiente para amar
E sonhavas, amavas, corrias sem ter medo
E querias, desejavas para ti, um eterno momento...


Refrão:

Eterno momento, em que a dor parte
Eterno momento, esse em que o instante não é verdade
Eterno momento, flores que desabrocham
Eterno momento e o sonho não tem fim...!


4

Agora acordaste para vida
E o arco-íris no céu
Diz-te como deves procurar ser feliz
Com a liberdade de sonhar e sorrir
Com a vontade genuína de existir
Porque
Eterno momento
É o poema que tens escrito
Dentro de ti...!


Pedro Campos - Algures

Éramos dois

Éramos dois


Éramos dois
Unidos na dança trapezista dos sentidos
Abraçados no recanto da sala...
Onde a luz já não chegava...
Numa trama de ilusões... de gestos... de rostos...
Unidos em nós
E esquecidos dos outros...

Éramos dois
Perdidos na incerteza do que éramos...
Na natureza do que éramos...

Éramos dois
Dois corpos sentidos... entre as tulipas de um jardim de inverno...
Entre o fascínio de uma melodia suave... e terna... e meiga... e envolvente...
No fim de uma noite...
Ou no alvorecer de um dia...
Éramos a chama ardente...
Tapada na vela do silêncio...
Éramos a coberta de jasmim...
Num patamar de ausência...
Éramos nós...
Enquanto sonhávamos...
Dormindo...!

Éramos dois...
E assim ficámos...
Entre os sonhos partilhados...
E os poemas dispersos...
Os pensamentos rarefeitos nos olhares...
Os papéis abandonados no chão...
E as cartas rasgadas... numa saudade... do presente...
De tudo...

Éramos dois...
Sonhadores de nós mesmos...
Antes do alvorecer da manhã...

Antes de acordarmos do sonho...
Éramos dois...

Sim...
Éramos...


Pedro Campos - algures...

Fechei os olhos....

Fechei os olhos...


Fechei os olhos
Para não te ver...

Fechei os olhos
Para não te olhar...

Fechei os olhos...
Para...
Olhando-te
Não me diluir na vontade de te olhar

Fechei os olhos...
Para não chorar...
Para não sorrir... não correr nas calhas da verdade...
Dessa verdade que flui... como um rio...
Dentro de mim...

Mas é tão imensa essa vontade...
É tão forte e abrupta... essa saudade...
Quanto a rebeldia nostálgica de uma onda do mar...
Selvagem... arrebatadora...
Incontornável...!

É indomável essa vontade...
E... acabo por ceder... à vontade de te olhar...
A ti...
E olho...
Assim...
Como tu sabes...
Com este olhar que te abraça... sempre que pode...
Com este olhar... que me diz tudo... que te diz tudo... mas que tem medo de continuar a dizer...
Para evitar o prolongamento... do que não sei... do que desejo... mas não quero desejar...
Para evitar qualquer sofrimento... qualquer ferimento...
Correndo o risco... de estar também a evitar qualquer outra felicidade... parceira do sofrimento...

Mas...
Como a vida...
Estar vivo...
É um risco...
Acabo por... no risco...
Correr o risco, conhecendo o risco, de te olhar... só mais uma vez...
Talvez uma única vez...
Uma última vez...
Com o encanto... de ser sempre... como a primeira vez...
Com este olhar...
Que consegue ver o que está reflectido... no espelho da tua alma...
E que...
Se maravilha... assim... ao sonhar-te...
Ao contemplar-te...
Olhando-te...
Olhar-te...
Na manhã que há nos teus olhos...
Fazendo-me caminhar...
Pela estrada da tua alma...
Por onde vou...
E de onde regresso...
A sonhar...
A acreditar...
Naquilo que não sei... o que possa ser...
Na ausência...
No nada...
No tudo...

Mas... não...
Não quero pensar nisso...
Não posso pensar nisso...
E por isso...
Fecho os olhos...

Fechei os olhos...
Para não pensar...
Para não te olhar...!
Mesmo sabendo... que isso é como deixar de olhar a eternidade...
O paraíso...
Talvez o "Hoc Erat in Votis" de uma existência...!
Mas não.. sei...
Nunca saberei...
Apenas... adormeci...
e
Fechei os olhos...


Pedro Campos - Algures... um poema sem ser poema... numa estrutura completamente diferente... sem ser estruturado... sem ser nada... e talvez tudo...

Absorvi o sol

Absorvi o sol (do teu olhar, nas tuas mãos de anjo... do teu sorriso... de tudo em ti...)



Absorvi o sol...
Que me invadia o olhar...
Esses raios de sol... luminosos... eloquentes...
Que perpassaram o vidro duplo que nos separava do mundo lá fora...
Que nos apartavam...
Do mundo... dos outros...
E talvez... também de ninguém...!

E... ali...
Ali... algures...
Por instantes... num ápice...
Recebi.. no prazer subtil da incerteza... os raios de sol no meu olhar...
E...
Absorvi o sol do teu olhar...
Absorvi... o sol ingente... colossal... abismal...
Absorvi... em contemplação... o génio magnificiente do teu ser...
Essa luz no olhar.... reflectida no meu olhar.... quando ao olhar-te... olhando-te... me deliciei prazerosamente embriagado... com o sabor agridoce... da tua alma... do teu olhar...
Com a intensidade... fulgorante...
Com... a exuberância... reconfortante... do teu olhar...
Oh...! Essa exuberância e profusão da tua lua cheia... no meu olhar...
Hum...! A tua doçura... e a tua leveza insustentável de entusiasmo e vigor para com o universo...
Para comigo...
Para com tudo...
E no entanto...
Fiquei sem entender qual o rumo do vento...
Fiquei sem entender...
Sem entender-me...

Fiquei... assim... até que finalmente... entendi...!

... Entendi... que não entender...
Foi naquele momento... a forma mais simples de ter entendido tudo o que se poderia entender...
Sobre o rumo desse vento...

... Entendi... que... sou feliz... apenas admirando-te...
Sou feliz... na locura lúcida que me sustenta aqui...
Amando o instante... e o teu sorriso... e a tua cor... e a tua pele...
Nas tuas mãos... em ti...
O rumo desse vento...
Embalando o mundo... com ternura e devoção...
Nessas tuas mãos lindas...
De anjo...
Essas tuas mãos... só tuas....!... tão tuas...!
Com essas mãos... que em esplendor... e sedução... observo e sinto... e calo... e oiço e morro e vivo... e renasço... e luto... e perco... e desisto... e venço... e corro.... e volto a lutar...
... E aglutino-me em mim... aglutino-me em ti... num nós nunca real... e acordo... e adormeço... e surjo de novo...
... e anoiteço... e amanheço... e destruo-me... e reconstruo-me... e apaixono-me... e penso...
... e reflicto... e cresço... e medito... e aprendo... e imagino... e toco... e aplaudo... e assobio... e canto... e danço...
.... debruço-me na enseada de bruma coberta... e atiro-me no desconhecido... de cabeça para baixo... à espera do mar que me receba com ternura... lá em baixo... lá no fundo do fundo do mundo... ....
... onde haja... talvez uma cidade escondida... ou uma galáxia perdida...
Ali no fundo do mar... no fundo do teu olhar... nas tuas mãos... no teu sorriso.... em ti...
... No rumo desse vento...!


E abraço-te... e penso abraçar-te... mas não abraço...
E percorro as ondas do imensurável... do indomável...
Cogito sobre a vida... filosofo sobre tudo e nada... e fico na mesma... como antes... sem saber qual a descoberta significativa que fiz... ao pensar... reflectindo... filosofando sem fim... em mim... sem mim...! Em tudo.. sobre tudo.. no nada de uma nadificação consciente...!

E... sento-me...
E descanso...
E canso-me...
E abarco-me no meio do oceano...
... E navego... numa caravela quinhentista... sem bússola nem orientação...
... E num instante... num gesto... num momento lacónico...
Quase tomo conta da tua mão... quase... em quase tudo... debruço o meu silêncio... e quase... num quase quase... unimos as nossas mãos... os nossos gestos... e contos... e poemas... e instantes... e sentidos... mas não... não damos as mãos...
Não chegamos a dá-las verdadeiramente..!
Porque...
... no último ensejo... ambos evitamos que a união das mãos...
Se concretize...

Elas...
Tocam-se somente... de relance...
Por um lado...
Assegurando a manutenção do segredo... mantendo a amplitude do mistério e a candura do encanto...
... Impedindo que a magia se dissolva.... transformando-se num pouco mais de realidade...

Mas...
Sabe tão bem... apenas o toque... da pele... das mãos... e os olhos... e o sorriso... e tudo em ti...

... E...
Tudo se repete... ou parece repetir...
A poesia repete as ideias já quase gastas...
Mas.. talvez a renove...!

Porque...
Cada poema... é um novo poema... nunca acontecido... nunca lido... e tudo ganha uma nova dimensão...

... As ideias ganham um novo sabor... de deixam de parecer repetidas...


... E enlouqueço... e fico racional de novo... e sou lúcido... sou perene... na ausência de ser eterno... mas no desejo... de que tu o sejas...
... Eterna... febril... plácida... ardente... sincera... e ao mesmo tempo... omissa...!

... E eloquentemente... sento-me na delícia de sonhar... e como...!

Como.... saboreando... o vinho da eternidade... líquido... flutuante... alegre...! E bebo...!...

... Bebo... a ambrósia dourada... que deriva do céu... o algodão doce.. das nuvens cristalinas...!

...Assumo... num relance de sapateado... a fé que transforma uma ideia em impossível... mas a encara como... antítese... da dualidade possível e impossível...
... Essa mesma fé... que fez o homem acreditar que poderia voar... como as aves pelo céu azul...

... Essa mesma fé... que fez o homem sonhar em explorar o universo....

... A mesma fé... que faz os milagres acontecerem... nem que seja... numa outra realidade...

... Numa dimensão... de um mundo de sonhos...

.. Enquanto dormimos... sossegados... nos carris da imaginação fértil...


... E grito...
... E choro...
... E rio... rio tanto... que as estrelas se enchem de cor e de luz e de fogo...
E todos os cometas se unem no firmamento... a cantar... e a foguear... como se estivessem num festival de apresentação de fogos de artifício...!!!

... E percorro...

... Percorro...

A estrada intérmina da ilusão... e da realidade... e da irrealidade... e aceito...

Aceito... o absurdo incompreensível da impossibilidade de sentir o que sinto... no fascínio deslumbrante da tua essência...
Perante... a tua deslumbrância... esperança... de um sem fim de dimensões da beleza e do fascínio... a que me rendo... a pouco e pouco...

A que me rendo... como um historiador... se rende... a uma relíquia... a um tesouro..
Como um artista...
Se rende e se inunda e impregna de inspiração... na descontrução da realidade... construindo o sonhado... o fumado... no esboço... carvonejado... das coisas... no seu estado natural.. pleno... efusivo... eloquente no beijo...

Sim...
Perante... essa preciosidade...
À qual... sei... impossível chegar.... mas ...
Esse é o sentido único do meu espírito...
Ela.......

Ela...
É o sentido... único que as palavras poderão encontrar...
E o sentido único ... em que contando segundos... instantes escassos...
Caímos mil vezes... seguidas de abraços...
E a dança é divina... ela vive no ar...!!
Ela voa sem asas... e não quer aterrar...
... Ali... na pista errante... de um equilíbrio nómada... que muda de lugar...
... no mapa das delícias eternas...
... no itinerário da felicidade...
.... assim...
Na linha indistinta que separa o céu... da terra...
E ambos... do mar....

... E volto.. a despertar...
E volto a tentar andar...correndo... sem correr... e na ambiguidade da poesia....

Arrisco o salto....
Digo... o que não posso dizer....
Na poesia que fala por mim... por nós... e por ninguém... a falar
E retraio... o salto do salto... no horizonte... despidas as horas... e perdido o espaço...
Retraio o salto que sei...
Não poder saltar...!


E assim...
Não entendendo...
Entendo que é essa a forma mais simples de entender o possível e impossível que poderia ser entendido...
Sobre o rumo desse vento...
E sobre essas mãos de anjo...
Que em ti... e por serem tuas...
São tudo... para mim....
Para sempre...

Assim...
Entendo tudo...
E não entendo nada...
Digo tudo...
E não digo nada...
Enquanto...
Olhando esse sol no teu olhar...
Absorvia a chama...
Absorvia o fogo bravo que a noite e o dia desejavam ter em si...
Viajando..
Embarcando numa viagem sem destino... à procura do ignoto...
À procura também de mim...

Nesse teu olhar...
Castanho... brilhante... infinito...
Tão perfeito quanto a mais sumptuosa paisagem de veludo...
Na suavidade do paraíso...!
Tão unívoco quanto o bailado mais belo... mais harmonioso... mais sentido...
Tão extraordinário quanto... a mais fabulosa composição musical...
Esse teu olhar...
O espelho... do meu olhar... nesse teu olhar...
Quando... sem entender o rumo da história...
Entendi que amar-te assim... é decifrar o entendimento que flui em ti...
Esse entendimento que se constrói na força de um sonho...
Na partilha das almas...
No espaço mútuo da existência...
No rir...
No sonhar...
No crescer...
No falar...
No amar...
No querer...
No encantar...
No rumo desse vento...

Desse vento...
Que embalando o mundo...
Nas tuas mãos... de deusa...
De anjo...
Nas tuas mãos... eternas...
Quentes... suaves...
Donas de gestos únicos...
Irrepetíveis...

Assim...
Na linha indistinta entre o céu, a terra e o mar...
Que nos separa... não separando...

Assim...
O teu olhar... as tuas mãos... o teu sorriso... tudo...
A verdade excelsa que há em ti...!
Quando absorvo o sol...
Que és...
Tu..

Pedro Campos – algures no tempo...

O Menino do Piano

O Menino do Piano - Letra de Pedro Campos

1

Sentados junto do piano
Tocando as almas a sonhar
O menino do piano
Não conseguia parar de tocar

2

Investia e persistia no clamor das teclas
Como se crescesse dentro do piano
E ali ao lado... o seu sonho vivia...
Estilizada em magia com o encanto do som

Refrão 1:

Era assim
Sempre que ele olhava para ela
E o homem adulto que ele era
Transformava-se em criança pequena

No menino do piano
Que sempre a há-de amar
Como a uma musa encantada
Que o ensinoou a amar...

Ela... a sua doçura... na maresia da alma...


3

Os seus olhos ficavam parados
E quando se cruzavam, sentiam o brilho da imensidão do mar
O som do silêncio ecoando neles
Mostrava-lhes como é bom amar...

Refrão 2:

Era assim
Sempre que ele olhava para ela
E o homem que ele era
Transformava-se em criança pequena

No menino do piano
Que sempre a há-de amar
À sua estrela colorida
Ao seu porto de abrigo
À sua menina do mar...

4

Depois... ouviram as palavras
Que as suas mãos tinha pra dizer
Aproximaram-se um do outro
Num silêncio que apenas eles conseguiam entender

(Repetir último Refrão e acaba com uma outra estrofe)

Hoje as suas palavras ternas
Perduram no som do vento
E sempre que há um piano a tocar
Ele lembra-se dela...
Porque ela... era a sua música singela
A sua luz na escuridão...
As asas reais da sua imaginação...!

Ela é o fascínio descoberto...
No coração do menino do piano...!


Pedro Campos - Algures... no tempo e espaço...

Nós

Nós - Letra de Pedro Campos

1

A estrada aberta
O céu azul no horizonte
Os pinheiros voltados para o céu
Lembram-me de ti

2

Um grito de liberdade
No esboço de um retrato antigo
E a saudade de um vento de ontem
Lembram-me de mim

Refrão:

Aqui, junto de nós
Desenlaçamos os nós
Que a vida nos obrigou a sentir

Aqui, junto do rio
Desapertamos os medos antigos
E num relance de infinito
Sabemos que é hora de partir


3

Agora, agora sem tempo
O vento volta aqui, os sonhos vivem de novo
No tempo do tempo sem fim
E corres... e gritas... num silêncio fechado... na noite calada... e a luz invisível reflecte... dentro de nós...
Na sombra de nós...
Na sombra da noite...


Pedro Campos

Cortinas da Ilusão

Cortinas da Ilusão - Letra de Pedro Campos


1ª estrofe

Desces as cortinas da tua sala
Enquanto corres os sabores de uma vida perdida
Ao ritmo de um pêndulo de joalharia nobre
Olhas o mundo por detrás das janelas transformadas
E assistes assombrada a um mundo que nunca tinhas olhado ou sequer entendido

Refrão

De olhos iluminados pelo reflexo da lua
Os olhos de um estranho entram pela tua porta
E no teu mundo, enclausurada, despertas meio embriagada
Percebes que tens de abrir os olhos
E desccer com os dedos do teu coração
As correntes que te prenderam
Às cortinas da ilusão

2ª estrofe

Entregas as mãos em silêncios rotundos no silêncio
E um ruído de mistério percorre cada gota do teu sangue ígneo
Pareces alienada por um vento de história e histeria
Aconteces-te abandonada, no tempo em que a tua vida te pertencia


Pedro Campos